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Relatório de 2005 defendia encerramento da refinaria de Matosinhos

Relatório de 2005 defendia encerramento da refinaria de Matosinhos

Um relatório de 2005, elaborado por um grupo de missão liderado por Murteira Nabo, já concluía que a Galp deveria equacionar o encerramento da refinaria da Petrogal em Matosinhos, a partir de 2010.

Depois de entregar o relatório ao ministro do Ambiente, Murteira Nabo afirmou que o volume de investimentos necessário para cumprir novos requisitos ambientais e de segurança, as tendências futuras do mercado e as desvantagens estruturais do complexo justificavam tal opção.

Apesar de concluir que, a curto e médio prazo, não havia razões económicas, ambientais ou de segurança para encerrar a estrutura industrial, Murteira Nabo lembrou os vários constrangimentos que afetam a refinaria: dimensão reduzida e com uma configuração pouco rentável, más condições atmosféricas que impedem os navios de atracar em determinados períodos, perda de rentabilidade que os investimentos em segurança e ambiente implicariam e, po rúltimo, a "previsível" redução das margens de lucro na refinação. Por estes motivos, o economista defendia que apenas a plataforma logística fosse mantida em Matosinhos, dada a sua importância estratégica: cerca de 40% do consumo nacional era abastecido por aquela estrutura.

O ministro sublinhou a qualidade do trabalho feito pela equipa de estudo, garantiu que o Executivo iria analisar o documento, mas recusou-se a adiantar prazos para uma tomada de posição definitiva sobre a matéria, uma vez que o estudo não era vinculativo.

O grupo de missão liderado por Murteira Nabo foi constituído na sequência de um acidente ocorrido em julho de 2004, quando, durante trabalhos de substituição de condutas, ocorreram duas explosões seguidas de um incêndio. O acidente provocou 32 feridos. Na altura, uma primeira comissão de inquérito intergovernamental atribuiu o sucedido a incúria da petrolífera nos procedimentos de segurança.

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A própria empresa admitiu algumas falhas e, devido à importância da refinaria, o Governo de Santana Lopes decidiu criar uma "estrutura de missão" para avaliar a sua viabilidade. Dela fizeram parte, além de Murteira Nabo, o então primeiro presidente da Galp Energia, Ban-deira Vieira e o professor universitário Fernando Santana.

SUGESTÕES

O relatório de Murteira Nabo recomendava que a Galp analisasse a possibilidade de instalar uma unidade de cogeração em Matosinhos. Tal estrutura utilizaria gás natural, reduzindo as emissões de poluentes, e poderia ser utilizada no futuro mesmo com um eventual encerramento da componente industrial da refinaria.

O grupo de estudo aconselhava que fossem estudadas formas de reduzir o tráfego de camiões-cisterna na proximidade da refinaria. Na altura, 650 desses veículos transitavam, por dia, nas imediações do complexo. Um nova central de enchimento, a alguns quilómetros de distância, poderia ser a solução.

O documento salientava que a Galp Energia, face à possibilidade de encerramento a prazo devia identificar as ações a desencadear, sobretudo em Sines, para não perde a competitividade ibérica. Devia ainda ser elaborado um programa detalhado de contingência, para que um eventual fecho da componente industrial da refinaria se efetuasse nas "melhores condições operacionais, financeiras e sociais".

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