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Emídio Gomes

A sonhar com um país melhor

Coincide este artigo com o primeiro dia de um novo ano e início de uma década. Momento simbólico, em que renovamos desejos e sonhos de dias melhores. Vivo hoje num país diferente, para melhor, do que aquele que conheci durante a minha infância e juventude. Onde o acesso à saúde, à educação e habitação condigna, entre outros, eram privilégio de uma parte minoritária da população. É por isso razoável e justo que a análise prospetiva tenha em conta o enorme avanço civilizacional que o Portugal democrático representa. O que não nos deve impedir de perceber o que correu menos bem e desejar, ou sonhar, a sua correção.

Emídio Gomes

Há algo de errado nisto tudo!

Tenho sempre dificuldade em entender a maioria das greves. Durante 35 anos de vínculo ao Estado, registo um único dia de greve, algures durante o ano de 1994: a então ministra da Educação, pessoa de bem, mas sempre com uma gritante falta de jeito, resolveu insultar os docentes universitários, a propósito das suas possíveis motivações. No dia seguinte, fiz questão de registar a minha adesão à greve, permanecendo, no entanto, a trabalhar durante todo esse dia. Não gosto desta forma reivindicativa sistemática de um qualquer direito. Não tenho grande apreço pela atividade dos sindicatos, onde nunca estive inscrito, ainda menos pelas suas ligações cruzadas aos partidos de uma esquerda instável e cada vez mais difusa.

Emídio Gomes

A floresta e a comunicação

No momento em que passam dois anos sobre um trágico dia de 2017, somos inundados com uma profusão noticiosa multifacetada, em que o reavivar da dor das famílias se mistura com limpeza de matas, entrevistas à saída das missas, eventuais irregularidades no processo de reconstrução de casas ou a aquisição da rede "SIRESP" pelo Estado. Numa espécie de miscelânea de temas, que pouco ou nada acrescentam à necessidade de uma floresta mais ordenada e que represente um verdadeiro centro de desenvolvimento económico e social.

Emídio Gomes

Gosto muito do meu cão e não voto no PAN

Desde que me conheço como gente que adoro cães. Ainda hoje tenho memórias longínquas e ténues de um pequeno rafeiro que era a minha sombra em criança. Contava a minha avó que enquanto eu dormia ele encostava o seu ouvido ao meu corpo para sentir o meu respirar. Foi o meu primeiro grande desgosto, quando um dia não resistiu a um atropelamento por um carro. Ainda hoje tenho muitas saudades do meu galgo, que criei e treinei desde muito pequeno e que esperava ansioso pelo meu regresso a casa em cada fim de semana, no tempo de universidade fora do Porto. Não era o ruído, mas o "cheiro do dono" que lhe motivava uma prévia alegria descontrolada. De facto, a capacidade de olfato dos cães é muito superior à dos humanos, devido ao facto de terem 30 a 50 vezes mais glândulas odoríferas!

Emídio Gomes

Uma oportunidade e um desafio

Pese o enorme crescimento verificado ao longo das últimas décadas, Portugal continua a apresentar indicadores modestos na relação do número de jovens que acedem e frequentam o Ensino Superior. De facto, continuamos com valores inferiores a 50% no que concerne à população na faixa etária dos 18 anos que acede ao Ensino Superior, o que faz com que no intervalo dos 20 aos 24 anos o país tenha uma taxa de frequência de 37%, valor percentual seis pontos inferior à média da União Europeia.