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Montenegro desafia Rio a marcar eleições e anuncia-se candidato

Montenegro desafia Rio a marcar eleições e anuncia-se candidato

Assumindo-se como um "homem totalmente livre", o antigo líder parlamentar do PSD Luís Montenegro desafiou Rui Rio a marcar eleições diretas no partido, disponibilizando-se já a ser candidato.

"Eu cá estarei para o que der e vier". A promessa foi de Luís Montenegro, no discurso do 37.º congresso do PSD, em fevereiro do ano passado, um mês depois de Rui Rio ter sido eleito presidente do partido. Quase um ano volvido, o antigo apoiante de Passos Coelho quer entrar na corrida pela presidência social-democrata.

"Estou disponível para me candidatar de imediato à liderança do PSD, convidando o dr. Rui Rio a marcar já diretas", disse Montenegro esta sexta-feira à tarde, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, confirmando o que já era esperado desde quinta-feira, quando anunciou que ia falar ao país.

Numa conferência de imprensa sem direito a perguntas, Montenegro fez um balanço arrasador do estado atual do PSD e da direção de Rio: "O estado a que chegou o PSD é mau, é preocupante e é irreversível [se não houver mudanças]".

Montenegro considerou que a presidência do PSD falhou na prometida "oposição firme ao Governo" e no objetivo de "unir o partido", tendo sido "instigador do confronto interno". Criticando um "PSD frouxo" que não apresentou "uma estratégia, um posicionamento, uma mensagem diferenciadora", o social-democrata acusou Rui Rio de ter sido uma "bengala de António Costa".

"Pelo andar da carruagem, se nada for feito, o PSD corre o risco de ter uma derrota humilhante", disse, acrescentando ser "preciso salvar o PSD do caminho para o abismo para onde está a mergulhar", trazendo de volta o partido que "fala para os jovens", que "representa a classe média" e "a sociedade civil que não quer viver de dependências excessivas do Estado", que "tem propostas para pensionistas e reformados", que "incentiva as pequenas e médias empresas", "que combate o excesso de impostos", que "promove o ambiente" e "aposta na tecnologia e no empreendedorismo".

"Sempre defendi que os mandatos deviam ir até ao fim, e em circunstâncias normais, era assim que devia ser. Mas esta não é uma circunstância normal", defendeu, atirando que "há um ano, ninguém concebia que o PSD fosse hoje o que infelizmente é". "É preciso salvar o PSD do caminho para o abismo", considerou. "Não me resigno à ideia de um PSD pequeno, perdedor, sem importância política e sem importância estratégica".

"Estou aqui para dizer ao país que precisamos de um Governo novo e de um novo primeiro-ministro, estou aqui para ser o adversário que o dr. António Costa não teve ao longo do último ano", garantiu.

Face a isso, Montenegro deixou um desafio a Rio. "Se tem mesmo Portugal à frente de tudo, mostre coragem e não hesite em marcar estas eleições internas, não tenha medo do confronto, não se justifique atrás de questões formais, o tempo é de confronto político", atirou, instando Rio a candidatar-se novamente também.

Na declaração de hoje no CCB, esteve presente Hugo Soares, o ex-líder parlamentar do PSD, que Rui Rio afastou semanas após ter chegado à presidência e substituiu por Fernando Negrão.

O JN já tinha apurado, na quinta-feira, que Luís Montenegro tinha a intenção de desafiar Rio para convocar eleições diretas no PSD e avançar com uma candidatura. Também ontem, Miguel Morgado, antigo assessor político de Passos Coelho, deixou claro que irá ponderar "muito a sério a possibilidade de ser candidato", caso sejam convocadas eleições diretas.

Horas antes do anúncio de Montenegro, a vice-presidente do PSD, Isabel Meirelles, acusou Luís Montenegro de tentar fazer um "golpe de Estado" que prejudica o partido e o país, e assegurou que a direção tenciona fazer cumprir "à risca" os estatutos sociais-democratas.

"O doutor Rui Rio foi eleito por 22.500 militantes, com 54% dos votos. Entretanto, desde há cerca de um ano entraram seis mil novos militantes. Aquilo que se está a pretender fazer é um golpe de Estado no PSD", acusou a responsável política em declarações à agência Lusa.

Isabel Meirelles antecipou mesmo que caso Montenegro fizesse "um desafio à direção de Rui Rio" - como veio a acontecer - seria um "exercício de oportunismo descarado e de quem quer assegurar a sua própria sobrevivência e da clique que o rodeia".