
Cotrim Figueiredo ficou em terceiro lugar com 16,01% dos votos
Foto: António Pedro Santos/Lusa
João Cotrim Figueiredo assumiu o resultado como uma "derrota pessoal", mas responsabilizou Luís Montenegro por não ter passado à segunda volta das presidenciais. Foi um erro estratégico, sublinhou no discurso de derrota.
Afastando um regresso à liderança da IL, o eurodeputado defendeu que a sua candidatura gerou um "movimento de renovação" na política portuguesa que pode crescer no futuro.
O país, lamentou Cotrim Figueiredo, vai ter de fazer "uma péssima escolha" entre António José Seguro e André Ventura na segunda volta, apesar de o Governo AD e de no Parlamento existir uma maioria de centro-direita. Se o candidato socialista vencer, "ficará a dever-se a um erro estratégico da liderança do PSD".
"Apesar do apelo que lhe fiz, Luís Montenegro não pôs o interesse do país à frente do do partido. Não esteve à altura do legado de Francisco Sá Carneiro", afirmou, num ataque direto ao primeiro-ministro.
Se durante a campanha, Cotrim Figueiredo chegou a admitir que podia apoiar André Ventura numa segunda volta ao afirmar que não excluía nenhum candidato, neste domingo à noite, defendeu que "não é dono dos votos" dos portugueses. E, por isso, não vai recomendar o voto em nenhum dos dois candidatos. "Os eleitores que me entregaram o voto fizeram-no livremente e devem voltar a fazê-lo", argumentou.

Foto: António Pedro Santos/EPA
"Não é o fim"
"É um resultado que assumo como uma derrota pessoal", disse, sublinhando que não é uma derrota da ideia de que é preciso renovar a democracia e a classe política, nem da intenção de tornar Portugal mais e melhor. Simplesmente, justificou, "não conseguiu transmitir essa ideia com força suficiente".
O candidato defendeu que da sua campanha nasceu "um movimento de renovação". Pelo que, o seu terceiro lugar "não é um fim, mas pode ser o início de um caminho". Interpelado depois pelos jornalistas, quanto a esse caminho "que ninguém pode fechar", Cotrim Figueiredo respondeu, sem hesitar, que não pretende regressar à liderança da Iniciativa Liberal, cuja presidência está, neste momento, "bem entregue".
Já confrontado com as palavras de André Ventura, que se intitula como líder da Direita, retorquiu que não sabe a que espaço político líder do Chega se refere. Voltando a referir o movimento renovador, iniciado pela sua candidatura, argumentou que a política tem de deixar de ser percecionada como um jogo a preto e branco, de Esquerda e Direita. "Se alguma coisa esta eleição devia mostrar é que muito mais do invocar lealdades ideológicas, a atitude perante desafios é mais importante", concluiu.
Ouvir órgãos
Antes, à chegada à sede, a líder da IL sublinhou que vai ouvir a direção e órgãos do partido antes de anunciar uma posição em relação à segunda volta.
"Eu não tenho dúvidas, mas tenho de respeitar os órgãos do partido e é isso que vou fazer, afirmou Mariana Leitão, elogiando o resultado que quase triplicou o do partido nas legislativas.
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Melhor e pior
Em Lisboa, Oeiras, Cascais, Porto, Matosinhos e Maia, Cotrim Figueiredo ficou em segundo lugar. Nos distritos de Vila Real, Bragança e Guarda caiu para quinto lugar.
AC/DC e Queen
Fã de música rock, entrou ao som de "Thunderstruck" (AC/DC) para fazer o discurso de derrota e saiu com "Nothing can stop me now" (Queen), após afirmar que a campanha criou movimento de renovação.

