
Comunicadora teve o diagnóstico no início de 2021
DR
Para uma sobrevivente de cancro da mama, há sempre a ansiedade inerente após o tratamento. Joana Cruz, 41 anos, locutora de rádio, mostrou todo o processo nas redes sociais desde janeiro de 2021, quando assumiu publicamente a doença. Sempre com um sorriso.
Desde o diagnóstico até ao fim dos tratamentos de quimioterapia e à cirurgia, foram vários os momentos partilhados. É um dos rostos da campanha de sensibilização da Sociedade Portuguesa de Senologia, chamada "Viver Depois do Cancro da Mama".
O que é essencial para quem supera um cancro?
Acredito que o acompanhamento de todo o núcleo que envolve uma sobrevivente seja importante. Família, amigos, entidade empregadora. Tudo faz parte de um universo que deve estar atento para que a vida volte a ser o mais normal possível e as coisas regressem à sua tranquilidade com ainda maior bem-estar da pessoa.
As pessoas que a contactam sentem alguma lacuna no acompanhamento pós-cancro?
Felizmente muitas mensagens são de mulheres que dizem "já passou" e essa alegria sente-se. Não tenho noção se haverá dificuldades nesse acompanhamento, mas a vitória perante a doença é o melhor recomeçar. Depois, serão sempre postas na mesa as naturais ansiedades nos exames de rotina.
Pessoalmente, como tem sido a vida após o tratamento da doença?
Tem sido bem agitada, com um desconfinamento bem ativo num regresso às rotinas profissionais e de convívios. Tem sido ótimo, com muitos planos a serem feitos para aproveitar ao máximo esta comemoração.
Durante os tratamentos, nunca ponderou resguardar-se?
Desde o primeiro minuto em que decido comunicar, que senti que foi a melhor opção. Não só para justificar uma ausência profissional, mas para mostrar que era de carne e osso. No seguimento desta experiência, ainda mais força senti ao perceber que podia mostrar que uma doença tão associada a uma carga tão pesada poderia ser encarada de forma mais leve e, sobretudo, vivida de forma mais leve, quer por mim, quer por aqueles que me rodeiam.

