
Marques Mendes quis assumir sozinho a responsabilidade pela derrota
Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
Na hora de assumir a derrota, Marques Mendes ilibou o primeiro-ministro e a governação dos dois partidos que apoiaram formalmente a sua candidatura: "a responsabilidade é minha, toda minha e apenas minha", declarou, revelando que não apoiará ninguém na ronda final.
No fim da noite, recebeu um abraço de Luís Montenegro que, depois de também ter anunciado que "o PSD não estará envolvido na campanha" da segunda volta, foi ao hotel onde Mendes montou o quartel-general.
"Não vou fazer o endosso dos votos que me foram confiados. Tenho a minha opinião pessoal. Mas, enquanto candidato, não sou dono dos votos. Cada um dos que votaram em mim decidirá de acordo com a sua liberdade e consciência", disse, numa curta declaração. Antes de descer, soube-se que tinha ligado a António José Seguro.
Alinhados no discurso
A posição estava alinhada com Luís Montenegro que, imediatamente depois, fez a declaração na sede do partido, afirmando que o espaço político do PSD não estará representado na segunda volta e, por isso, o partido não participará mais nestas presidenciais. Correu depois a informação de que o primeiro-ministro iria ao local que acolheu a noite eleitoral de Mendes. Não sem antes o candidato ter deixado claro que assumia sozinho a culpa pelo mau resultado, apesar do apoio formal que recebeu do PSD e do CDS-PP.
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Quando oscilava entre o quarto e o quinto lugar, apareceu para uma declaração que durou cerca de cinco minutos, acompanhado pela mulher e por Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e da Coesão Territorial.
Recebido com aplausos pelos apoiantes, disse ter tomado a decisão de se candidatar a Belém após "uma reflexão pessoal, cívica e política e depois de mais de 40 anos de vida pública". "Esta candidatura foi minha e assumo por inteiro a responsabilidade por este resultado", referiu. "Esta candidatura, como disse, só a mim responsabiliza. Mas só foi possível com a ajuda de muitos ao longo de todo o país, pessoas do PSD e do CDS, pessoas independentes e sem partido", reconheceu, porém.
Sem ressentimentos
Além disso, assegurou que não guarda ressentimentos. "Não fico amargurado, não fico ressentido. Não guardarei qualquer mágoa ou rancor. Gosto muito do meu país, honrou-me muito servi-lo e honrou-me muito ser candidato a presidente da República", prosseguiu o antigo líder do PSD.
Montenegro chegou pouco depois da sua declaração na sede social-democrata para "dar um abraço" ao candidato. Chegaram também vários ministros, como Leitão Amaro, Pinto Luz e Paulo Rangel. O chefe do Governo entrou no hotel por volta das 21.50 horas, com Leonor Beleza, primeira vice do PSD e presidente da comissão de honra da candidatura de Mendes. Hugo Soares, secretário-geral do PSD, também esteve presente.
Montenegro acabou por sair discretamente pela garagem. Quem acompanhou desde o início a noite eleitoral foi Rui Moreira, mandatário nacional.
À margem
O mais votado em Fafe
Marques Mendes foi o candidato mais votado no concelho de Fafe, onde cresceu, conseguindo 31,23% dos votos, de acordo com os resultados provisórios de todas as freguesias.
Poiares com Seguro
Miguel Poiares Maduro, apoiante de Mendes presente na noite eleitoral, revelou que vai votar em Seguro na segunda volta, considerando que seria "mais importante" para o PSD do que Ventura.

