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Miguel Guedes

Se restam autarquias ao PSD que PSD resta das autárquicas?

Quando o CDS de Assunção Cristas, há quatro anos, rompeu a coligação em Loures com o PSD de Passos Coelho devido às declarações racistas de André Ventura sobre a comunidade cigana, estaríamos longe de pensar que estaríamos perante o derradeiro momento de higiene e cerca sanitária da Direita portuguesa face ao extremismo que a iria assolar, condicionar e consumir interiormente, como um agente desagregador e corrosivo.

Miguel Guedes

Os salteadores da vacina perdida

Notícias além-fronteiras desenrolaram os fanáticos cristãos-novos da liberdade para extremo regozijo. Segundo a revista "The Independent", Portugal já não é um país totalmente democrático, passando para a categoria de "democracia com falhas". Que isso aconteça muito à custa das medidas restritivas impostas pela pandemia, é servido como o pináculo da catedral para liberalistas que esconjuram confinamentos mas, inversamente, também como alimento fundamental para a saúde pública. O facto da esmagadora maioria dos cidadãos aceitarem prescindir, sem remoque, de parte fundamental dos seus direitos e liberdades em nome da saúde pública, confirma que a covid-19 é um agente agregador e que não está a matar a democracia. Decerto, um "must" para a liberdade que se exige. O grau de solidariedade colectiva não conta para os índices.

Miguel Guedes

Confinamento de vilões

Os melhores momentos vivem de um "timing" perfeito. Sem o tempo certo, assomam as oportunidades perdidas, acontecimentos espantosos que se precipitam, incapazes de encontrar a hora, para a infelicidade de aparecerem nas piores alturas. Qualquer reaparecimento público de Cavaco Silva ou de Durão Barroso é um acontecimento equiparável à permanência de crédito malparado: convoca sempre um ajuste de contas com o passado. Esta semana, ambos reapareceram publicamente para gáudio de Marcelo Rebelo de Sousa e de António Costa. Os momentos felizes existem.

Miguel Guedes

A riqueza em Rabo de Peixe

O espalhanço populista de Rui Rio na entrevista à TVI deixou bem claro que um candidato a "rei da integridade" pode passar, num ápice e por vontade própria, a "mestre do contorcionismo". Rio decepciona mesmo os seus indefectíveis, aqueles que sempre o abençoaram pela ilusão de verticalidade que proporcionava. "Não quero chegar a primeiro-ministro de qualquer maneira", afirma sem pestanejar. Talvez tenha escolhido a pior maneira para que nunca o possa vir a ser.

Miguel Guedes

Ver o PSD morrer

Nenhum democrata, independentemente do quadrante político, pode olhar com indiferença para o caminho que o PSD, partido basilar da Direita democrática, decidiu trilhar. Mais ainda: ninguém, por mais longe que esteja politicamente do PSD, pode conceber que este partido tenha resolvido romper a cerca sanitária com o fascismo, a xenofobia, o racismo ou a misoginia. Pior ainda: é difícil acreditar que isto - isto que efectivamente está a acontecer - seja verdade. Que pelas mãos de Rui Rio, aquele que dizia querer recentrar o partido ou equacionar um novo bloco central, o PSD entre num processo de autofagia, deixando milhares de sociais-democratas órfãos, gente que jamais aceitará que o oportunismo de uma liderança à deriva corroa os princípios basilares da sua decência, dos pilares fundamentais da democracia e do seu humanismo. Há países europeus onde o centro-direita resiste (há décadas!) a alianças com uma extrema-direita que vale quase 20%. Em Portugal, para o PSD de Rui Rio, bastou um deputado, uns meses e umas sondagens.