Covid-19

"Gerir escassez" da vacina vai ser primeiro desafio, diz Temido

"Gerir escassez" da vacina vai ser primeiro desafio, diz Temido

"Gerir a escassez da vacina" será um dos primeiros desafios das autoridades de saúde, admite Temido, Temido que considera o recurso a voluntários nos centros desaúde. A taxa de incidência da doença a 14 dias está a diminuir, mas continua preocupante.

No dia em que Portugal regista o número mais alto de mortes por covid-19 desde o início da pandemia (95), a ministra da Saúde admitiu que o primeiro desafio da vacinação será "gerir alguma escassez". "Sabemos há longos meses que, mesmo que tivéssemos uma vacina disponível, ela seria sempre, num primeiro momento, escassa", disse Marta Temido, acrescentando que o início da distribuição da vacina em Portugal está previsto para os primeiros dias de janeiro, embora não tenha precisado o número exato de doses que o país vai receber numa primeira fase.

"Temos de ser pacientes e perceber que há passos que não podemos subestimar nem desvalorizar", nomeadamente as reuniões técnicas associadas ao processo de vacinação. "Não nos interessa sermos os primeiros a ter vacinas. Interessa ter vacinas de qualidade, seguras e efetivas", notou a governante, esclarecendo ainda que as autoridades de saúde estão a acompanhar "com muita prudência" as reações alérgicas que possam surgir. "Sabemos que são aspetos que se podem verificar e é importante que sejam tratados com transparência", indicou a chefe da Pasta da Saúde, assinalando que Portugal está a contar "com todo o portefólio" de companhias farmacêuticas com as quais existe contrato, precisamente para prevenir atrasos, avaliações negativas e questões de maior ou menor disponibilidade na distribuição.

O plano inicial para a primeira fase da vacinação "passa pela utilização da rede de centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde", explicou Marta Temido. "Se tudo correr bem, existirá um momento em que teremos uma muito maior quantidade de doses de vacinas e aí o desafio será o da celeridade de administração", acrescentou, fazendo saber que está em cima da mesa o reforço de profissionais nos centros de saúde e até o recurso a voluntários.

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Confrontada com a notícia da TSF segundo a qual há mais de 70 anos que não morria tanta gente em Portugal, a ministra da Saúde disse que, em 2020, foram verificados "quatro períodos em que o comportamento da mortalidade observada foi superior à mortalidade esperada": dois relacionados com picos da letalidade por covid-19 (um na primeira fase da pandemia e outro no momento atual); e dois ligados a "fenómenos de temperaturas extremas". O estudo dos dados está e continuará a ser feito pelas autoridades de saúde: "Este é um trabalho que exige tempo e análise".

Taxa de incidência a baixar, mas ainda preocupante

A taxa de incidência da infeção em Portugal é de 529,3 novos casos por 100 mil habitantes. O número "está a aproximar-se de valores mais controláveis, ainda assim bastante preocupantes", afirmou Marta Temido, na conferência de imprensa desta sexta-feira, dando conta das "assimetrias regionais". Na região do Norte, a taxa a 14 dias continua a ser maior - 802 casos por 100 mil habitantes - por oposição à do Algarve, por exemplo, que registou 202 novos casos por 100 mil habitantes.

O RT (índice de transmissão) situa-se agora em 0,97, ligeiramente abaixo do 1, "um valor que precisamos de descer e, sobretudo, de manter de forma sustentada", notou a governante, fazendo saber que o pico de incidência desta segunda fase da pandemia terá sido registado na semana de 20 de novembro (o primeiro fico terá sido a 23 de março).

Como a incidência baixou, o número de testes de diagnóstico positivos é, por consequência, menor, "mas os números mantêm-se estáveis", assegurou Marta Temido, dando como exemplo os 43.481 testes realizados a 3 de dezembro ."O que está a baixar, felizmente, é a taxa de positividade."

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