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1952 - 2022

"Sou um poderoso fraco" e outras frases marcantes de Rendeiro

"Sou um poderoso fraco" e outras frases marcantes de Rendeiro

O ex-banqueiro João Rendeiro, condenado em Portugal por vários crimes financeiros, foi encontrado morto, esta sexta-feira, na prisão sul-africana onde estava detido, em Durban. Recorde algumas das frases mais polémicas e marcantes na história recente do antigo administrador do BPP.

Em setembro de 2021, depois de ter sido condenado a mais três anos e seis meses de prisão num processo por crimes de burla qualificada, João Rendeiro comunicou à justiça que tinha fugido do país, sem intenção de regressar para cumprir a pena. Antes, já tinha sido punido com cinco anos e oito meses de cadeia por ter, entre 2002 e 2008, omitido a real situação financeira do BPP, e a outros dez por ter, no mesmo período, desviado 13,6 milhões de euros do banco para a sua esfera pessoal, num processo que visou também Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital.

Fundador do "banco dos ricos", como ficou conhecido o BPP, e acusado pela sua queda, Rendeiro acabaria por ser detido pelas autoridades a 11 de dezembro, num hotel na África do Sul, tendo sido transferido, dois dias depois, para a prisão de Westville, em Durban, - um estabelecimento prisional que alberga cerca de 14 mil prisioneiros e que foi notícia várias vezes por esfaqueamentos de guardas, lutas entre reclusos e consumo de drogas. Apenas um dia depois de Rendeiro ter dado entrada na cadeia, a advogada June Marks disse que ia pedir transferência para outra cadeia, face a ameaças de morte de outros reclusos, mas o juiz desvalorizou os pedidos da defesa e João Rendeiro continuou preso em Westville, onde foi encontrado morto esta manhã. Nesse mesmo dia, 14 de dezembro, à saída do Tribunal de Verulam, o ex-banqueiro teve apenas uma frase para os jornalistas: "Eu não vou voltar a Portugal".

A posição já tinha sido manifestada antes, mais do que uma vez. Em setembro, numa publicação no seu blogue "Arma crítica": "No decurso dos processos em que fui acusado efetuei várias deslocações ao estrangeiro, tendo comunicado sempre o facto aos processos respetivos. De todas as vezes regressei a Portugal. Desta feita não tenciono regressar. É uma opção difícil, tomada após profunda reflexão." E em novembro, numa entrevista à CNN: "Só volto a Portugal se for ilibado ou com indulto do presidente [da República]."

Na mesma ocasião, falando por videochamada com o jornalista Júlio Magalhães, Rendeiro disse-se injustiçado e comparou a sua situação com a de Ricardo Salgado, que considerou ser "protegido pelo sistema" e disse seguir "com a sua vida tranquila em Lisboa". "Como nunca paguei nada a ninguém e não tenho segredos de Estado, sou um poderoso fraco", asseverou, criticando a Justiça portuguesa por ter "dois pesos e duas medidas".

Num comunicado divulgado em 2010, dois anos depois do início da crise de 2008 que levou ao colapso das instituições financeiras, João Rendeiro assumiu erros na gestão do banco, mas recusou ser "bode expiatório" por culpas que disse não ter. "Terei seguramente cometido erros. Mas não admito que me atribuam responsabilidade que não tive, me transformem em bode expiatório de terceiros ou que desconsiderem o facto de, na origem dos problemas do BPP, ter estado a mais grave e imprevisível crise dos mercados financeiros dos últimos 80 anos e que ninguém - nem o Presidente da Reserva Federal Americana - conseguiu prever na sua extensão e efeitos".

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