
Almirante não revelou se vai apoiar algum candidato na segunda volta
Foto: José Sena Goulão/Lusa
Quarenta anos depois de Ramalho Eanes, não se repetiu a entrada de um militar no Palácio de Belém. Henrique Gouveia e Melo não foi além do quarto lugar, com 12,34% (mais de 600 mil votos). No discurso de derrota, garantiu continuar "disponível para servir Portugal".
Às 22.17 horas, chegou o almirante à sala onde o esperavam os apoiantes, no Hotel Corinthia, em Lisboa. O candidato derrotado, que disse ter felicitado os dois candidatos que passaram à segunda volta, afirmou ter concorrido "em consciência", num "contexto de grande instabilidade internacional", acreditando que poderia "dar um grande contributo ao serviço de Portugal e dos portugueses".
"Os resultados não corresponderam ao que esperei, assumo com serenidade e respeito pela vontade democrática dos portugueses", atirou o almirante, que mostrou "grande satisfação" pelo facto de o movimento que liderou ter "conseguido congregar pessoas de espectros políticos muito distintos". Gouveia e Melo agradeceu ainda aos "mais de 600 mil portugueses" que lhe confiaram o voto, e garantiu: "Continuarei disponível para servir Portugal". O candidato, que considerou ser ainda "prematuro" indicar a sua intenção de voto para a segunda volta, defendeu que não deveriam ser divulgadas sondagens "no período que antecede o ato eleitoral".

Foto: José Sena Goulão/Lusa
Rio não revela voto
Numa sala onde escasseavam figuras notáveis da política, não faltou Rui Rio, ex-líder do PSD e mandatário da candidatura. "Quando nos metemos nisto não era para perder. Mas eu tinha consciência que não havendo um aparelho partidário seria muito mais difícil. Havendo muitas candidaturas, isso polarizou os votos. Isto foi uma espécie de legislativas", disse o ex-líder do PSD, que falou numa "mudança significativa no panorama político português".

Isabel Meireles, Rui Rio e Mário Ferreira aplaudem o almirante. (Foto: José Sena Goulão/Lusa)
Também Rui Rio se mostrou contrário à divulgação de sondagens durante o período de campanha eleitoral, e considerou que "o almirante foi prejudicado pelas sondagens". Apesar da insistência dos jornalistas, o social-democrata recusou revelar em quem vai votar na segunda volta, não tendo ainda decidido se vai tornar pública a sua escolha. "Temos de ter no Palácio de Belém alguém que seja independente e equidistante, para ter a coragem de fazer as reformas que são necessárias", assinalou ainda.
Gouveia e Melo chegou ao Hotel Corinthia às 19.04 horas, sozinho, com os braços no ar e sorriso aberto. "Estou confiante", disse, ainda que as sondagens indicassem que não deveria passar à segunda volta. "Vamos esperar pelos resultados", atirou, quando confrontado com a possibilidade de derrota. Questionado sobre o que se segue para o homem que deixou a carreira militar para assumir o desafio de se candidatar ao mais alto cargo da nação, Gouveia e Melo mostrou-se contido: "Farei o que os portugueses quiserem. Tenho dois planos: um é continuar, outro é dedicar-me à minha vida privada".
Juventude em peso
Militante do PSD
Entre os jovens apoiantes estava Simão, de 21 anos. "Esperava um bocadinho melhor", atirou o estudante, natural de Famalicão. "Decidi apoiar o almirante pela sua competência e personalidade".
Acreditar até ao fim
Vitória, também com 21 anos, mantinha a confiança em alta: "Na política tem de se acreditar até ao fim", ainda atirou a estudante, natural de Benavente e também militante do PSD.

