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Rui Sá

Gente ridícula

Tratava Lino Lima, grande antifascista, advogado e deputado do PCP por "tio", apesar de, de facto, não o ser. Mas foi assim que nos habituámos a tratar os amigos dos meus pais com quem tínhamos mais familiaridade. Foi, para mim, na altura um adolescente, uma fonte de aprendizagem e um exemplo de coerência, guardando com respeito e alegria as memórias de conversas que tivemos e onde as gargalhadas (porque o seu sentido de humor era ímpar!) assentavam, sempre, arraial - leia-se o seu livro de memórias, "Romanceiro do Povo Miúdo", escrito sob o pseudónimo de José Ricardo, para apreender o quanto lutou contra a ditadura e o quanto sofreu na pele a coragem dessa luta. Mas há uma frase dele, já do final da sua vida, que recordo com particular emoção. Dizia ele (talvez não por estas exatas palavras): se por qualquer acaso, começar a dizer asneiras e a fazer coisas que ponham em causa o percurso da minha vida, metam-me vidro moído na sopa para não passar por essa vergonha!

Rui Sá

A trabalhar com os pés para a cova

Foi esta semana notícia a apresentação de um estudo, encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos a um grupo de investigadores do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que defende o aumento, já em 2025, da idade de reforma para os 69 anos. São cíclicos os estudos que apontam para a "inevitável falência" do sistema público de Segurança Social. Que se baseiam em dois factos facilmente compreensíveis: por um lado, o aumento da esperança de vida média dos portugueses (o que faz com que aufiram mais anos da reforma) e, por outro lado, com a diminuição da natalidade, o que fará com que haja menos população ativa e, consequentemente, menos pessoas a descontar para a Segurança Social.