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Manuel Molinos

O gelo dos VIP

A dificuldade de passar a mensagem da importância do combate às alterações climáticas é quase como tentar explicar a um estrangeiro o significado de saudade. É abstrato. Não existe porque não se vê. Mas sente-se. Ora está calor, ora está frio. Ora chove, em pleno verão, ora temos um sol abrasador, em pleno inverno. Isto de dizermos que o estado do tempo já não é o que era remete-nos para a perceção mais rudimentar da variação do clima à escala global.

Manuel Molinos

Je suis Google

Esta semana voltaram os maus, aqueles que espiam os computadores e os smartphones e leem os emails dos bons. Desta vez, depois do escândalo que levou o "pai" do Facebook a ser obrigado a desculpar-se, perante senadores e eurodeputados, sobre o ataque à privacidade de todos nós, as virgens ofendidas voltaram-se para a Google. "Engenheiros que desenvolvem aplicações para a tecnológica têm acesso às nossas mensagens de email trocadas através do Gmail", denunciou uma empresa ao "The Wall Street Journal".

Manuel Molinos

Pauta da greve 

Nos treze anos em que lecionei, os casos em que um professor mudou a nota de um aluno em conselho de turma foram muito raros. Um bom sinal. Sinal de que a avaliação interna de cada disciplina era justa, não colocava em causa o futuro do estudante e, portanto, não havia lugar a alterações. Em rigor, o momento solitário em que cada docente atribui uma classificação final é de uma reflexão extrema e demorada, em que, nessa época do ano, todo o historial interdisciplinar do aluno é também conhecido e profissionalmente ponderado.

Manuel Molinos

O Robocop dos eurodeputados

Não, senhores eurodeputados, a Internet não é o futuro. É um presente já com muito passado. Querer controlar os conteúdos publicados na rede à custa de supercomputadores polícias que verificarão todos os nossos uploads é estar a criar verdadeiros monstros de censura. A proposta europeia aprovada esta quarta-feira relativa aos direitos de autor no mercado único digital, que contou com o voto a favor do eurodeputado português Marinho e Pinto, não serve o interesse nem das empresas, nem dos autores e muito menos dos utilizadores. São dois os artigos polémicos. Um, o artigo 13, prevê que todos os conteúdos carregados na Internet sejam monitorizados, o que pressupõe que todas as empresas que operam na rede tenham de recorrer a programas caros e complexos de filtros para avaliar direitos de autor. O segundo, o artigo 11, contempla que tecnológicas como, por exemplo, Google e Facebook, paguem aos média uma taxa por cada link de notícias e outros conteúdos usados nessas plataformas. A generalização da implementação de filtros, que aliás já existem no Youtube e Spotify, não só é irrealista como não está provada a sua eficácia. Estas ferramentas de vigilância nem sempre distinguem conteúdo legal de violação dos direitos de autor. E que garantias serão dadas aos utilizadores que os dados que vão disponibilizar não serão usados para outros fins? Quanto à "taxa do link", a história já demonstrou a sua ineficácia na Alemanha e em Espanha, países que a implementaram. Quando a Google News deixou de publicar os excertos das notícias, as empresas produtoras de conteúdos registaram descidas brutais no tráfego. De resto, os média e a Google têm encontrado, sem leis e sem políticos, parcerias de entendimento.

Manuel Molinos

Uma língua para perpetuar

No momento em que escrevia esta crónica, milhares de cidadãos em Portugal, Brasil, França, Reino Unido e Angola liam as notícias publicadas no site do "Jornal de Notícias". Outros largos milhares no Brasil, Angola, Moçambique, França, Suíça, Reino Unido, Estados Unidos da América e Espanha faziam-no através das nossas redes sociais. Mesmo numa altura em que a linguagem taquigráfica, fonética e visual se impõe face à velocidade com que todos comunicamos, o português continua a ser o elo de ligação de todas estas comunidades espalhadas geograficamente pelo Mundo mas unidas por uma língua usada por mais de 155 milhões na web, tornando-a a quinta mais falada na Internet, à frente do japonês, russo, francês e alemão. Mais importante do que as discordâncias e aplicação do Acordo Ortográfico, é necessário preservar, acarinhar e publicitar a língua nas suas diferentes formas de expressão.