
O novo presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues (direita)
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O novo presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues (PSD/CDS/PPM), admitiu esta segunda-feira que poderá dar pelouros a membros das outras quatro forças políticas que elegeram vereadores mesmo sem que isso signifique formar maioria no executivo municipal, mas avisou que há "condições" a cumprir.
No final da primeira reunião de Câmara, que ficou marcada por uma proposta chumbada pela Oposição, João Rodrigues disse que vai começar na terça-feira a reunir com as outras forças políticas, embora se tenha escusado a dizer sobre com qual começará e se tem algum prazo limite para ter uma decisão, que espera que possa acontecer "nos próximos dias".
Em declarações aos jornalistas, o autarca reiterou que não põe de parte uma governação em minoria, apenas com pelouros distribuídos pelos três eleitos da coligação Juntos por Braga (PSD/CDS/PPM), mas garantiu que não "vive noutro mundo" e admitiu que "é mais confortável" saber que existe alinhamento para aprovar as propostas.
"Há uma semana [na tomada de posse], disse que iria falar com cada um dos primeiros eleitos dos partidos e movimentos que têm representação na Câmara Municipal de Braga e é isso que vou fazer a partir de amanhã [terça-feira]", adiantou.
"Quem é presidente sou eu"
João Rodrigues assegurou que não tem "resistência absolutamente nenhuma" a entregar pelouros a vereadores eleitos por outras listas, mas sublinhou que há "algumas características" pessoais e "algumas condições" que têm de ser cumpridas para que isso aconteça.
"Questões de seriedade, de capacidade de trabalho, daquela que serão as conclusões das conversas que vamos ter e, obviamente, de comprometimento com o projeto, porque há aqui algo de que não abdico e nunca vou abdicar enquanto for presidente da Câmara: a democracia funciona nos termos em que funciona e quem é presidente de Câmara sou eu, quem teve mais votos foi a coligação Juntos por Braga", salientou.
Segundo o autarca, se os programas eleitorais das diversas forças forem analisados, "praticamente nada é inconciliável".
Questionado sobre se as reuniões acontecerão apenas com os primeiros eleitos de cada lista, algo que já mereceu a discordância pública do movimento independente Amar e Servir Braga e da coligação PS/PAN, João Rodrigues reiterou que, "nesta fase", é esse o modelo que vai adotar.
"Não me preocupa, mesmo, governar em minoria. O meu objetivo aqui não é conseguir uma maioria, é falar com as pessoas e perceber quem é que está disponível para trabalhar. Se daí decorrer uma maioria, melhor", apontou.
Rui Rocha de fora
Também no final da reunião, os vereadores Pedro Sousa (PS/PAN), Ricardo Silva (Amar e Servir Braga) e Filipe Aguiar (Chega) disseram que não houve ainda contactos da parte da coligação Juntos por Braga, mas não colocaram de parte a possibilidade de conversar com João Rodrigues no sentido de poderem assumir pelouros, algo já rejeitado por Rui Rocha (IL).
"A minha posição foi sempre clara. Fiz uma campanha pela mudança, dizendo que Braga precisava de mudar, portanto, em coerência, eu serei um vereador da Oposição", disse o vereador liberal, garantindo que terá uma "posição construtiva". "Estou cá para ajudar o município, para ter boas decisões para os bracarenses. Serei assertivo, mas leal, exigente e rigoroso", garantiu Rui Rocha.
A coligação PSD/CDS/PPM venceu as eleições para a Câmara de Braga, mas sem maioria, tendo obtido três mandatos, tantos quantos a coligação PS/PAN e o movimento independente Amar e Servir Braga. O executivo integra ainda um vereador da Iniciativa Liberal e um do Chega.

