Conferência

Na última semana foram processados 11.800 testes por dia

Na última semana foram processados 11.800 testes por dia

O secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou, esta quarta-feira, que "na semana de 13 a 19 de abril, foram processadas 11.800 amostras por dia" e que há 66 laboratórios para despiste da Covid-19.

Na conferência de imprensa desta quarta-feira, o secretário de Estado assinalou que a taxa de letalidade global em Portugal é de 3,6% e, acima dos 70 anos, é de 13%. Encontram-se em domicílio 86% dos casos e 5,2% em internamento (0,9% em unidades de cuidados intensivos e 4,3% em enfermaria).

"Na semana de 13 a 19 de abril, foram processadas 11.800 amostras, em média, por dia. Temos 56 laboratórios para despiste de Covid-19, 30 públicos, 13 privados e outros 13 referentes a outras entidades, como a Academia e Exército. A reserva nacional de testes mantém-se em mais de um milhão em stock, que vão sendo distribuídos, e, se necessário, será reforçada", depois de já terem sido realizados desde dia 1 de março "288 mil testes", referiu o secretário de Estado da Saúde.

António Lacerda Sales destacou ainda que a linha SNS24 continua a ser decisiva na resposta ao Covid-19, recebendo cerca de 8 mil chamadas diárias, um número que mostra uma tendência de estabilização de acordo com a fase epidemiológica atual. "O tempo de espera para atendimento é hoje inferior a um minuto", explicou o secretário de Estado.

Nova plataforma de atendimento para surdos

Lacerda Sales anunciou também que os cidadãos surdos vão passar a dispor de uma plataforma de atendimento por videochamada com seis intérpretes de língua gestual portuguesa, os quais farão a mediação com enfermeiros e médicos.

Por sua vez, o presidente da Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), Luís Goes Pinheiro, apresentou o serviço de atendimento para surdos, através de videochamada, para o SNS24. O intérprete de língua gestual será um "mediador" entre quem liga e quem recebe a chamada no SNS 24. "Uma nova funcionalidade" que pode igualmente ser usada pelos profissionais nos centros de saúde ou hospitais quando um cidadão surdo se dirigir aos serviços.

"Sistema de notificação construído para situação completamente diferente"

Questionada sobre algumas queixas que vão surgindo sobre o sistema de notificação dos casos, a diretora-geral da Saúde respondeu que existe a intenção de melhorar o SINAVE (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica), em parceria com a SPNS (Serviços Partilhados do Ministério da Saúde).

"O sistema de notificação foi construído para uma situação completamente diferente do ponto de vista de número de casos diários. Temos de agradecer muito aos médicos pela resiliência que têm tido para o preencher. Todos os médicos têm a obrigação de notificar, tal como todos os laboratórios, sejam os resultados dos testes positivos ou negativos. Estamos sempre a tentar melhorar estas plataformas", afirmou Graça Freitas.

Relativamente a um significativo aumento do número de casos suspeitos no passado dia 18 de abril, a responsável explicou que se deveu a "um apelo que a DGS tinha feito a todos os laboratórios para notificarem não só os casos positivos, mas também para notificarem sempre os casos negativos". "No dia 18, 80% das notificações que entraram no sistema SINAVE eram laboratoriais e 40% tinham uma validação de exame prévia à data em que foram incluídas".

Acompanhamento dos lares "muito melhor do que inicialmente"

Acerca dos lares, Graça Freitas afirmou que o país está a ser "percorrido" para fazer o levantamento da situação. "O acompanhamento dos lares está a ser muito melhor do que era inicialmente. As entidades responsáveis estão a trabalhar em conjunto para encontrar as melhores soluções". Se por alguma razão um lar não tiver "pessoal médico e de enfermagem suficiente para dar apoio aos utentes", esse apoio passa a ser garantido pelo Agrupamento de Centros de Saúde da área em que está localizado, esclareceu.

Quanto ao número de óbitos em Portugal, a diretora-geral da Saúde informou que o total diz respeito tanto às mortes ocorridas nos hospitais como às ocorridas em lares ou domicílios.

Todos os refugiados infetados com "sintomatologia muito ligeira"

Questionada sobre a situação do grupo de 175 refugiados e migrantes que foi retirado de um hostel em Lisboa depois de se detetarem 138 casos positivos, Graça Freitas afirmou que todos os infetados possuem uma "sintomatologia muito ligeira" e que várias entidades estão a trabalhar em conjunto para fazer "aquilo que é a regra e a recomendação", desconcentrar ao máximo as populações, algo que não vai acontecer de "um dia para o outro".

A responsável acrescentou que "já foram efetuados outros testes em outras comunidades para ver se se encontram mais pessoas positivas" e que "Portugal é um país de acolhimento". "Nós acolhemos refugiados, pessoas que se candidatam a ficar no nosso país, e há entidades que os acompanham. Há, nomeadamente, um centro de acolhimento para refugiados que assegura o alojamento destas comunidades".

Decisão sobre época balnear estudada de forma "muito cautelosa"

Questionado sobre os planos do Governo para a época balnear, o secretário de Estado da Saúde respondeu que o executivo ainda não tomou decisões sobre essa matéria, a qual está a ser estudada de forma "muito cautelosa", até porque está a ser equacionada a abertura de setores importantes para a economia portuguesa.

Lacerda Sales admite que o setor do turismo é muito relevante para a atividade económica em Portugal, mas que ainda não há um "cronograma". A reabertura ainda está a ser "ponderada e estudada".

Ainda de acordo com o secretário de Estado, foram contratados no âmbito da Covid-19 "mais de 1800 profissionais" de saúde, entre médicos, enfermeiros, assistentes e técnicos. Sales explicou que são contratos por quatro meses, "havendo a possibilidade de serem prorrogáveis por igual período de tempo".

Mais de mil casos recuperados e 785 mortos

785 mortes por Covid-19 em Portugal, são mais 23 do que na terça-feira, e mais 603 novos casos confirmados, num total de 21982.

Os doentes recuperados são 1143, ou seja, há mais 226 casos em relação ao balanço de terça-feira (eram 917) e há 207 infetados internados em unidades de cuidados intensivos, menos seis em relação ao boletim anterior (eram 213), segundo o balanço epidemiológico da Covid-19 divulgado esta quarta-feira pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

A região Norte é a que regista o maior número de mortos (454), seguida da região Centro (175), de Lisboa e Vale Tejo (138), do Algarve (11), dos Açores (6) e do Alentejo, que regista um morto, adianta o relatório da situação epidemiológica, com dados atualizados até às 24:00 de terça-feira.