
Paula Bastos teve um AVC com 46 anos
Foto: Leonel de Castro
Paula Bastos teve dois AVC no mesmo dia, escreveu um livro, voltou à escola. Rosalina Morais pensava que só acontecia aos velhinhos. João Bragança tinha 28 anos, voou de Portalegre para Lisboa, foi tarde. Rosa Pereiro não estaria viva se o corpo tivesse dado sinal em casa, no interior do país. A geografia importa. Ricardo Rodrigues está a estagiar no hospital onde esteve internado, no Porto. Sobreviventes, familiares, amigos, terapeutas, colegas de trabalho. Os que sofrem e os que cuidam. Quarta-feira, 29 de outubro, é Dia Mundial do AVC.
Vinte e cinco de março de 2013, primeiro dia de pausa letiva da Páscoa, Paula Bastos, professora de Filosofia, 46 anos, levantou-se cedo, pegou no livro que andava a ler, "A peste" de Camus, preparou-se para o pequeno-almoço. "Senti uma dormência muito forte no braço esquerdo. Tive a noção clara de que estava a ter um AVC." Não ligou para o 112, não tinha tomado banho, receou não estar capaz de responder às perguntas. Ligou à irmã Niassa, que mora perto. "Meteu-se no carro e veio a falar comigo o tempo todo, devia achar que eu estava toda torcida." Avisou-a que havia louça partida no chão, para não se assustar.

