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Miguel Guedes

O Diabo do Rui

O tempo que uma semente demora a morrer após brotar na face oculta da Lua não é muito menor do que o tempo que o PSD demorou a tentar enterrar Rui Rio num vaso. Apenas um ano após o mais recente Congresso do partido, assim é quando a terra aparenta não ser fértil. O PSD apresenta-se, aos olhos dos eleitores, como uma laranja espremida à espera de um desastre. Não será fácil conviver com esta realidade num partido com profundas convicções de baronato que se vê a perder povo todos os dias. Nas palavras de Rui Rio, o "espectáculo pouco dignificante que estamos a dar aos portugueses" é isso mesmo: um circo de poder daqueles que há um ano não quiseram apresentar-se como alternativa interna e que agora avançam pela pressão de uma horda de deputados e autarcas que sentem que vão perder o seu lugar de pousio. Este é o PSD entregue à sua falta de fé. Este é o partido mais preocupado com os seus dramas internos do que comprometido em romancear com o país. Personagens, figurinhas, barões assinalados. Afinal o Diabo chegou e para os "passistas" dá pelo nome de Rui Rio.

Miguel Guedes

"Bambi", disse ele

No momento em que o leitor se junta às primeiras palavras deste texto, é possível que sinta a tentação de desviar o olhar para a janela ou para uma estrada ou praça nas imediações, à procura de camionistas e skinheads vestidos com um colete amarelo. É assim mesmo, bom Natal. Não há como negar: a quadra natalícia já não se compadece com plantas de azevinho monoicas, as flores não se diferenciam pela anatomia do crime e os frutos são um verdadeiro problema. Saber vestir um colete amarelo, sem cuidar de saber se é Revolução ou Reação, Abril ou Novembro ambos a 25. É o Diabo em má altura. Vivemos tempos confusos mas, desenganem-se, estes de hoje não são "fake news". Atenção, eles andam aí.

Miguel Guedes

Da pedra à lápide

A tragédia de Borba é mais uma página inquietante na relação de confiança que qualquer cidadão assume com o Estado. Estes laços de afinidade colectivos e individuais não podem ser anexados num atilho de servilismo ou, em sentido paralelo, como se o Estado fosse o grande guarda-chuva que nos abriga de todos os climas e males. Mas ainda há mínimos. E o mínimo que se exige do Estado, seja quem for que transitoriamente esteja ao volante, é que não deixe que a sua incúria destrua a ideia de que é segura a terra que pisamos com os pés. Que não é campo minado, que não rebenta, abate ou explode com o tempo ou com a indiferença. O abatimento na antiga EN255 que liga Borba e Vila Viçosa, numa parcela contígua a duas pedreiras, nada deve ao inesperado. A tragédia anunciava-se breve. Já havia quem visse um troço de estrada fina em formato agulha, pendurada por pinças em pouca terra. Nem os avisos serviram de alicerces.

Miguel Guedes

O grande líder moral

O grande líder moral dos EUA - palavras do próprio - proibiu o acesso à Casa Branca a Jim Acosta, correspondente da CNN, depois de o insultar rispidamente do alto do seu púlpito. Horas depois de fortes acusações de dedo em riste, Trump proíbe o acesso à sede da presidência norte-americana ao jornalista, apontando-o como "inimigo do povo". Enquanto canta vitória nas eleições intercalares tendo perdido a Câmara dos Representantes para os Democratas, o grande líder moral acusa a CNN de fazedora de fake news.