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Pedro Ivo Carvalho

Constâncio, o dentro da lei

Vítor Constâncio rejeita ser o culpado. Mas a sua insistência em transformar-se na vítima é difícil de engolir. Compreende-se que o ex-governador do Banco de Portugal não se recorde, com um grau de detalhe que seria patriótico, de todos os episódios daquele verão quente de 2007, em que uma elite montada a cavalo no bem público (não é sempre assim?) gizou um plano para tomar de assalto um banco privado (BCP) na garoupa de um banco do Estado (CGD).

Pedro Ivo Carvalho

Nós, os lesados da corrupção

A estatística devia sossegar-nos. Afinal, a perceção dos portugueses sobre a corrupção está em linha com a média europeia. Estagnamos no índice da Transparência Internacional. Mas depois somos sacudidos pela outra realidade que não a dos números inspirados na lógica sensorial e que nos ecoa nos ouvidos com a cadência de um martelo pneumático. Não há semana que passe sem uma nova história sobre corrupção, um esquema ardiloso, um emaranhado de cumplicidades espúrias. Porque não parece haver tréguas possíveis nessa torrente incessante e circular em que emergem o tráfico de influências, o peculato, a participação económica em negócio e a fraude fiscal. Em todos estes comportamentos desviantes (vamos chamar-lhes assim), há um denominador comum: nós. Os lesados da corrupção. Vítimas involuntárias que assistem a tudo na bancada, lançando os cheques em branco com que os serventuários ocasionais do regime forram o caminho.

Pedro Ivo Carvalho

Se conduzir não deva

O Fisco pode. E pode muito. Assusta. E assusta muito. Cobra. E cobra muito. Só não sabíamos que o Fisco também adora dar espetáculo. E ontem deu muito, ao levar para a beira da estrada a sua deriva persecutória, transformando uma operação stop numa ação musculada de cobrança de dívidas e de penhora de viaturas. Tratando cidadãos potencialmente incumpridores como criminosos que urge encostar à parede ou mandar a pé para casa como castigo público.

Pedro Ivo Carvalho

Espanha, um país partido e com Vox

Espanha acorda hoje partida ao meio. Esta é a primeira conclusão a tirar do resultado das eleições legislativas mais importantes e participadas da História daquela democracia. A segunda, mais previsível, é a de que se confirmou não só a vitória do socialista Pedro Sánchez, como a necessidade que terá de promover uma coligação para governar, no âmbito da qual os independentistas poderão ser novamente a chave para um entendimento, gorada que ficou a possibilidade aritmética de um acordo natural com o Podemos ser suficiente para alcançar a maioria absoluta. E a terceira conclusão, que pairava como um fantasma sobre grande parte da nação, é a de que a extrema-direita, protagonizada pelo Vox, não capitalizou eleitoralmente ao ponto de influir na esfera do poder, mas irrompe no Parlamento com uma força tremenda, ao ter sido capaz de eleger 24 deputados. A balança só não pendeu de forma mais notória para o partido de Santiago Abascal porque a forte mobilização do eleitorado favoreceu a Esquerda nos territórios que, há quatro anos, foram da Direita.