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Rosário Gamboa

À deriva 

A minicimeira europeia preparatória, dedicada à migração e ao asilo, foi um sinal ilustrativo da incapacidade da governação europeia: esteve quem quis, pois não há política comum naquela que é hoje a questão mais estruturante da UE, nem capacidade para impor o cumprimento de regras e tratados aos respetivos estados-membros. Pelo contrário, a postura frouxa da Comissão tem favorecido quem não cumpre deveres, como o de socorro e asilo, consagrado no Direito Internacional e nos critérios que postulam as condições de adesão de um país à UE.

Rosário Gamboa

A desigualdade que persiste…

Ter um curso superior garante um trabalho com melhor salário. Mas há um fator capaz de perturbar esta realidade feliz. Se for uma mulher, para igual trabalho realizado por um homem, o salário será diferente podendo a diferença atingir, em Portugal, os 600 euros mensais, se no exercício de lugares executivos ou de direção. Estes são, entre outros, os números revelados pelo estudo Igualdade de Género ao longo da Vida, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, coordenado pela socióloga Anália Torres, apresentado esta segunda-feira.

Rosário Gamboa

A sombra

A corrupção é endémica às sociedades humanas. Procura o reforço do poder e a sua distribuição segundo interesses pessoais que não cabem no crivo ético das sociedades democráticas. Por natureza, a corrupção não conhece regimes políticos ou partidos, mas vive plena e serenamente nos regimes ditatoriais, nas sociedades oligárquicas onde o poder se concentra e organiza a partir dos ditames de um mesmo partido, grupo(s) ou família(s). Todos conhecemos estes modelos do nosso passado, ou do presente, dominantes em muitos países do globo. Por definição, o ADN das democracias é incompatível com o uso abusivo do poder: exige regras, critérios que o Estado de direito estipula; exige vigilância e escrutínio por parte dos órgãos de soberania e da sociedade em geral.

Rosário Gamboa

Mulher

Nascer mulher continua a ser um fator de risco acrescido na maior parte do Mundo. O Livro Negro da Condição das Mulheres** traz-nos de forma simples e abrangente a realidade da violação dos direitos humanos em vários locais do Mundo e como a sua transgressão se concretiza, de modo atroz, sobre as mulheres: o infanticídio de meninas na Índia, Paquistão, China...; o feminicídio no México e na Guatemala; a excisão do clitóris, o estupro como prática banal ou arma de guerra, o tráfico humano onde o trabalho escravo e a prostituição alimentam um negócio em expansão, o turismo sexual e exploração de crianças e adolescentes.