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Inês Cardoso

O dote da noiva

As conturbadas relações à esquerda têm suscitado as mais criativas metáforas e no arranque de uma nova legislatura Rui Rio escolheu a rábula do enxoval da noiva. Talvez a imagem mais adequada seja a do dote, o preço que o noivo tem de pagar para satisfazer as exigências da noiva. Na tentativa de conter reivindicações, António Costa e Augusto Santos Silva argumentam que a Esquerda está comprometida e que falhar seria uma "traição" ao eleitorado. O PS é uma espécie de defensor do poliamor que exige fidelidade a cada uma das parceiras.

Inês Cardoso

Um petardo na campanha

Tem sido o mantra do PS em sucessivos abalos. "À política o que é da política. À justiça o que é da justiça." O PSD de Rui Rio parecia seguir idêntico caminho, quando subitamente o caso Tancos o fez dar uma pirueta. De forma estrondosa, a acusação do processo aterrou em plena campanha e originou acutilantes provocações do líder social-democrata, tentando levar o primeiro-ministro a justificar-se sobre o que sabia ou não sabia da gestão que o ex-ministro Azeredo Lopes fez da ação da Polícia Judiciária Militar.

Inês Cardoso

Matar parte do país

O dossiê do Infarmed é o exemplo perfeito de como em política é possível dizer-se uma coisa hoje, o contrário amanhã e ainda o avesso do contrário no dia seguinte, passando tranquilamente por entre os pingos da chuva. O que começou por ser anunciado como facto consumado tornou-se matéria de estudo, acabando numa desistência disfarçada de pausa: para não ter de admitir que recuava, o Governo remeteu o assunto para a Comissão Independente para a Descentralização.

Inês Cardoso

Por todas as mulheres

Foi com duas palavras em português que Brigitte Macron se dirigiu aos milhares de brasileiros que nas redes sociais lançaram a campanha #DesculpeBrigitte. "Muito obrigada", pronunciou a primeira-dama francesa. Já em francês, explicou o porquê de se ter sentido comovida. "É por todas as mulheres. Todas as mulheres se viram afetadas. As coisas estão a mudar. Todas as pessoas devem estar conscientes disso. Há coisas que já não se podem dizer e coisas que não se podem mais fazer".

Inês Cardoso

A intolerância de Salvini

"Eu não quero uma Itália escrava de ninguém." A frase é de Matteo Salvini, no dia em que o primeiro-ministro Giuseppe Conte anunciou a sua demissão, e nas entrelinhas "ninguém" deve ler-se União Europeia. O líder da Liga, que há 15 meses é o número dois do Governo, quer mais. Aspira a plenos poderes e já demonstrou que a sua noção de liderança é capaz de atropelar colegas de coligação, tribunais e instituições europeias, pondo em causa vidas humanas, se necessário for.

Inês Cardoso

Um recuo que é uma derrota

Para consumo interno, foi posta a circular a tese de que Mário Centeno não desistiu da corrida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas ao anunciar que se retirava da votação de ontem fez um mero "recuo estratégico". Ou seja, o Governo estaria convicto de que não seria possível obter já um consenso e, preservando o nome do ministro português do desgaste do processo de escolha, estaria a prepará-lo para um momento posterior de negociação e consensualização política.