Acusado de 10 crimes

Boaventura alegava ter milhões no estrangeiro para burlar empresários

Boaventura alegava ter milhões no estrangeiro para burlar empresários

O empresário de futebol César Boaventura, que foi detido pela Polícia Judiciária do Porto em dezembro de 2021 no âmbito da Operação Malapata, acaba de ser acusado de dez crimes de burla qualificada, falsificação de documento, fraude fiscal e branqueamento. O homem, que garantia ser próximo de Luís Filipe Vieira terá burlado empresários, prometendo-lhes retornos que nunca apareceram.

César Boaventura dava-se uma imagem de empresário de sucesso. Garantia ter milhões de euros no estrangeiro quando na realidade estava insolvente. De acordo com a "Visão", a magistrada do Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto que liderou a investigação fez questão de sintetizar o que está em causa: "Para além da notoriedade que procurava e publicitava nas redes sociais, César Boaventura, para conferir maior credibilidade à sua veste de empresário de futebol de sucesso, fabricou contratos de exploração de direitos de imagem, confissões de dívida e extratos bancários, documentos utilizados para convencer terceiros a entregarem-lhe as importâncias que o mesmo foi pedindo e que foram canalizadas para fins distintos ao que anunciava".

A uma das vítimas, um industrial do têxtil, Boaventura terá exibido um extrato com um saldo de 27 milhões de euros e numa outra ocasião alegou ter 13 milhões em contas no Dubai. Tudo não passaria de uma encenação criada para burlar o empresário que lhe foi emprestando dinheiro. Eram supostamente investimentos em jogadores de futebol, mas os retornos nunca apareceram. Ficou sem 300 mil euros.

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Além de mostra uma vida de luxo nas redes sociais, Boaventura também fazia questão de publicitar a sua proximidade com Luís Filipe Vieira e chegou a dizer guardava, no estrangeiro, 22 milhões de euros do ex-presidente do Benfica. "César Boaventura assegurou que o anterior presidente do Benfica, sabendo da existência de processos crimes em investigação, lhe tinha pedido para colocar nessa conta 22 milhões de euros, não podendo, pois, movimentar essa conta", descreve o Ministério Público na acusação, citada pela "Visão". Nessa mesma conta, Boaventura garantia ter 30 milhões de euros, sendo que 20% seriam dele.

Insolvente e sem fazer declarações de IRS ao Fisco há anos, Boaventura foi agora acusado de fraude fiscal. A investigação da PJ e da Direção de Finanças do Porto detetou movimentações que levaram à conclusão que o arguido não declarou 1,2 milhões de euros de receita ao fisco. Terá usado faturas falsas e depositado dinheiro em contas de amigos que também foram acusados. Também terá usado casinos online para branquear o património.

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