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Emídio Gomes

Uma oportunidade e um desafio

Pese o enorme crescimento verificado ao longo das últimas décadas, Portugal continua a apresentar indicadores modestos na relação do número de jovens que acedem e frequentam o Ensino Superior. De facto, continuamos com valores inferiores a 50% no que concerne à população na faixa etária dos 18 anos que acede ao Ensino Superior, o que faz com que no intervalo dos 20 aos 24 anos o país tenha uma taxa de frequência de 37%, valor percentual seis pontos inferior à média da União Europeia.

Emídio Gomes

Da COTEC à convenção nacional do Ensino Supeior

O aparecimento da COTEC-Portugal em abril de 2003, com grande empenho da Presidência da República, representou um sinal da aposta na inovação como fator de mudança na competitividade global do país. Juntou-se o que havia de melhor, com ênfase no facto da primeira lista de associados fundadores representar cerca de 20% do PIB. O primeiro grande projeto escolhido pela COTEC foi a da aposta na floresta, da sua reestruturação ao combate aos incêndios. Seguiram-se outros desafios e, sobretudo, os momentos simbólicos das convenções. Passados 16 anos, mesmo com uma avaliação benevolente, temos a sensação de o seu impacto estar um pouco aquém das expectativas criadas.

Emídio Gomes

E ainda estamos em janeiro

Os acontecimentos do Bairro da Jamaica, classificados pelo município como incidente pontual entre forças de segurança e uma população pacífica e trabalhadora, ou como brutal e xenófoba intervenção policial pelo do Bloco de Esquerda, mostrou uma realidade deprimente, sem condições mínimas de dignidade e bem-estar exigíveis a um país da União Europeia, a escassos quilómetros das centenas de milhões gastos na promoção de obras públicas. O incidente alastrou à própria Assembleia da República, com o primeiro-ministro, António Costa, a perder a compostura, acusando a líder centrista de o questionar daquela forma por causa da sua cor de pele! Sendo evidente que Assunção Cristas tem o condão de irritar o líder do Governo, que até lhe poderia apontar alguma tendência para um comportamento "popularucho", não é seguramente alguém com tendências racistas ou xenófobas.

Emídio Gomes

As banalidades do presente e o futuro

É sempre difícil distinguir como é que os acontecimentos de cada dia, sobretudo os seus impactos, condicionam e moldam a nossa forma de estar e o futuro. Admitindo, como diz Ortega y Gasset, que haverá sempre tantas realidades quantos os pontos de vista, sendo que são estes que nos criam um panorama, podemos pretender ser o que queremos, mas que não será lícito fingir que somos o que não somos. É óbvio que os últimos tempos têm dado um grande suporte a esta dimensão do pensamento estruturado.

Emídio Gomes

O cartão dos amarelos

É longa a história da França a liderar movimentos caracterizados por grande convulsão política e social. Recuando à revolução francesa de 1789, a ignição teve origem nos mais de 98% de pobres que trabalhavam para sustentar a corte e o núcleo de pessoas ligadas a cargos na igreja e na nobreza, que consumiam riqueza e estavam isentos de impostos. Sendo também históricas as lutas operárias do final do século XIX, a sua radicalidade e o aparecimento dos movimentos anarquistas associados. Da história recente retemos o movimento de maio de 1968, que começando no protesto dos estudantes de uma universidade contra a divisão dos dormitórios, evoluiu rapidamente para a exigência da renúncia do presidente Charles de Gaulle, considerado como um conservador. Tudo suportado num conjunto de manifestações que rapidamente transformaram Paris num teatro de guerra, a que se seguiu uma greve em que mais de 10 milhões de trabalhadores cruzaram os braços exigindo melhores condições de trabalho, e que só terminou com a convocação de eleições gerais.

Emídio Gomes

Breves notas sobre o Ensino Superior

A proposta de redução do valor das propinas pagas pelos alunos do Ensino Superior merece uma reflexão cuidada, face à importância que este setor tem na formação dos futuros responsáveis pelos destinos do país. A ação do Estado, na sua relação com os estudantes, deve orientar-se, predominantemente, no sentido de garantir a existência de um sistema de que permita o acesso ao Ensino Superior e a sua frequência a todos os estudantes. Teoricamente, a ação social garante que nenhum estudante será excluído do subsistema do Ensino Superior por incapacidade financeira, promovendo, assim, o direito à igualdade de oportunidades de acesso, frequência e sucesso escolar.