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Paulo Baldaia

"Por qué no te callas", Marcelo?

Anda uma determinada Direita, com agrado do Governo, a tentar entalar o presidente da República no caso de Tancos e Marcelo a responder a toda a hora. O chefe de Estado não percebe que os seus "amigos" dessa Direita inorgânica, constituída por uma dúzia de colunistas e uns distintos empresários que a financiam, já sabem como o podem apanhar. Só precisam de pôr a circular umas "fake news", envolvendo o comandante supremo das Forças Armadas, para que ele nunca mais se cale. E, como ele se sente na obrigação de responder até que já mais ninguém fale do assunto, o assunto nunca sai da agenda.

Paulo Baldaia

D. António, o Malabarista e o milagre das migalhas

O cardeal Centeno, estranhando o que parecia ser a felicidade com que os parceiros passeavam da corte, já depois de ter ouvido Dom Jerónimo anunciar amanhãs que cantam, decidiu interpelar Dona Catarina para saber do motivo de tanto regozijo. Se ele proclamara que os cofres do reino não podiam ser esvaziados, que a dívida aos reinos vizinhos tinha de baixar, e se os nobres que apoiavam o rei D. António não faziam outra coisa senão reclamar o bodo aos pobres, prémios para os soldados do exército do funcionalismo público e gratidões várias para os funcionários do reino aposentados, a felicidade daqueles nobres só podia trazer água no bico. O cardeal, que era agora coordenador dos cofres dos Reinos Unidos, e sonhava com voos mais altos, não podia ver a sua imagem prejudicada pelo desvario de uma nobreza que sonhava ser eternamente amada pelo povo.

Paulo Baldaia

Os democratas estão a matar a Democracia

Cada vez que um antidemocrata é eleito, a Democracia está a falhar pela segunda vez. Ela não existe para vergar as minorias à vontade das maiorias, como defendem os que nela não acreditam. Não existe para que alguém, em nome do voto que recebeu, suspenda os direitos de uma parte da população. Não existe para dar força a quem a considera "uma porcaria". Não existe para legitimar o poder de quem é racista, xenófobo, misógino, homofóbico... A Democracia não existe para eleger quem acredita que matar suspeitos de corrupção, de tráfico de droga, de qualquer outro crime é melhor que julgá-los e prendê-los. Mas quando a Democracia se derrota a si própria, fazendo eleger um antidemocrata, é porque primeiro ela falhou de forma irreversível a milhões de democratas, levando-os a votar contra ela.

Paulo Baldaia

A política pode ser uma coisa séria

Rui Rio tem cometido erros? É evidente que sim, mas não cometeu o erro capital de deixar de ser quem é para fazer o que a bem-pensante Lisboa jornalística e política entende que devia ser feito. Uma corte formatada por anos de experiência adquirida nos corredores do poder não aceita que lhe mudem as regras, não aceita ter menos poder do que aqueles que foram eleitos para exercer o poder. Não é novo, não passou a ser assim porque Rio chegou à cidade. E, por não ser novo, Rio tinha a obrigação de ter preparado melhor a forma como iria lidar com estas dificuldades de comunicação.