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Emídio Gomes

O frenesim territorial

Não há ciclo político neste século em que o Governo em exercício não intente uma alteração do mapa da organização territorial definido pelo seu antecessor. Na década de 90 apenas se assistiu à criação das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto em 1991, definidas como pessoas coletivas de âmbito territorial visando a prossecução de projetos ligados à coordenação supramunicipal de investimentos públicos, ordenamento do território e mobilidade. A partir daí tivemos a Lei 10/2003, na qual o Governo estabeleceu as Grandes Áreas Metropolitanas, para aglomerados urbanos com mais de 350 mil habitantes, complementadas com as Comunidades Urbanas, para os casos que que esse valor era superior a 150 mil habitantes. No Governo seguinte apareceu a Lei 45/2008, que estabeleceu um novo mapa, agora de novo só com duas áreas metropolitanas, complementadas por uma rede territorial de Comunidades Intermunicipais. Com a mudança de Governo, o mapa voltou a ser redesenhado através da Lei 75/2013, desta vez sem alterações substanciais de conceito. A maior das alterações ocorreu ao nível da extinção e fusão de freguesias, através das leis 22/2012 e 11-A/2013, processo que ainda hoje não está completamente consolidado.

Emídio Gomes

A esperança sempre renovada

Entre julho e setembro de cada ano uma parte muito significativa dos nossos jovens e suas famílias vivem uma fase importante das suas vidas, em resultado dos exames nacionais do final do Ensino Secundário e consequente concurso para ingresso no Ensino Superior. É neste grupo da população que o país deposita um grande capital de esperança, porque a lógica simples da lei da vida impõe naturalmente que muito do que acontecerá no futuro dependerá do seu desempenho social e profissional. Por isso percebemos porque é que os países que se querem manter no topo no desenvolvimento económico e social têm na formação superior, associada ao investimento em ciência e inovação, uma das suas maiores preocupações. Não é por acaso que os países que lideram os rankings de competitividade e qualidade de vida têm indicadores elevados nestes domínios.

Emídio Gomes

A caixa no caminho das pedras

Como registo prévio de interesses devo dizer que nasci e cresci no Porto, cidade que também tive o privilégio de poder escolher para viver. Mas sobretudo pelo trabalho profissional que desenvolvi nas últimas dezenas de anos, tenho em mim há muito enraizado uma forte convicção da importância do desenvolvimento global integrado do território, como um dos mais importantes desígnios nacionais. Há mais de 30 anos que sou profissional da Universidade do Porto, colaborei com honra com a Universidade Católica e com a Universidade do Minho, da mesma forma que aceitei agora o desafio de liderar a área da investigação e inovação da Universidade de Trás-os-Montes. Cada projeto é sempre o mais importante, em nome do desenvolvimento coletivo e solidário da região e do país.

Emídio Gomes

A lei da gravidade num mundo plano

O articulista do "New York Times" e vencedor de três prémios Pulitzer, Thomas Friedman, foi pioneiro no estudo e análise da globalização, com ênfase nos seus efeitos numa economia das ligações e conexões globais, que transformaram radicalmente as referências habituais de distância, tempo e trabalho. Evidenciando a ideia de um mundo plano, em que o estabelecimento de redes potenciou o aparecimento de novos players como a China ou a Índia, Friedman tenta passar a mensagem do contributo potencial da nova globalização para um mundo mais igualitário, baseado na circulação massiva da informação.

Emídio Gomes

De regresso à inovação

A recente passagem por Portugal da chanceler alemã Angela Merkel teve como ponto de referência a visita ao centro de I&D da Bosch Car Media, situado em Braga e resultado de uma parceria estabelecida por esta multinacional com a Universidade do Minho. Este caso mostra de forma evidente que a base de conhecimento científico de que já dispomos em Portugal, nas unidades de I&D e nas instituições de Ensino Superior, tem um potencial de valor económico muito elevado, mas ainda explorado de forma insuficiente. O financiamento da I&D está ainda muito focalizado na oferta, com reduzida orientação para o desenvolvimento da inovação das empresas portuguesas. Existe ainda uma clara falha no que respeita a investimento adequado nas fases de validação da inovação, bem como de competências de gestão e capacidade de interpretar as necessidades do mercado. As estruturas de licenciamento de resultados de investigação existentes são, na sua maioria, pouco eficazes no aproveitamento do stock de conhecimentos. A capacidade de apoiar estas estruturas através de parcerias com as empresas, nomeadamente em projetos internos e, ou, externos de maior dimensão, é também ela própria uma questão estratégica de sustentabilidade. Os estímulos para que durante o percurso universitário, professores e, ou, investigadores dediquem parte do seu percurso em trabalho em ambiente empresarial não existem, ou são negativos. É importante valorizar disposições legislativas que facilitem a incorporação de investigadores públicos no setor privado e dar uma maior importância curricular às atividades de transferência de tecnologia.

Emídio Gomes

Bem hajam os que acreditam!

O Movimento pelo Interior realizou na última sexta-feira a apresentação pública das medidas que propõe para a revitalização socioeconómica dos territórios mais desfavorecidos, também designados de baixa densidade, que constituem a maior e mais desfavorecida parte do todo nacional. O local escolhido não podia ser mais emblemático, o Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, com origem na fase final da monarquia, ela própria símbolo de um país macrocéfalo e desequilibrado.