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Miguel Guedes

"Deram-lhe o Nobel porquê?"

A pergunta que Trump coloca a Nadia Murad, refugiada yazidi e Prémio Nobel da Paz em 2018, aquando da sua visita à Casa Branca, diz mais sobre a atenção que o presidente norte-americano dedica aos assuntos internacionais humanitários do que sobre a sua inóspita e habitual falta de tacto. Habituado a cuspir palavras, os últimos dias de Trump têm feito salivar os mais abjectos racistas e xenófobos, colocando a opinião pública dos EUA num patamar de extremismo e radicalização que dificilmente deixará de ser transportado como nota maior para as próximas eleições presidenciais em 2020.

Miguel Guedes

O sabonete de Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa veste hoje a pose de um agregador antinaufrágio nem que, para isso, tenha de esconder da Direita todos os seus barcos salva-vidas. O regresso do presidente ao comentário político aconteceu na Fundação Luso-Americana e em inglês, circuito convenientemente fechado para que tudo fosse amplificado como se de um segredo se tratasse. Marcelo vintage. Concebeu uma comunicação ao país, enviou um recado à Direita, preparou a justificação para a sua reeleição e matou saudades da TVI com um pleno das televisões em prime-time. Tudo demasiado grave e exótico para ser verdade.

Miguel Guedes

Fazer a diferença

A primeira escolha para as eleições do próximo domingo passa também por perceber a incomodidade num sofá gasto. Haverá quem prefira sentar-se entre palavras cruzadas numa falsa ideia de bem-estar, permitindo que se elejam os mesmos carrascos para a Europa de sempre, premiando os responsáveis pela Europa que nos trouxe até aqui. A Europa em penitência. Assimétrica, desregulada, autómata e autofágica, a saque pelos piores instintos predadores da especulação e da xenofobia, moeda sem cara nem face, entretanto de muros e muralhas. Sem clima, sem alternativas, sem trabalho, sem segurança, protecção ou futuro. Mesmo assim, ainda um passo atrás do declínio do império americano. Convém estimá-la.

Miguel Guedes

A quem nos quer tratar da saúde

A 26 de Abril, cravos já cansados na sua relativa liberdade, contas de subtrair: são 5 os anos que separam as comemorações dos 40 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) das comemorações dos 45 anos da Revolução de Abril. Agora, as contas são feitas para dividir: são também 5 os anos que nos podem separar do fim do SNS. A nova Lei de Bases da Saúde, a ser debatida e votada ainda nesta legislatura, é a peça fulcral da visão e do que queremos para o país nas próximas décadas. A escolha far-se-á entre dotar a saúde de todos os meios que assegurem condições de tratamentos e cuidados universais e para todos ou, ao invés, esvaziar progressivamente o SNS de meios e recursos, entregando-o aos privados através de parcerias público-privadas (PPP) na gestão dos hospitais.