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Paulo Baldaia

Marques Mendes e a judicialização populista

Quanto é que Luís Marques Mendes (LMM) tem de estar zangado com Rui Rio para dizer dele o que disse na SIC? Tem de estar muito zangado, tem de haver alguma coisa pessoal, para que o ex-líder do PSD, agora comentador de televisão, rasgue de alto a baixo o atual líder do PSD. Ao ouvir LMM, como faço habitualmente, não queria acreditar, foi como se estivesse a navegar na net, numa qualquer rede social, a assistir a um facebookiano desancar um "amigo" com quem perdeu a paciência. Seria de esperar que o imenso poder de um comentário semanal em canal de televisão generalista exigisse mais responsabilidade. O número que LMM montou na SIC não ataca apenas Rui Rio, é um contributo inestimável para o populismo que cresce em Portugal. Aquele que leva uma parte significativa do eleitorado a admitir votar num partido que tenha como bandeira o combate aos políticos corruptos, que é como quem diz: a todos os políticos.

Paulo Baldaia

Com uma bola nos cornos

A discussão sobre o IVA a pagar nas touradas não é uma discussão fiscal, é uma discussão sobre a sociedade que queremos ser. A mim pouco me importa se os bilhetes das touradas pagam 6%, 13% ou 23%, o que me faz confusão é as touradas continuarem a existir. Quando precisamos de ver animais a ser maltratados para nos sentirmos satisfeitos com o espetáculo, não precisamos do IVA reduzido, precisamos da ajuda de um psicólogo. Talvez baste uma introspeção, para tentar perceber que ver espetar ferros num animal para o fazer sangrar é como rir a bandeiras despregadas com o gato de Mourão, pendurado com uma corda, enquanto o fogo se aproxima. Os que gostam também se defendem com o facto de se tratar de uma tradição.

Paulo Baldaia

"Por qué no te callas", Marcelo?

Anda uma determinada Direita, com agrado do Governo, a tentar entalar o presidente da República no caso de Tancos e Marcelo a responder a toda a hora. O chefe de Estado não percebe que os seus "amigos" dessa Direita inorgânica, constituída por uma dúzia de colunistas e uns distintos empresários que a financiam, já sabem como o podem apanhar. Só precisam de pôr a circular umas "fake news", envolvendo o comandante supremo das Forças Armadas, para que ele nunca mais se cale. E, como ele se sente na obrigação de responder até que já mais ninguém fale do assunto, o assunto nunca sai da agenda.

Paulo Baldaia

D. António, o Malabarista e o milagre das migalhas

O cardeal Centeno, estranhando o que parecia ser a felicidade com que os parceiros passeavam da corte, já depois de ter ouvido Dom Jerónimo anunciar amanhãs que cantam, decidiu interpelar Dona Catarina para saber do motivo de tanto regozijo. Se ele proclamara que os cofres do reino não podiam ser esvaziados, que a dívida aos reinos vizinhos tinha de baixar, e se os nobres que apoiavam o rei D. António não faziam outra coisa senão reclamar o bodo aos pobres, prémios para os soldados do exército do funcionalismo público e gratidões várias para os funcionários do reino aposentados, a felicidade daqueles nobres só podia trazer água no bico. O cardeal, que era agora coordenador dos cofres dos Reinos Unidos, e sonhava com voos mais altos, não podia ver a sua imagem prejudicada pelo desvario de uma nobreza que sonhava ser eternamente amada pelo povo.

Paulo Baldaia

Os democratas estão a matar a Democracia

Cada vez que um antidemocrata é eleito, a Democracia está a falhar pela segunda vez. Ela não existe para vergar as minorias à vontade das maiorias, como defendem os que nela não acreditam. Não existe para que alguém, em nome do voto que recebeu, suspenda os direitos de uma parte da população. Não existe para dar força a quem a considera "uma porcaria". Não existe para legitimar o poder de quem é racista, xenófobo, misógino, homofóbico... A Democracia não existe para eleger quem acredita que matar suspeitos de corrupção, de tráfico de droga, de qualquer outro crime é melhor que julgá-los e prendê-los. Mas quando a Democracia se derrota a si própria, fazendo eleger um antidemocrata, é porque primeiro ela falhou de forma irreversível a milhões de democratas, levando-os a votar contra ela.