Inquérito

Pais assumem ter feito tarefas pelos filhos durante ensino à distância

Pais assumem ter feito tarefas pelos filhos durante ensino à distância

Estudo feito para o projeto Escola Amiga revelou pouca autonomia durante o ensino à distância: 35% dos pais assumiram ter feito tarefas pelos filhos.

A maioria dos alunos não consegue fazer os trabalhos sozinhos: 45% precisa "frequentemente" da presença de um adulto e 31% toma a iniciativa mas requer a supervisão final de um adulto. Só 24% consegue realizar as tarefas sem ajuda, conclui um estudo feito para o projeto Escola Amiga divulgado esta quinta-feira.

Desde o fecho das escolas, em março, os pais passaram "mais tempo do que nunca com os filhos". Resultado, explica o psicólogo Eduardo Sá (um dos fundadores do projeto), "descobriram que os filhos tinham dificuldades na aprendizagem e eram pouco autónomos".

No inquérito, mais de dois terços até responde considerar os filhos moderadamente ou muito autónomos. Mas essa perceção revelou-se "falsa" já que a maioria precisa de ajuda e 35% dos pais até assumiram que não só monitorizavam como realizavam as tarefas pelos seus educandos.

"A falta de autonomia é uma questão fundamental que devia obrigar a pensar onde estamos todos a falhar", considera.

Professores valorizados

O estudo sobre o papel da escola e dos educadores em tempo de pandemia, feito em parceria entre a Porto Business School e a Faculdade de Psicologia, ambas da Universidade Católica do Porto, foi respondido por 23136 encarregados de educação, a maior parte do 1.º ciclo (46%) mas a amostra abrange todos os ciclos e regiões do país.

Mais de um terço dos alunos (33,5%), de "todos os anos de escolaridade", terá manifestado dificuldades na interpretação e compreensão das tarefas pedidas . Para 21,7% era difícil fazer pesquisas e 21,5% tiveram problemas com as competências em informática, especialmente os do 12.º . Falta de autonomia e dificuldades evidenciam, para Eduardo Sá, um sistema de ensino centrado nos resultados, sobretudo dos exames, e não nas aprendizagens. O psicólogo assume que a pandemia podia ser uma oportunidade para se mudar o modelo de escola "do século XIX" mas que o regresso às aulas presenciais confirma que o sistema "não mudou".

O ensino à distância agravou as desigualdades e num ano "absolutamente fora do vulgar", o psicólogo considera que a avaliação externa no Básico devia ser equacionada. "Se se exigir aos alunos o mesmo que há ano e meio é porque não se percebeu nada".

Comparativamente com o estudo feito em 2019, os pais passaram a valorizar mais os professores como determinantes no processo de aprendizagem. "Sentiram na pele a dificuldade de ser professor e de fazer os alunos entender".

86% dos pais (quase 20 mil) responderam no inquérito que é necessário um novo modelo de acesso ao Ensino Superior.

30 minutos de aulas

Apesar de a maioria ter tido mais de duas horas diárias de aulas em ensino à distância, houve "uma percentagem significativa de alunos", no público e no privado, a ter menos de 30 minutos de aulas por dia.

Telescola e materiais

De acordo com as respostas, 27% dos alunos tiveram aulas síncronas, 21% estudaram pela telescola, 11% pelos materiais enviados pelo professor e 11% por manuais sem suporte digital.

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