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Paulo Baldaia

O autocarro da vergonha

É criminosa a forma como são tratados os trabalhadores da periferia de Lisboa. Recorro a esta hipérbole para descrever uma situação que, não estando tipificada no Código Penal, nos devia envergonhar a todos, de uma forma geral, e aos políticos, de forma muito particular. A estatística que diz que comendo eu um frango e o meu vizinho nenhum comemos metade cada um também nos diz que os transportes públicos cumprem a lotação reduzida imposta pela pandemia, fazendo a média dos transportes que andam sobrelotados no leva-e-traz dos trabalhadores e vazios no resto do tempo.

Paulo Baldaia

Quem nunca foi jovem, que atire a primeira pedra

Na procura de um caminho para vencermos a pandemia e ultrapassarmos as consequências das nossas decisões, fizemos o confinamento com o que parecia ser conta, peso e medida, mas no desconfinamento não estamos a acertar. O epicentro pode agora estar na juventude, como volta a estar em lares de terceira idade, ou esteve há bem pouco tempo em grandes armazéns de distribuição, em transportes públicos ou em alojamentos de imigrantes e trabalhadores precários da agricultura. Em cada momento, uma desculpa. Durante todo o tempo, uma culpa coletiva.

Paulo Baldaia

Nem sempre o que parece é

Num tempo em que o sucesso do combate se mede pela comparação com o que se passa noutros países, Portugal é visto como um exemplo. Parece ao Governo dos nossos vizinhos espanhóis que a nossa Oposição é melhor do que a deles. E se parece assim lá fora, parece ao contrário cá dentro, se atendermos a que a oposição ao líder da Oposição esperava uma crítica mais feroz à atuação do Executivo. Parece que estamos destinados a confirmar que "a galinha da vizinha é sempre melhor do que a minha".

Paulo Baldaia

Contra a ditadura da Covid

Não será muito difícil perceber que, em nome do combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus, a Covid-19 passou a ter estatuto de deus e tudo o resto vale apenas na posição relativa que tem perante esta doença que é omnipresente, omnipotente, transcendente... Nesta relação com o supremo, começamos por sacrificar a economia e, estamos agora a perceber de forma evidente, sacrificamos também desde o primeiro momento os portadores de outras doenças.