Imagens

Últimas

Emídio Gomes

E ainda estamos em janeiro

Os acontecimentos do Bairro da Jamaica, classificados pelo município como incidente pontual entre forças de segurança e uma população pacífica e trabalhadora, ou como brutal e xenófoba intervenção policial pelo do Bloco de Esquerda, mostrou uma realidade deprimente, sem condições mínimas de dignidade e bem-estar exigíveis a um país da União Europeia, a escassos quilómetros das centenas de milhões gastos na promoção de obras públicas. O incidente alastrou à própria Assembleia da República, com o primeiro-ministro, António Costa, a perder a compostura, acusando a líder centrista de o questionar daquela forma por causa da sua cor de pele! Sendo evidente que Assunção Cristas tem o condão de irritar o líder do Governo, que até lhe poderia apontar alguma tendência para um comportamento "popularucho", não é seguramente alguém com tendências racistas ou xenófobas.

Emídio Gomes

As banalidades do presente e o futuro

É sempre difícil distinguir como é que os acontecimentos de cada dia, sobretudo os seus impactos, condicionam e moldam a nossa forma de estar e o futuro. Admitindo, como diz Ortega y Gasset, que haverá sempre tantas realidades quantos os pontos de vista, sendo que são estes que nos criam um panorama, podemos pretender ser o que queremos, mas que não será lícito fingir que somos o que não somos. É óbvio que os últimos tempos têm dado um grande suporte a esta dimensão do pensamento estruturado.

Emídio Gomes

O cartão dos amarelos

É longa a história da França a liderar movimentos caracterizados por grande convulsão política e social. Recuando à revolução francesa de 1789, a ignição teve origem nos mais de 98% de pobres que trabalhavam para sustentar a corte e o núcleo de pessoas ligadas a cargos na igreja e na nobreza, que consumiam riqueza e estavam isentos de impostos. Sendo também históricas as lutas operárias do final do século XIX, a sua radicalidade e o aparecimento dos movimentos anarquistas associados. Da história recente retemos o movimento de maio de 1968, que começando no protesto dos estudantes de uma universidade contra a divisão dos dormitórios, evoluiu rapidamente para a exigência da renúncia do presidente Charles de Gaulle, considerado como um conservador. Tudo suportado num conjunto de manifestações que rapidamente transformaram Paris num teatro de guerra, a que se seguiu uma greve em que mais de 10 milhões de trabalhadores cruzaram os braços exigindo melhores condições de trabalho, e que só terminou com a convocação de eleições gerais.

Emídio Gomes

Breves notas sobre o Ensino Superior

A proposta de redução do valor das propinas pagas pelos alunos do Ensino Superior merece uma reflexão cuidada, face à importância que este setor tem na formação dos futuros responsáveis pelos destinos do país. A ação do Estado, na sua relação com os estudantes, deve orientar-se, predominantemente, no sentido de garantir a existência de um sistema de que permita o acesso ao Ensino Superior e a sua frequência a todos os estudantes. Teoricamente, a ação social garante que nenhum estudante será excluído do subsistema do Ensino Superior por incapacidade financeira, promovendo, assim, o direito à igualdade de oportunidades de acesso, frequência e sucesso escolar.

Emídio Gomes

Compromissos e princípios

A Área Metropolitana do Porto e as comunidades intermunicipais organizaram na passada semana um debate público sobre "A Região do Norte e o Programa Nacional de Investimentos 2030", em que foram dissecadas as necessidades de investimentos a realizar nos domínios rodoviário e ferroviário. Contrariando uma prática habitual de não me pronunciar, muito menos publicamente, sobre questões em que tenha estado anteriormente envolvido, abri uma exceção para este caso, uma vez que era pedida a visão da UTAD, universidade na qual tenho responsabilidades de gestão nas áreas da ciência e inovação.

Emídio Gomes

O Ensino Superior e o território

Na generalidade dos países mais desenvolvidos, o Ensino Superior público é utilizado como instrumento de política de coesão territorial, uma vez que este é um setor em que a distribuição e afetação de recursos constituem um dos mais eficazes meios de redistribuição de riqueza. Por isso, muito naturalmente, é sempre alvo de um debate alargado quando se trata de analisar o impacto das políticas públicas nas zonas mais interiores do país, também designadas como de baixa densidade. Estudos recentes mostraram que Portugal tem nas cidades de Lisboa e Porto, comparativamente às outras capitais e segundas maiores cidades da União Europeia, o maior e mais expressivo desequilíbrio neste domínio.

Emídio Gomes

O frenesim territorial

Não há ciclo político neste século em que o Governo em exercício não intente uma alteração do mapa da organização territorial definido pelo seu antecessor. Na década de 90 apenas se assistiu à criação das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto em 1991, definidas como pessoas coletivas de âmbito territorial visando a prossecução de projetos ligados à coordenação supramunicipal de investimentos públicos, ordenamento do território e mobilidade. A partir daí tivemos a Lei 10/2003, na qual o Governo estabeleceu as Grandes Áreas Metropolitanas, para aglomerados urbanos com mais de 350 mil habitantes, complementadas com as Comunidades Urbanas, para os casos que que esse valor era superior a 150 mil habitantes. No Governo seguinte apareceu a Lei 45/2008, que estabeleceu um novo mapa, agora de novo só com duas áreas metropolitanas, complementadas por uma rede territorial de Comunidades Intermunicipais. Com a mudança de Governo, o mapa voltou a ser redesenhado através da Lei 75/2013, desta vez sem alterações substanciais de conceito. A maior das alterações ocorreu ao nível da extinção e fusão de freguesias, através das leis 22/2012 e 11-A/2013, processo que ainda hoje não está completamente consolidado.

Emídio Gomes

A esperança sempre renovada

Entre julho e setembro de cada ano uma parte muito significativa dos nossos jovens e suas famílias vivem uma fase importante das suas vidas, em resultado dos exames nacionais do final do Ensino Secundário e consequente concurso para ingresso no Ensino Superior. É neste grupo da população que o país deposita um grande capital de esperança, porque a lógica simples da lei da vida impõe naturalmente que muito do que acontecerá no futuro dependerá do seu desempenho social e profissional. Por isso percebemos porque é que os países que se querem manter no topo no desenvolvimento económico e social têm na formação superior, associada ao investimento em ciência e inovação, uma das suas maiores preocupações. Não é por acaso que os países que lideram os rankings de competitividade e qualidade de vida têm indicadores elevados nestes domínios.