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Emídio Gomes

A floresta e a comunicação

No momento em que passam dois anos sobre um trágico dia de 2017, somos inundados com uma profusão noticiosa multifacetada, em que o reavivar da dor das famílias se mistura com limpeza de matas, entrevistas à saída das missas, eventuais irregularidades no processo de reconstrução de casas ou a aquisição da rede "SIRESP" pelo Estado. Numa espécie de miscelânea de temas, que pouco ou nada acrescentam à necessidade de uma floresta mais ordenada e que represente um verdadeiro centro de desenvolvimento económico e social.

Emídio Gomes

Gosto muito do meu cão e não voto no PAN

Desde que me conheço como gente que adoro cães. Ainda hoje tenho memórias longínquas e ténues de um pequeno rafeiro que era a minha sombra em criança. Contava a minha avó que enquanto eu dormia ele encostava o seu ouvido ao meu corpo para sentir o meu respirar. Foi o meu primeiro grande desgosto, quando um dia não resistiu a um atropelamento por um carro. Ainda hoje tenho muitas saudades do meu galgo, que criei e treinei desde muito pequeno e que esperava ansioso pelo meu regresso a casa em cada fim de semana, no tempo de universidade fora do Porto. Não era o ruído, mas o "cheiro do dono" que lhe motivava uma prévia alegria descontrolada. De facto, a capacidade de olfato dos cães é muito superior à dos humanos, devido ao facto de terem 30 a 50 vezes mais glândulas odoríferas!

Emídio Gomes

Uma oportunidade e um desafio

Pese o enorme crescimento verificado ao longo das últimas décadas, Portugal continua a apresentar indicadores modestos na relação do número de jovens que acedem e frequentam o Ensino Superior. De facto, continuamos com valores inferiores a 50% no que concerne à população na faixa etária dos 18 anos que acede ao Ensino Superior, o que faz com que no intervalo dos 20 aos 24 anos o país tenha uma taxa de frequência de 37%, valor percentual seis pontos inferior à média da União Europeia.

Emídio Gomes

Da COTEC à convenção nacional do Ensino Supeior

O aparecimento da COTEC-Portugal em abril de 2003, com grande empenho da Presidência da República, representou um sinal da aposta na inovação como fator de mudança na competitividade global do país. Juntou-se o que havia de melhor, com ênfase no facto da primeira lista de associados fundadores representar cerca de 20% do PIB. O primeiro grande projeto escolhido pela COTEC foi a da aposta na floresta, da sua reestruturação ao combate aos incêndios. Seguiram-se outros desafios e, sobretudo, os momentos simbólicos das convenções. Passados 16 anos, mesmo com uma avaliação benevolente, temos a sensação de o seu impacto estar um pouco aquém das expectativas criadas.

Emídio Gomes

E ainda estamos em janeiro

Os acontecimentos do Bairro da Jamaica, classificados pelo município como incidente pontual entre forças de segurança e uma população pacífica e trabalhadora, ou como brutal e xenófoba intervenção policial pelo do Bloco de Esquerda, mostrou uma realidade deprimente, sem condições mínimas de dignidade e bem-estar exigíveis a um país da União Europeia, a escassos quilómetros das centenas de milhões gastos na promoção de obras públicas. O incidente alastrou à própria Assembleia da República, com o primeiro-ministro, António Costa, a perder a compostura, acusando a líder centrista de o questionar daquela forma por causa da sua cor de pele! Sendo evidente que Assunção Cristas tem o condão de irritar o líder do Governo, que até lhe poderia apontar alguma tendência para um comportamento "popularucho", não é seguramente alguém com tendências racistas ou xenófobas.

Emídio Gomes

As banalidades do presente e o futuro

É sempre difícil distinguir como é que os acontecimentos de cada dia, sobretudo os seus impactos, condicionam e moldam a nossa forma de estar e o futuro. Admitindo, como diz Ortega y Gasset, que haverá sempre tantas realidades quantos os pontos de vista, sendo que são estes que nos criam um panorama, podemos pretender ser o que queremos, mas que não será lícito fingir que somos o que não somos. É óbvio que os últimos tempos têm dado um grande suporte a esta dimensão do pensamento estruturado.

Emídio Gomes

O cartão dos amarelos

É longa a história da França a liderar movimentos caracterizados por grande convulsão política e social. Recuando à revolução francesa de 1789, a ignição teve origem nos mais de 98% de pobres que trabalhavam para sustentar a corte e o núcleo de pessoas ligadas a cargos na igreja e na nobreza, que consumiam riqueza e estavam isentos de impostos. Sendo também históricas as lutas operárias do final do século XIX, a sua radicalidade e o aparecimento dos movimentos anarquistas associados. Da história recente retemos o movimento de maio de 1968, que começando no protesto dos estudantes de uma universidade contra a divisão dos dormitórios, evoluiu rapidamente para a exigência da renúncia do presidente Charles de Gaulle, considerado como um conservador. Tudo suportado num conjunto de manifestações que rapidamente transformaram Paris num teatro de guerra, a que se seguiu uma greve em que mais de 10 milhões de trabalhadores cruzaram os braços exigindo melhores condições de trabalho, e que só terminou com a convocação de eleições gerais.