
Atriz Rita Cabaço integra elenco da série da RTP "Casa-Abrigo"
Foto: Divulgação RTP
Atriz de "Casa-Abrigo", Rita Cabaço espera que a minissérie, em exibição na RTP1, "possa aproximar as não vítimas das vítimas, e que esse reconhecimento aumente os níveis de consciencialização, empatia e responsabilidade social".
Esta segunda-feira, 3 de novembro, a RTP1 volta a exibir mais um episódio da minissérie "Casa-Abrigo", inspirada em histórias reais e que pretende mostrar o quotidiano de mulheres que escapam da violência doméstica para estruturas que devem conferir anonimato na fuga e, ao mesmo tempo, ajudá-las a reconstruir uma vida livre do perigo.
A atriz Rita Cabaço é Gabriela nesta produção assinada por Márcio Laranjeira, e que contou com a participação da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Ela dá corpo a uma das mulheres que saiu de uma relação violenta e tenta reerguer-se ao lado de outras, que carregam histórias parecidas.
Agora, a propósito da exibição da trama - que está disponível na íntegra na RTP Play -, a intérprete diz sentir "responsabilidade acrescida" por trabalhar este tema, que é "um assunto que continua a não ser tratado com a importância devida", critica.
Quais as maiores dificuldades sentidas para tratar esta temática?
Um tema como este requer sensibilidade e rigor na forma como é abordado. Saber que estamos a representar estas mulheres e a sua história acarreta uma responsabilidade acrescida porque é um assunto que continua a não ser tratado com a importância devida. A violência doméstica, é ainda um assunto negligenciado, continua muito presente no nosso país e a matar muita gente. Esta série é sobre a história de muitas pessoas reais que continuam a sofrer em silêncio. O desafio é que sejam representadas com a dignidade que as caracteriza para que quem as veja e se reveja possa encontrar, seja de que forma for, alguma ajuda.
Que tipo de reações têm sido recebidas face às primeiras apresentações deste trabalho?
Nesta série, é a violência doméstica que acaba por juntar estas mulheres naquela Casa-Abrigo, mas elas não são apenas aquilo que lhes aconteceu. Não é o trauma que as define e caracteriza, mas sim como se reinventaram depois disso. Quem são elas agora? É o que me parece mais interessante na série. Não estamos a assistir à agressão nem a dar foco ao agressor, mas sim a testemunhar a forma que encontraram para se reerguerem, juntas.

De que forma é que a série pode ajudar a 'mexer' com políticas e medidas que já existem no terreno sobre esta matéria?
Não sei se mudará alguma medida ou política sobre a matéria, mas espero que, ao abordarmos de uma forma honesta e aprofundada este crime, que é ainda hoje o mais cometido em Portugal, possa aproximar as não vítimas das vítimas, e que esse reconhecimento aumente os níveis de consciencialização, empatia e responsabilidade social.

