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Rui Moreira com 47 pontos de vantagem sobre PS e PSD no Porto

Rui Moreira com 47 pontos de vantagem sobre PS e PSD no Porto

Independente teria 59% nas eleições para a Câmara, de acordo com sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF. Tiago Barbosa Ribeiro (PS) e Vladimiro Feliz (PSD) empatados com 12%. Seguem-se Ilda Figueiredo, da CDU (6%) e Sérgio Aires, do BE (4%).

Se as eleições autárquicas fossem neste mês de agosto, Rui Moreira seria o vencedor incontestado no Porto. De acordo com uma sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF, o independente seria reeleito com 59%, cinco vezes mais do que o resultado projetado para o socialista Tiago Barbosa Ribeiro e para o social-democrata Vladimiro Feliz, ambos com 12%. Seguem-se Ilda Figueiredo, da CDU (6%), Sérgio Aires, do BE (4%), Bebiana Cunha, do PAN (2%), e António Fonseca, do Chega (1%). Há mais quatro candidatos a presidente da Câmara, mas nenhum deles consegue mais do que escassas décimas.

São 47 pontos percentuais de diferença entre o primeiro e os dois segundos. Valores que não têm precedentes, nem em eleições na cidade, nem em sondagens pré-eleitorais. Não são, no entanto, resultados inéditos para os partidos do chamado "Bloco Central": há quatro anos, o PSD estava ainda pior e ficou-se pelos 10,4%. O que pode mudar em 2021 é que teria a companhia do PS (que em 2017 obteve 28,5%).

O resultado é desproporcional, mas há vários dados que ajudam a explicar as diferenças. Um deles é o facto de os dois maiores partidos terem escolhido figuras secundárias para cabeças de lista. Com a agravante, no caso dos socialistas, de ter sido um candidato tardio e de recurso (o secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro, foi o primeiro, mas desistiu um dia depois do anúncio). Como mostrámos na primeira parte da sondagem sobre o Porto, 33% dos portuenses não conhecem Vladimiro Feliz, e 40% não conhecem Tiago Barbosa Ribeiro. No trabalho que publicamos hoje, verifica-se que 88% dos portuenses não são capazes de associar o social-democrata a qualquer medida ou política, enquanto no caso do socialista são 90%.

PRESIDENTE POPULAR

Mas não são apenas os deméritos que ajudam a afundar PS e PSD. Rui Moreira é, nesta altura, um autarca bastante popular, como mostram os vários resultados do estudo de opinião que foi efetuado no Porto, que não se restringiu a tentar antecipar resultados eleitorais. Recordem-se alguns dos dados adiantados na sexta-feira: 74% dos portuenses admitia votar no atual presidente; 64% davam-lhe nota positiva; 66% estão satisfeitos com a situação do concelho; e 62% acham que a cidade está melhor do que há cinco anos.

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Junt

em-se a estes resultados alguns novos indicadores e tudo se conjuga. Desde logo, a dinâmica de vitória: 73% dos portuenses acreditam que será Rui Moreira a vencer as eleições de 26 de setembro no Porto, um sentimento maioritário mesmo entre os que votarão no PS (48%) e no PSD (66%). E, finalmente, a vantagem do independente (que é apoiado pelo CDS e pela Iniciativa Liberal) quando se medem os atributos pessoais dos candidatos (sobretudo a competência, a característica mais valorizada), que culmina com a conclusão de que é Moreira quem dará um melhor presidente de Câmara (54%).

Quando se comparam as projeções desta sondagem da Aximage com os resultados de há quatro anos, há na verdade apenas uma grande diferença: Rui Moreira ganharia quase tantos pontos quantos os que perderiam os socialistas. Tudo o resto permanece relativamente estável. Mas é fundamental lembrar que o trabalho de campo da sondagem foi efetuado entre 12 e 19 de agosto e que falta ainda um mês para a ida às urnas. E que o período de campanha mais intensa que se seguirá pode ajudar a resolver alguns dos problemas de notoriedade de Vladimiro Feliz e Tiago Barbosa Ribeiro.

INDECISOS E ABSTENÇÃO

Outro fator que pode ainda influenciar o resultado final é a percentagem de indecisos: são nesta altura 16%. Uma proporção insuficiente para pôr em causa a vitória de Rui Moreira, e até a maioria absoluta, mas que pode ter uma influência decisiva no resultado final de todos os restantes candidatos e, nomeadamente, na decisão sobre quem ficará no segundo lugar e qual dos dois grandes partidos resistirá melhor ao vendaval do movimento independente.

Finalmente, só no dia das eleições será possível perceber qual o nível de abstenção (que as sondagens têm historicamente grande dificuldade em antecipar). É certo que as eleições autárquicas são as mais participadas, e que em 2017 a abstenção (46%) até foi ligeiramente menor do que em 2013 (47%). Mas este é ainda um ano de pandemia, o que introduz uma nota de incerteza adicional.

O número de indecisos (16%) não é muito elevado, se tivermos em conta que ainda falta um mês para as eleições. As percentagens são um pouco mais altas entre quem vive na união de freguesias de Aldoar/Foz do Douro/Nevogilde (23%), nos dois grupos etários mais velhos (21% e 19%), e nos dois escalões sociais mais pobres (21% e 22%).

Mercado do Bolhão

A medida ou política que os portuenses mais associam a Rui Moreira são as obras de reconversão do mercado do Bolhão (22%), sobretudo entre os que vivem no Bonfim (29%) e os mais jovens (35%). As "contas à moda do Porto/finanças da autarquia" são a segunda política mais referida (14%), com os habitantes de Aldoar/Foz do Douro/Nevogilde a considerarem que é a mais significativa (15%). As "políticas de urbanismo/requalificações" surgem em terceiro, com 8%, mas para os mais pobres são a medida mais marcante (15%).

