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Partidos da Esquerda à Direita criticam Orçamento que só PS irá aprovar

Partidos da Esquerda à Direita criticam Orçamento que só PS irá aprovar

As críticas ao Orçamento do Estado (OE) dominam as intervenções que os partidos políticos, da Esquerda à Direita, estão a fazer antes da votação final global do documento. O OE será aprovado apenas com os votos a favor dos socialistas e com a abstenção de PAN e Livre. Todas as outras forças votarão contra.

O líder parlamentar do PSD, Paulo Mota Pinto, acusou o Governo de ter apresentado "o mesmo OE" que tinha negociado "aos bocados" com PCP e BE no final de 2021.

Considerando que o documento "ignora de modo ostensivo que o mundo mudou" desde então, o deputado frisou que, ao conquistar a maioria absoluta, o PS concluiu que "não valia a pena esforçar-se", já que poderia "fiar-se" na nova distribuição de lugares do Parlamento.

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Mota Pinto referiu também que, apenas três meses após as legislativas, o Governo já deu "o dito por não dito", ao recusar reforçar rendimentos apesar de o ter prometido durante a campanha eleitoral. "As legítimas expectativas de que os rendimentos seriam protegidos graças ao aumento dos salários foram completamente defraudadas", atirou, falando numa "quebra de compromisso".

O líder da bancada social-democrata lembrou que a inflação foi de 1,3% em 2021 mas que, segundo a projeção "muito conservadora" do Governo, será de 4% este ano. Uma vez que o OE só atualiza os salários em 0,9%, os funcionários públicos perderão, "na melhor das hipóteses", 4,4% do poder de compra, estimou.

Chega e IL contra a "engorda do Estado"

André Ventura, do Chega, afirmou que Portugal está "no caminho da bancarrota" e que o PS "escolheu o PAN e o Livre como os seus apêndices", acusando os socialistas de "arrogância" por "chumbarem tudo a todos" nos vários dias de votações do OE. O seu partido, recorde-se, não conseguiu fazer aprovar nenhuma das 309 propostas de alteração que apresentou.

O deputado considerou que o OE não só "mantém privilégios" de quem tem grandes reformas (aludiu ao caso do socialista Ferro Rodrigues), como também alimenta "a engorda do Estado". Embora, nos últimos tempos, Ventura tenha adotado um discurso que penetre nos trabalhadores do Estado, desta vez colocou a Administração Pública entre as "clientelas políticas" do Governo.

Para Carla Castro, da IL, o OE não serve o país por três ordens de razões: "Não contribui para a melhoria das empresas e do crescimento, para os serviços públicos e para repor o poder de compra das famílias".

A parlamentar acusou o Governo de "não ter a ambição de transformar ou reformar", lamentando que os liberais apenas tenham tido cinco propostas aprovadas de entre as mais de 120 que apresentaram. Também criticou o Executivo por reforçar "a máquina do Estado", pela "falta de confiança" nas empresas e por manter o país "afogado em impostos" que "castigam o sucesso".

Esquerda rejeita ser "cúmplice" de OE que "encolhe" rendimentos

Paula Santos, do PCP, defendeu que as votações do OE foram "a confirmação de que a maioria absoluta do PS não vai servir para dar resposta aos problemas" do país. "O PS quis eleições para se desfazer da intervenção do PCP e as primeiras consequências da maioria absoluta são a desconsideração dos problemas dos trabalhadores e uma maior submissão às imposições da UE", frisou.

A deputada comunista considerou que a classificação do OE como "o mais à Esquerda de sempre", feita pelo PS, "mais não é do que uma piada". Ao terem permitido que "a inflação galopante se transforme em cortes salariais", os socialistas tornaram-se "responsáveis" pela perda de poder de compra dos portugueses, vincou.

Catarina Martins, do BE, rejeitou ser "cúmplice" de um OE "de baixos salários" e que não impede os serviços públicos de "se degradarem", acusando o PS de ter "brincado às cedências" durante as votações do OE sem, contudo, alterar "nada de significativo" à proposta do Governo.

Para a líder bloquista, o Executivo "optou por deixar em perda quem vive do trabalho num momento em que a economia está a crescer e a produção a aumentar. Só os salários é que encolhem", afirmou. Também referiu que o OE passou de ser o "mais à Esquerda de sempre" para se assumir como o diploma do "afinal não", por não atualizar rendimentos à inflação e por não limitar margens de lucro "que, essas sim, originam a inflação".

Inês Sousa Real, do PAN, mostrou-se satisfeita com os "avanços muito importantes que surgem pela mão do PAN", o partido que conseguiu fazer aprovar mais propostas de alteração ao OE. A deputada destacou medidas como os 40 milhões de euros para reduzir a pobreza energética, o reforço dos transportes públicos no interior ou a criação de uma rede nacional de bancos de leite materno.

Rui Tavares, do Livre, referiu que o seu partido "trabalhou para que o OE ficasse melhor agora" do que na sua versão inicial. Isso, frisou, "permite-nos fazer um caminho difícil mas construtivo" que faz com que, embora discordem da "estratégia global" do documento, os ecologistas não votem contra.

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