Tragédia

Quatro mortos em queda de helicóptero do INEM em Valongo

Quatro mortos em queda de helicóptero do INEM em Valongo

Um helicóptero do INEM caiu, sábado à noite, na Serra de Santa Justa, junto à aldeia de Couce, em Valongo, no distrito do Porto. Os destroços foram localizados à primeira hora deste domingo. Os quatro ocupantes morreram.

O helicóptero partiu de Massarelos, ia reabastecer no heliporto de Baltar (Paredes) e tinha como destino a base de Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança, depois de ter realizado o transporte de um doente grave para o Hospital de Santo António, no Porto, confirmou fonte oficial do INEM.

A bordo da aeronave de emergência médica - um Agusta A109S, operado pela empresa Babcock - seguiam dois pilotos e uma equipa médica, composta por um médico e uma enfermeira. Todas as vítimas morreram, adiantou ao JN o Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) do Porto.

Na última conferência de imprensa da Proteção Civil, cerca das 2 horas, o comandante Carlos Alves confirmou a informação prestada pelo CDOS, afirmando que "foram encontrados os destroços do helicóptero com os quatro corpos sem vida".

O responsável adiantou ainda que, à chegada dos operacionais, dois dos corpos estavam dentro do veículo e outros dois fora, num local de difícil acesso a cerca de 400 metros a sul da capela de Santa Justa, em Valongo. Carlos Alves acrescentou que serão ativados todos os mecanismos de forma a proceder à remoção dos cadáveres, numa operação que deve estender-se durante a madrugada.

"É com enorme consternação que soubemos hoje da perda de quatro profissionais de saúde no momento em que regressavam do cumprimento do seu trabalho", lamentou a ministra da Saúde, Marta Temido, no rescaldo das operações desta madrugada. A governante manifestou "solidariedade profundíssima para com o INEM", enviando uma palavra de pesar às famílias das vítimas e outra de agradecimento e apoio à Proteção Civil e restantes operacionais envolvidos nas buscas.

Também o primeiro-ministro António Costa reagiu à tragédia. "Quero naturalmente apresentar às famílias e amigos as mais sentidas condolências e dirigir uma palavra de solidariedade para todos aqueles que trabalham no Instituto Nacional de Emergência Médica e que prestam um serviço inestimável aos portugueses", afirmou à Lusa em Abu Dabi, numa escala da viagem até Cabul, Afeganistão. O primeiro-ministro disse que no momento próprio serão apuradas "as causas deste acidente", frisando que "neste momento" é prematuro falar sobre as razões.

A torre de controlo terá perdido a ligação à aeronave cerca das 18.30 horas, quando o veículo seguia entre Couce e Aguiar de Sousa, freguesia do concelho de Paredes, numa zona onde o terreno é muito inclinado e coberto por densa vegetação. O alerta para o acidente terá sido dado apenas às 20.15 horas, quase duas horas depois da perda de sinal do helicóptero. As causas da queda vão ser investigadas.

As operações de busca, dificultadas pelo nevoeiro e chuva fortes que se faziam sentir na região e pelas características acidentadas do terreno, envolveram cerca de 200 operacionais de bombeiros, GNR, dispositivos da Proteção Civil de Valongo e Gondomar. A Força Aérea mobilizou para o local um helicóptero EH101, que saiu do Montijo cerca das 21.45 horas. ​​​

Os secretários de Estado da Saúde, Raquel Duarte, e da Proteção Civil, José Artur Neves, estiveram em Valongo, a acompanhar as buscas.