Conflito

O "contrassenso", o "golpe" e o "respeito". A polémica entre Joacine e Livre em frases

O "contrassenso", o "golpe" e o "respeito". A polémica entre Joacine e Livre em frases

O conflito entre a deputada Joacine Katar Moreira e o Livre - partido pelo qual foi eleita para o Parlamento - tem ganho todos os dias novos episódios. O JN reconstitui, com frases dos protagonistas, a escalada deste braço de ferro.

Sábado, um dia depois de a deputada Joacine Katar Moreira se ter abstido numa votação do PCP que condenava "nova agressão israelita em Gaza":

"O Grupo de Contacto do Livre manifesta a sua preocupação com o sentido de voto da deputada Joacine Katar Moreira, em contrassenso com o programa eleitoral do Livre e com o historial de posicionamento do partido nestas matérias. O texto apresentado pelo PCP colhe uma posição favorável por parte da direção do partido Livre" - comunicado do Livre.

Sábado, 18.35 horas:

"Foram três dias de contacto infrutífero para saber dos posicionamentos da direção relativos ao sentido de voto das propostas que nos chegaram, onde esta constava. A abstenção não se deveu a uma falta de consciência ou descaso desta grave situação [Palestina], mas à dificuldade de comunicação entre mim e a atual direção do Livre" - comunicado de Joacine Katar Moreira (na segunda-feira, Pedro Nunes Rodrigues, da direção do Livre, diria ao JN que a deputada enviou três e-mails ao partido com o guião das votações, mas nenhum deles trazia qualquer pedido de esclarecimento sobre sentidos de voto).

Domingo, 00.49 horas:

"Fui eu que ganhei as eleições, sozinha, e a direção quer ensinar-me a ser política. (...) [Desde a campanha eleitoral, o apoio só chegou] de quem não era do partido" - Joacine Katar Moreira ao Observador.

PUB

Domingo, cerca das 16 horas, à entrada para a Assembleia do Livre, onde reuniu com a direção do partido:

absolutamente impossível [deixar o Livre]. É aqui onde eu hei de estar, é aqui onde eu estou e aqui onde irei obviamente cumprir absolutamente o que me foi mandatado" - Joacine Katar Moreira.

Domingo, cerca das 16 horas, à entrada para a Assembleia do Livre:

"Sei que muitos estão perplexos e quero que tenham consciência de que nós também estamos. Os concidadãos habituaram-se a ver um partido sério, empenhado nos verdadeiros temas. O que as pessoas querem ver é o Livre voltar a essa trilha, e quero que tenham consciência de que nós sabemos isso, que é isso nós queremos desde que fundamos esse partido e é isso que vamos fazer. (...) Há uma Assembleia a decorrer e são os membros que vão decidir [se o Livre tira ou não a confiança política a Joacine, o que acabou por não acontecer]" - Rui Tavares.

Segunda-feira:

"[Joacine Katar Moreira vai ser alvo de um processo do Conselho de Jurisdição do Livre] a pedido e por insistência de Rui Tavares" - Rafael Esteves Martins, assessor de Joacine Katar Moreira, ao Observador.

Terça-feira, 9.45 horas:

"Isto trata-se de um autêntico golpe [por parte da direção do Livre] e a minha resposta é esta: não sou descartável e exijo respeito" - Joacine Katar Moreira, ao Notícias ao Minuto.

Quarta-feira:

"Os deputados não têm prazos para apresentar seja o que for. Uma coisa é agendamento, outra arrastamento, e, outra, iniciativa. Mas #aculpaédajoacine"" - Rafael Esteves Martins, no Twitter, acerca do facto de o Livre ter falhado o prazo limite para discutir o projeto de lei sobre a nacionalidade - uma das bandeiras eleitorais do partido - a 11 de dezembro.

Quarta-feira:

"Ontem um jornalista entrou-nos pelo gabinete. Foi isso. There, I said it ["Pronto, está dito"]. Larguem o osso" - Rafael Esteves Martins, no Twitter, a justificar o facto de a deputada ter sido acompanhada por um militar da GNR, no Parlamento, de modo a evitar as perguntas dos jornalistas.

Quarta-feira:

"É isso [o facto de o gabinete de Joacine ter muito trabalho em mãos] que digo constantemente aos media. Mas, guess what ["adivinhem lá"], a Joacine vende e não é pouco. Ontem recebi um número absurdo de assédios telefónicos, até "portas abertas". Uma vida de esquerda para hoje citar o Cavaco: "deixem as pessoas trabalhar"" - Rafael Esteves Martins, no Twitter.

Quarta-feira:

"Da mesma forma que não deixei uma mulher trabalhar 17 horas no dia em que a queriam quase à força na televisão, não atenderei simpaticamente o telefone a desoras. O Livre defende o direito ao descanso, ao usufruto da vida, e, comigo, não passarão" - Rafael Esteves Martins, no Twitter.

Quarta-feira à tarde:

"É necessário que nos comecemos a respeitar uns aos outros. Se vos foi avisado que ontem eu não iria dar entrevista absolutamente nenhuma, o que se espera é que haja respeito" - Joacine Katar Moreira aos jornalistas, à saída do debate quinzenal com o primeiro-ministro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG