Revolta e apelo a respostas: candidatos presidenciais reagem a mortes à espera de socorro

Foto: Leonel de Castro/Arquivo
O candidato presidencial António José Seguro manifestou-se, esta quinta-feira, revoltado e indignado com os casos na saúde "todos os dias", exigindo resultados mas sem se intrometer na questão da governação, que deixa para os partidos.
"Com indignação e revolta. Quer dizer, agora é todos os dias? Em Portugal as pessoas sabem que um dia, mais cedo ou mais tarde, vai haver uma doença, mas precisam ter cuidados de saúde a tempo e horas. Agora começa a haver o medo de se adoecer, porque significa muitas dúvidas se pode haver socorro, se pode haver uma emergência", disse Seguro quando questionado sobre mais um caso de uma morte por alegada falta de assistência médica.
Para Seguro, a situação na saúde é "inaceitável" e "alguém tem que pôr cobro a isto", reiterando que, como presidente da República será exigente e esta será a sua causa, acrescentando que, "como candidato a presidente da República", exige resultados. "Isso é um assunto dos partidos. Enquanto presidente da República, tratarei diretamente desse assunto com o Primeiro-Ministro", respondeu o candidato quando questionado se a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, tem condições para resolver a situação.
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Perante a insistência dos jornalistas sobre as condições da ministra para se manter no cargo, "isso é um assunto que deve ser discutido diretamente" entre si e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, caso Seguro seja eleito. "A lealdade institucional significa ter uma reunião com o primeiro-ministro. E o meu foco não tem a ver com A ou com B, com mudança de B ou de C. O meu foco é que se encontrem soluções para resolver estes problemas", apontou.
Para Seguro, os casos na Saúde são a prova de que "é o Estado a abrir brechas" e fendas. "Esta história do passa culpas não é comigo. Eu estou concentrado em encontrar soluções para se resolver os problemas dos portugueses", reiterou.
Segundo o candidato apoiado pelo PS, "as medidas rápidas dão estes resultados". "Nós não precisamos de medidazinhas. Nós precisamos é de soluções duradouras e precisamos de compromissos. Há uma urgência. Os portugueses têm que ter acesso à saúde até em pioras. Às consultas, ao socorro, à emergência, às intervenções cirúrgicas", asseverou.
Direção executiva do SNS "desaparecida em combate"
O candidato presidencial Marques Mendes defendeu que devem ser dadas explicações sobre mortes alegadamente devido a atrasos no socorro, em primeiro lugar pela direção executiva do SNS, que acusou de "estar desaparecida em combate".
"São, é tudo de facto bastante chocante (...) Eu espero e desejo que alguém de responsabilidade venha no mínimo explicar esta situação", afirmou, apontando diretamente à direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS). "Anda desaparecida em combate. Eu nunca fui favorável à criação da direção executiva do SNS, expliquei que não era propriamente uma grande ideia, há uns anos atrás. Mas ela foi constituída, e foi constituída para ter atividade, iniciativa, ação, mas ninguém a vê a abrir a boca, a dar uma explicação, a fornecer um esclarecimento", disse.
Questionado se a ministra da Saúde não deveria também dar explicações, o candidato admitiu que sim. "Acho que sim. Acho que se entender, sim. Acho que, em primeiro lugar, a direção executiva do SNS, porque no momento em que foi criado o SNS, passou a ter a responsabilidade desta situação", afirmou.
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Sobre Ana Paula Martins, o candidato começou por dizer que "um presidente da República não existe nem para avaliar ministros, nem para pedir a demissão em público de ministros". "A minha coerência disse sempre isso. Eu não vou andar a mudar de opinião. Agora, há responsabilidades, mas a primeira responsabilidade é dar uma explicação, é fornecer um esclarecimento. E eu insisto nisto, onde é que está a Comissão Executiva do SNS? Onde está?", criticou.
Marques Mendes salientou que as pessoas à frente da direção executiva, liderada pelo antigo deputado do PSD Álvaro Almeida, "até são capazes". "Mas esta atitude de, perante uma situação trágica, duas situações trágicas, não haver qualquer palavra, acho que é até de algum sentido de desumanidade. Não fica bem", criticou.
O candidato presidencial referiu que ninguém sabe "exatamente as circunstâncias, as razões que originaram estas duas mortes". "Qualquer português de bom senso e com sentido de humanidade, perante estas situações que seguramente são diferentes e lamentáveis, querem que algum responsável, que tem que ser a direção executiva do SNS, venha a público", afirmou.
Questionado se, caso fosse presidente da República, chamaria o primeiro-ministro a Belém, Mendes reiterou que apelaria a explicações públicas de algum responsável. "Não é preciso chamar o primeiro-ministro, é apenas falar com o Governo. O Presidente da República tem de ser firme, tem de ser exigente a pedir explicações, informações, esclarecimentos, junto do país", afirmou.
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Cotrim Figueiredo pede respostas rápidas
O candidato presidencial João Cotrim Figueiredo afirmou que são precisas "respostas e esclarecimentos rápidos" por parte do Governo. "Acho que este é o género de situação que exige respostas e esclarecimentos rápidos e só há duas explicações possíveis para uma demora tão grande ou ainda há o apuramento de factos ou circunstâncias que possam justificar isto, que parece difícil de justificar, ou há um embaraço tão grande que estão a encontrar a melhor forma de politicamente gerar esta situação", considerou o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal. Nenhuma das duas hipóteses é uma boa explicação, acrescentou.
"Acho que não só as pessoas que dependem do serviço do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), como sobretudo estas famílias que ficaram enlutadas por causa destas tragédias, mereciam uma resposta um pouco mais rápida", opinou.
"Eu não gosto de pedir a cabeça de ninguém, já ontem o referi, e, neste caso, só acho que há uma falta de condições políticas se se confirmar que esta não renovação do contrato foi precedida de um aviso das entidades no terreno que isso poderia conduzir à falta de veículos de emergência", vincou.
