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Major da GNR acusado de tortura diz que é ele a vítima

Major da GNR acusado de tortura diz que é ele a vítima

O major da GNR condenado a quatro anos e meio de prisão efetiva por torturar criminosos detidos e algemados, diz-se vítima da pressão europeia sobre Portugal.

"A minha condenação surgiu num momento conveniente", referiu Carlos Botas ao JN, acrescentando que "a subserviência nacional, a nossa síndrome do bom aluno, estão-nos no sangue", acrescentou o Major, acusado de tortura quando comandava uma unidade no Alentejo, em 2011.

O militar refere-se ao relatório do Comité para a Prevenção da Tortura e Maus-Tratos que colocou Portugal no topo dos países cujas forças policiais utilizam violência excessiva e até racismo. O relatório surgiu dois meses antes da primeira condenação de Carlos Botas pelo Tribunal de Setúbal, em abril de 2018, pena que seria confirmada em novo acórdão, no mês passado, tal como o JN noticiou.

Botas culpa ainda a má relação com uma procuradora de Setúbal, que não é diretamente interveniente neste processo e com quem tem "um desentendimento desde 2011" por o caso ter chegado ao tribunal. Sobre a condenação, arrasa os depoimentos dos ofendidos, considerados pelos juízes "isentos, coerentes, relatados de forma precisa, com uma postura serena, claros, objetivos e factuais".

"Quanto à questão da suposta faca [usada nas agressões], um dos ofendidos refere que foi uma faca do mato com serrilhas, outro refere uma faca articulada, outro refere que um deles tinha um canivete da marca Opinel no bolso e outro não ter visto faca nenhuma".

O major disse ainda que estava uniformizado e usava um carro da GNR, estranhando que tenha sido "dado como provado que me fazia deslocar numa viatura de cor preta e trajando roupa também da mesma cor".

"Temos portanto a faca do Rambo, o carro do Batman e o chicote do Indiana Jones", ironiza. "E por acaso foi apreendido aos detidos haxixe", acrescenta

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