Lula da Silva quer "movimento nacional dos homens contra os animais que batem e maltratam mulheres"

Presidente do Brasil Lula da Silva quer acabar com violência contra as mulheres no país
Foto: Pablo Porciuncula / AFP
O presidente brasileiro endurece discurso contra femicídios e pede que homens se eduquem uns aos outros. Lula da Silva pronunciou-se sobre os casos recentes e extremamente duros de violência contra as mulheres e revelou que a mulher, Janja, pediu-lhe mais medidas para combater este crime no país.
O momento era de lançamento de novas obras de expansão de uma refinaria, no Recife, no Brasil, mas Lula da Silva tocou num outro tema que está a chocar o Brasil: a gravidade dos femicídios que se têm registado no país, nos últimos dias. O chefe de Estado exigiu que os homens tomem medidas muito concretas para impedir de os continuar a agredir e matar as mulheres.
"Queria fazer um discurso para nós, homens. O que está a acontecer na cabeça desse animal, que é tido como a espécie animal mais inteligente do planeta Terra, para tanta violência?", indagou Lula da Silva, detalhando que a mulher, Janja, e após vários episódios de extrema gravidade e mesmo letais, pediu-lhe para encetar uma "luta mais dura" para enfrentar a violência que está a ser exercida pelos homens contra mulheres, como avança a agência Brasil.
"Esta semana teve um que agarrou em duas pistolas e descarregou contra a mulher. Outro que matou a mulher grávida com três filhos, tocou fogo em casa. Outro ainda que atropelou a mulher e arrastou-a por um quilómetro. Essa mulher vai sobreviver com as duas pernas amputadas. A pergunta que eu faço é a seguinte: o Código Penal brasileiro tem pena para fazer justiça a um animal irracional como esse?", acrescentou o presidente brasileiro no mesmo discurso.
Lula da Silva considera que os homens "têm de ser professores uns dos outros". "Cada um de nós tem de educar os nossos filhos, os nossos companheiros", referiu, pedindo: "Se não está bem com sua companheira, por favor, seja grande, não lhe bata, separe-se dela. Se ela não gosta de si, ela não é obrigada a ficar consigo, deixa-a cuidar da vida dela. Não aprisione essa pessoa, não seja malvado, não seja ignorante. Porque, pensando bem, não existe pena para punir um cara desse, porque até a morte é suave. É preciso que haja um movimento nacional dos homens, contra os animais que batem, que judiam, que maltratam as mulheres", afirmou o chefe de Estado.
O presidente afirmou que, a partir de agora, ele próprio irá estar "num movimento dos homens que vão começar a consciencializar este país para deixar claro que o homem não nasceu para bater nas mulheres, para violar crianças ou fazer violência". "Levante a mão quem está comigo nessa luta. Vamos fazer uma campanha forte", exortou.

