Óbito

Morreu o humorista e escritor brasileiro Jô Soares

Morreu o humorista e escritor brasileiro Jô Soares

O escritor e humorista Jô Soares morreu, esta sexta-feira, aos 84 anos. Estava internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Jô nasceu José Eugénio Soares, a 16 de janeiro de 1938, no Rio de Janeiro. Foi humorista, apresentador de televisão, escritor e ator. Morreu em São Paulo, esta sexta-feira de madrugada, aos 84 anos.

O óbito do humorista foi confirmado pela ex-mulher Flávia Pedra, numa mensagem na rede social Instagram, esta sexta-feira de madrugada no Brasil, manhã em Portugal. "Faleceu há alguns minutos o ator, humorista, diretor e escritor Jô Soares. Nos deixou no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, cercado de amor e cuidado", escreveu.

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Flávia Pedras, terceira mulher de Jô Soares, entre 1987 e 1988, sublinhou que as cerimónias fúnebres serão reservadas à família e aos amigos próximos.

O menino que queria ser diplomata

O primeiro programa em nome pessoal foi o "Viva o Gordo", em 1981, que definiu muito do que era o comediante e ator. E também enquanto pessoa. O programa deu origem, depois, ao espetáculo "Viva o Gordo, Abaixo o Regime", uma sátira à ditadura militar que vigorava no Brasil desde o golpe de 1964.

O homem que queria ser diplomata quando era criança apresentou depois o "Veja o Gordo", no canal Recorde, em 1988, ano em que começou com o "Jô Soares Onze e meia", no ar na SBT, até 1999. No ano seguinte, arrancou o "Programa do Jô", que durou até 2016.

Enquanto escritor, Jô Soares publicou quatro livros em nome pessoal. Começou com "O Xangô de Baker Street", em 1995, um policial cómico com um "Sherlock" sul-americano, e seguiu, três anos depois, com "O Homem que Matou Gettúlio Vargas", uma comédia que conta a história de Dimitri Borja Korozec, um assassino profissional que priva com diversas figuras históricas entre o fim do século XIX e a primeira metade do século XX.

Em 2005 Jô Soares publicou o livro "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras", rimance que aborda uma série de assassinatos na associação que lhe dá o nome. Em 2011 saiu para as banca a obra "As Esganadas".

Na vida pessoal, Jô Soares foi casado com a atriz Therezinha Millet Austregésilo, entre 1959 e 1979, com quem teve o único filho, Rafael Soares, falecido em 2014. Foi também casado com a atriz Sílvia Bandeira, entre 1980 e 1983, e fez uma das parelhas mais conhecidas dos anos 80 do século passado, quando namorou com a atriz Cláudia Raia.

Marcelo Rebelo de Sousa recorda Jô Soares

No Brasil, sucedem-se as reações. "Meu Deus o mundo sem você.... Meu amado amigo , diretor, conselheiro, vizinho que tristeza... você sempre foi cercado de amor e sempre será assim", escreveu a atriz Adriane Galisteu.

"O Brasil perdeu hoje um artista único, um comediante que amava seu ofício acima de tudo, um ator fora de série. Um entrevistador brilhante. Um cidadão que amava seu país e seus amigos. Jô Soares, obrigada por tanto", escreveu a cantora e compositora Zélia Duncan.

O presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa reagiu, entretanto, à morte do ator e autor brasileiro. "Os seus sketches ficaram famosos, algumas expressões entraram mesmo na linguagem corrente, fez-nos rir e pensar durante anos, um grande obrigado a Jô Soares, que hoje saiu de cena, mas não dos nossos corações, nem das nossas memórias", lê-se numa nota da presidência da República.

"À família e amigos o Presidente da República apresenta sinceras condolências", acrescenta o texto, publicado esta sexta-feira de manhã na página da presidência da República.

* com Sara Oliveira

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