Graça Freitas

"Casos em investigação" para despistar nova variante em Portugal

"Casos em investigação" para despistar nova variante em Portugal

A diretora-geral da Saúde admitiu que a nova variante ómicron pode já ter chegado a Portugal, mas assegurou que não há casos confirmados. A DGS aguarda o parecer final sobre a vacinação de crianças e quer imunizar meio milhão de pessoas por semana.

Graça Freiras confirmou, este sábado, que, "até à data, não foi detetado nenhum caso" da nova variante, cujo elevado grau de mutações está a gerar preocupações entre a comunidade científica, ressalvando que isso não significa que as autoridades de saúde não estejam "à procura".

"Neste momento há casos em investigação. Não pode dizer-se que são casos suspeitos, são casos que estão a ser investigados", fez saber a diretora-geral da Saúde, em visita a um centro de vacinação em São Domingos de Rana, Cascais, detalhando que as situações em causa se referem a pessoas que vieram da África Austral, o epicentro da nova variante, inicialmente identificada na África do Sul e entretanto detetada também no vizinho Botsuana, em Hong Kong, Israel, Bélgica e Reino Unido (na Alemanha, há um caso suspeito).

Os casos sinalizados foram detetados em Lisboa "mas pode, a qualquer momento, surgir um alerta de outra parte do país", apontou a diretora-geral da Saúde, que apelou a quem tenha regressado recentemente da África Austral e de Angola que se dirija a uma farmácia e faça um teste rápido de antigénio. "Se o teste for positivo entram automaticamente no sistema e são encaminhados pelo SNS e acompanhados por médicos", indicou, explicando que quando um médico ou uma autoridade de saúde deteta uma situação "que pode ser de risco", o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) é avisado e "entra em ação para poder fazer a identificação genómica da nova variante".

"É óbvio que estamos preocupados", afirmou a responsável, lembrando que a variante foi classificada pela Organização Mundial da Saúde como sendo "de preocupação".

DGS aguarda parecer final sobre vacinação das crianças

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Questionada pelos jornalistas sobre a notícia deste sábado do "Expresso" que revela que os peritos de um dos grupos de trabalho da Direção-Geral da Saúde se posicionaram contra a vacinação generalizada das crianças dos cinco aos 11 anos, Graça Freitas disse que a DGS aguarda o parecer final da comissão técnica.

"A Comissão de peritos de pediatria e saúde infantil é apenas uma comissão consultiva. É no parecer final que a DGS vai fazer o seu parecer e recomendação para a tutela", esclareceu.

Meio milhão de vacinas por semana é objetivo

O responsável pelo núcleo de coordenação do plano de vacinação contra a covid-19, o coronel Carlos Penha Gonçalves, que acompanhou Graça Freitas na visita desta manhã, apontou o objetivo de atingir uma capacidade de inoculação de meio milhão de pessoas por semana.

"Neste momento temos 304 centros de vacinação a funcionar e estamos a planear, com as câmaras municipais, com as administrações regionais de saúde, onde é que é preciso ter mais centros de vacinação. A capacidade que queremos ter, total, é de 500.000 pessoas por semana. É essa a capacidade que estamos a planear neste momento e depois irá ser aumentada, consoante as necessidades", disse o responsável.

Também questionado sobre a eventual chegada a Portugal da nova variante Carlos Penha Gonçalves sublinhou a atual prioridade em "vacinar pessoas mais frágeis que podem estar a perder imunidade e que precisam de ser protegidas neste inverno". "Não nos vamos distrair com outras coisas neste momento", reforçou.

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