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Método inovador cura mulher com sida

Método inovador cura mulher com sida

Uma equipa de cientistas parece ter curado uma terceira pessoa com o vírus HIV, usando um novo método de transplante de células estaminais, que abre a possibilidade de curar mais pessoas de diversas origens raciais.

A paciente foi tratada com um novo método que envolvia sangue do cordão umbilical, que existe em maior quantidade do que as células estaminais frequentemente usadas em transplantes de medula óssea e não precisa de ser tão compatível com o destinatário. A maioria dos doadores de medula é de origem caucasiana, por isso, permitir tratamento apenas com uma correspondência genética parcial pode ajudar a curar dezenas de pessoas de outras etnias com HIV e cancro por ano.

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"Estimamos que existam aproximadamente 50 pacientes por ano nos EUA que poderiam beneficiar deste procedimento", disse Koen van Besien, um dos médicos envolvidos no tratamento, segundo o jornal britânico "The Guardian". "A capacidade de usar enxertos de sangue de cordão umbilical parcialmente compatíveis aumenta muito a probabilidade de encontrar doadores adequados para esses pacientes".

Segundo os cientistas, que apresentaram as descobertas na terça-feira, a mulher, que foi diagnosticada com HIV em 2013 e leucemia quatro anos depois, recebeu, em 2017, sangue do cordão umbilical de um doador parcialmente compatível - em vez da prática típica de encontrar um doador de medula óssea de etnia semelhante. Além disso, recebeu uma transfusão de sangue de um parente para dar ao corpo defesas imunológicas temporárias durante o transplante.

A paciente optou por descontinuar o tratamento antirretroviral - que controlava a HIV - 37 meses após o transplante. Mais de 14 meses depois, não mostra sinais do vírus em exames de sangue e não parece ter anticorpos detetáveis.

Dois homens curados com transplante de medula óssea

Medicamentos antirretrovirais conseguem controlar o HIV, mas ainda não apresentam uma cura. Um transplante de medula óssea não é uma opção realista para a maioria dos pacientes, uma vez que estes procedimentos são altamente invasivos e arriscados, sendo geralmente oferecidos apenas a pessoas com cancro que já esgotaram todas as outras opções.

Até agora, há apenas dois outros casos conhecidos de uma infeção por HIV curada. Em 2008, Timothy Ray Brown, conhecido com "O Paciente de Berlim", foi curado e permaneceu livre do vírus durante 12 anos até morrer de cancro em 2020. Em 2019, outro paciente, mais tarde identificado como Adam Castillejo, ficou curado do vírus, confirmando que o caso de Brown não foi um acaso.

Ambos receberam transplantes de medula óssea de doadores que tinham uma mutação que bloqueia o HIV. A mutação foi identificada em apenas cerca de 20 mil doadores, a maioria dos quais descendentes do norte da Europa.

Quando os transplantes de medula óssea substituíram todo o seu sistema imunológico, os dois homens sofreram efeitos colaterais, incluindo uma condição na qual as células do doador atacam o corpo do recetor. Brown quase morreu após o transplante. O tratamento de Castillejo, por seu lado, foi menos intenso, mas, no ano seguinte ao transplante, perdeu quase 70 quilos, desenvolveu perda auditiva e sobreviveu a múltiplas infeções.

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