Desconhecimento

Tiago Barbosa Ribeiro e Vladimiro Feliz ficariam sempre a perder na comparação com Rui Moreira, no que diz respeito a medidas e políticas, uma vez que não têm cargos executivos na autarquia. Mas são, ainda assim, deputado no Parlamento e líder da Concelhia do PS, o primeiro; e vereador durante vários anos e até antigo vice-presidente da Câmara do Porto, o segundo. Pelo que surpreende o nível diminuto de respostas: 88% não são capazes de apontar nada a Vladimiro Feliz, 90% nada dizem sobre Tiago Barbosa Ribeiro.

Rui Moreira, independente

O atual presidente da Câmara do Porto conseguiria, se as projeções se confirmassem, mais 14,5 pontos percentuais do que em 2017, ficando com 59%, o que lhe garantiria uma larguíssima maioria no Executivo (neste momento tem sete mandatos em 13). Analisando os diferentes segmentos da amostra (com o alerta para o facto de as margens de erro serem substancialmente mais elevadas dos que os 3,42% dos resultados globais), o melhor resultado do independente (que tem o apoio do Iniciativa Liberal e do CDS) seria na união de freguesias de Lordelo e Massarelos (71%), com 62 pontos de vantagem sobre o PSD; e o pior nas freguesias do Centro Histórico (Cedofeita, Miragaia, Santo Ildefonso, S. Nicolau, e Vitória). No que diz respeito ao género, confirma-se o desequilíbrio já detetado em favor das mulheres (64%, mais 11 pontos do que entre os eleitores do sexo masculino). PSD e PS, ao contrário, têm um eleitorado mais masculino,. Enquanto na CDU há equilíbrio de género. Nos grupos etários, Moreira só fica abaixo da média nos 18/34 anos (mesmo assim, com 50%), e atinge o topo nos 35/49 anos (64%). Nas classes sociais, a única informação relevante é que fica um pouco abaixo da média no topo da escala (53%).

Tiago Barbosa Ribeiro, PS

O candidato socialista perderia 16,5 pontos percentuais relativamente a Manuel Pizarro, em 2017 (o próximo mês dirá se consegue ultrapassar, pelo menos parcialmente, o grande desconhecimento entre os portuenses, e se a notoriedade se traduzirá em mais votos), ficando empatado com o candidato social-democrata nos 12%. O território mais favorável ao deputado e líder da Concelhia do PS é o de Aldoar/Foz do Douro/Nevogilde (19%), mas também está em segundo no Bonfim e em Campanhã. Consegue o melhor resultado entre os mais velhos (17%) e está em segundo também nos 35/49 anos. No que diz respeito às classes sociais, só perde para o PSD no topo da escala e tem o melhor resultado entre a classe média baixa (15%).

Vladimiro Feliz, PSD

O antigo vice-presidente de Rui Rio (ao tempo em que o líder do PSD foi presidente da Câmara do Porto) tem uma projeção de 12%, o que representaria uma melhoria de 1,6 pontos face ao resultado de Álvaro Almeida, em 2017. Tal como o candidato socialista, o seu melhor resultado em Aldoar/Foz do Douro/Nevogilde (16%), mesmo que esteja em terceiro na união de freguesias. Ficaria em segundo e portanto à frente de Tiago Barbosa Ribeiro no Centro Histórico, em Lordelo/Massarelos, em Paranhos e em Ramalde. Nas faixas etárias, o melhor resultado é nos mais jovens (17%), estando também à frente do PS nos 50/64 anos. Relativamente às classes sociais, só bate o socialista no topo da escala (15%).

Ilda Figueiredo, CDU

A veterana vereadora comunista não está a conseguir converter as simpatias em votos (recorde-se que no potencial de voto, ou seja, somados os que votariam de certeza e os que "poderiam" votar, está empatada com Tiago Barbosa Ribeiro, nos 27%) e ficaria, segundo a projeção da Aximage, praticamente com o mesmo resultado (6%) que obteve em 2017 (5,9%). Há quatro anos, foi suficiente para ser eleita vereadora. É nas freguesias do Centro Histórico que a CDU regista o seu melhor resultado (9%), estando igualmente acima da média no Bonfim e em Campanhã. O pior resultado é a união de freguesias de Aldoar/Foz do Douro/Nevogilde (2%). No que diz respeito às faixas etárias, o ponto alto é nos 35/49 anos (8%); enquanto nas classes sociais é na média baixa (9%).

Os outros candidatos

O candidato bloquista Sérgio Aires teria nesta altura 4%, um resultado insuficiente para ser eleito vereador (há quatro anos o Bloco teve 5,3%, mas também não elegeu João Teixeira Lopes para o executivo municipal). Quanto a Bebiana Cunha, repete candidatura à presidência da autarquia portuense, mas ficaria, nesta altura, com o mesmo resultado que conseguiu há quatro anos (2%), apesar de entretanto ter sido eleita deputada à Assembleia da República, o que, pelo menos em teoria, lhe trouxe maior notoriedade. Relativamente a António Fonseca, do Chega, consegue uns escassos 1% nesta altura. Diogo Araújo Dantas (PPM), Diamantino Raposinho (Livre), André Eira (Volt) e Bruno Rebelo (Ergue-te) nem isso. Refira-se que não é possível fazer, para nenhum destes sete candidatos, uma análise mais fina por segmentos, uma vez que as suas bases estatísticas são demasiado pequenas, mesmo no caso de BE e PAN.

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