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Inês Cardoso

Matar parte do país

O dossiê do Infarmed é o exemplo perfeito de como em política é possível dizer-se uma coisa hoje, o contrário amanhã e ainda o avesso do contrário no dia seguinte, passando tranquilamente por entre os pingos da chuva. O que começou por ser anunciado como facto consumado tornou-se matéria de estudo, acabando numa desistência disfarçada de pausa: para não ter de admitir que recuava, o Governo remeteu o assunto para a Comissão Independente para a Descentralização.

Inês Cardoso

Por todas as mulheres

Foi com duas palavras em português que Brigitte Macron se dirigiu aos milhares de brasileiros que nas redes sociais lançaram a campanha #DesculpeBrigitte. "Muito obrigada", pronunciou a primeira-dama francesa. Já em francês, explicou o porquê de se ter sentido comovida. "É por todas as mulheres. Todas as mulheres se viram afetadas. As coisas estão a mudar. Todas as pessoas devem estar conscientes disso. Há coisas que já não se podem dizer e coisas que não se podem mais fazer".

Inês Cardoso

A intolerância de Salvini

"Eu não quero uma Itália escrava de ninguém." A frase é de Matteo Salvini, no dia em que o primeiro-ministro Giuseppe Conte anunciou a sua demissão, e nas entrelinhas "ninguém" deve ler-se União Europeia. O líder da Liga, que há 15 meses é o número dois do Governo, quer mais. Aspira a plenos poderes e já demonstrou que a sua noção de liderança é capaz de atropelar colegas de coligação, tribunais e instituições europeias, pondo em causa vidas humanas, se necessário for.

Inês Cardoso

Um recuo que é uma derrota

Para consumo interno, foi posta a circular a tese de que Mário Centeno não desistiu da corrida ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas ao anunciar que se retirava da votação de ontem fez um mero "recuo estratégico". Ou seja, o Governo estaria convicto de que não seria possível obter já um consenso e, preservando o nome do ministro português do desgaste do processo de escolha, estaria a prepará-lo para um momento posterior de negociação e consensualização política.

Inês Cardoso

Noa não morreu sozinha

O caso começou por lançar o debate sobre a eutanásia. Noa Pothoven, uma jovem holandesa de 17 anos, decidiu pôr fim à vida, depois de anos a sofrer de stress pós-traumático, depressão e anorexia, em consequência de repetidos abusos e violações de que foi vítima em criança. "Depois de anos de luta, a minha luta terminou", escreveu ao anunciar que ia morrer. O ministro da Saúde holandês veio entretanto a público esclarecer que a morte de Noa não resultou de um caso legalmente autorizado de eutanásia, remetendo respostas para um inquérito em curso.

Inês Cardoso

Espreitar pela fechadura

Verónica, 32 anos, funcionária na fábrica da Iveco, em Madrid. Há uma semana, a 25 de maio, enforcou-se. Sentiu-se encurralada quando um vídeo sexual gravado cinco anos antes, que circulava há várias semanas entre os colegas, chegou até ao marido. Já tinha procurado apoio dos Recursos Humanos e ponderado fazer queixa na Polícia, mas receou que uma investigação apenas servisse para ampliar o caso. Comentou que já não aguentava os risos e dedos apontados. Não aguentou.