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Pedro Ivo Carvalho

Dar a cara pela Justiça

Por princípio, duvido sempre da bondade de qualquer decisão política aplicada à Justiça. Porque Portugal é o que sabemos e porque a impunidade ainda é diretamente proporcional à relevância mediática dos cargos públicos. Não é de estranhar, por isso, que os magistrados do Ministério Público tenham caído em cima da procuradora-geral da República quando Lucília Gago impôs uma diretiva que não apenas lhes retirava poder de decisão nos processos, como conferia à hierarquia a discricionariedade para deliberar sobre esses processos sob anonimato e sem justificação perante os pares ou o país, alterando ou revogando, inclusivamente, decisões anteriores. Basicamente, aquilo que a procuradora queria e agora travou (veremos se provisoriamente) era que os procuradores ficassem subjugados a tudo o que fosse determinado pelos chefes. Com a agravante de ninguém ficar obrigado a dar a cara por essas decisões.