Estado de Emergência

Costa admite segunda onda de covid-19. Limite para aulas presenciais é 4 de maio

Costa admite segunda onda de covid-19. Limite para aulas presenciais é 4 de maio

O primeiro-ministro, António Costa, admitiu, nesta manhã de sexta-feira, que existe o risco de ocorrer uma "segunda onda" e que esta primeira luta contra a Covid-19 é um "túnel com dois ou três meses".

"Vamos continuar a ter todos os dias cada vez mais pessoas infetadas e mais pessoas a falecer. Depois, vai começar a descer. Vai haver uma luz ao fundo do túnel", admitiu o primeiro-ministro, nesta manhã de sexta-feira, em entrevista à Rádio Renascença, avisando, contudo, que se trata de um "túnel com dois ou três meses".

Daí a resistência inicial a convocar o primeiro período de estado de emergência, apesar das pressões de Belém, explicou. "Tinha consciência que isto não ia durar 15 dias, que isto ia ser uma longuíssima maratona e não uma estafeta de 100 ou 200 metros",afirmou António Costa.

E foi aí que o primeiro-ministro admitiu: "Temos o risco de uma segunda onda".

Durante esse "túnel de dois ou três meses", a prioridade do Governo, além da saúde pública, é "proteger as pessoas, os empregos, os rendimentos o mais possível, fechar as lojas esperar que as empresas não tenham grandes prejuízos"

"Temos que agir de uma forma solidária. O esforço tem que ser partilhado e tem que ser de todos", sustentou António Costa, defendendo que todo o "enorme esforço de recuperação" que o país conseguiu nos últimos tempos tem que ser "congelado" para dentro "de dois ou três meses recomeçar o mais próximo possível da situação em que estávamos".

O recomeço, que Costa já disse que terá que ser "gradual", que está a ser pensado mais no imediato é o das escolas. "A data limite para que o calendário escolar possa ser cumprido com a maior regularidade possível é o ensino presencial recomeçar a 4 de maio", vincou, reafirmando que a decisão será tomada no próximo dia 9.

Caso não seja possível, caso o Estado tenha que partir para o ensino digital, ou seja, à distância, o primeiro-ministro considera essencial que seja "complementado através da televisão". "Essa é uma das formas de se combater as desigualdades", afirmou António Costa, numa entrevista conduzida pela editora de Política da Renascença, Eunice Lourenço, que se sentou num estúdio diferente do do primeiro-ministro, por razões de segurança de saúde pública.

António Costa disse que, no que diz respeito às desigualdades, também "não pode esquecer as pessoas que estão a perder uma grande parte dos seus rendimentos".

E reafirmou que, apesar de o país estar numa situação única nos seus 44 anos de Constituição, a democracia não foi suspensa. "Mesmo em emergência não podemos suspender a democracia. O estado de emergência, no fundo, o que tem feito é dar força de lei àquilo que tem sido a força dos portugueses".

Em termos europeus, o primeiro-ministro diz que é importante a União Europeia "não se deixar contaminar pelo vírus da divisão". E que "a maior lição é a de que não podemos estar tão dependentes da China". "A Europa vai ter que perceber quer vai ter que começar a produzir internamente muita coisa que se habituou a importar da China".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG