“Pedimos desculpa pelo incómodo causado por este incidente.” Foi desta forma irónica que as autoridades israelitas reagiram ao ataque contra uma delegação diplomática de cerca de 25 embaixadores e representantes árabes e europeus, durante uma visita oficial ao campo de refugiados de Jenin, no Norte da Cisjordânia.
Uma declaração carregada de desdém e de impunidade e que já não surpreende ninguém. Perante as críticas e as ameaças da comunidade internacional à expansão das operações militares israelitas em Gaza, Benjamin Netanyahu deixa claro que banaliza a violência. Seja contra observadores internacionais, seja contra civis indefesos. O inaceitável transforma-se em rotina.
Por isso mesmo, Telavive minimizou os disparos contra os diplomatas que foram obrigados a fugir do local quando deveriam estar a ser protegidos. Afinal, “não houve feridos ou danos” e a delegação “desviou-se da rota” aprovada pelo Exército. Portanto, nada melhor que uns “disparos de advertência” para distanciá-los.
Para o Governo israelita, famílias inteiras enterradas sob os escombros serão também um incidente menor. Como a morte de milhares de bebés e crianças, as 53 mil pessoas que perderam a vida nos bombardeamentos e as 121 mil que ficaram feridas após o fim do cessar-fogo de 2 de março.
Um médico britânico que trabalha no terreno, no Sul de Gaza, faz o retrato da catástrofe humanitária. “Uma jovem, com uma fratura numa perna e outra num ombro e uma grande ferida numa das nádegas, entrou ontem no hospital e ainda não sabe que todos os seus familiares foram mortos no ataque. Isto é absolutamente horrível. Isto é um matadouro”.

