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Rui Sá

A Festa

Como manda a tradição, escrevo este texto a partir do Seixal, onde participo, mais uma vez, na Festa do Avante! E, sabendo ao que vim - só não participei em 5 das 40 edições -, surpreende-me sempre como ela se apresenta renovada e diferente. Durante anos, quando a Festa andava com a casa às costas, passando da FIL, em Lisboa, para o Jamor, daqui para o Alto da Ajuda, mais tarde para Loures e depois para a Amora, no Seixal, a mudança de local contribuía, por si só, para fazer uma Festa diferente. Mas, depois de tantos anos no atual espaço (apesar do alargamento da área que ocorreu há três anos com a incorporação do terreno da Quinta do Cabo), a Festa continua a surpreender. São as mudanças de localização dos vários pavilhões, é a notória e sistemática melhoria das condições proporcionadas aos visitantes, são as inovações que se vão introduzindo (este ano o espaço internacional transbordou para terrenos adjacentes), são os temas das exposições e a arquitetura e decoração dos pavilhões, são os artistas que mudam, apesar de haver os "habitués". E, naturalmente, o contexto político em que se realiza e a idade com que participámos, porque cada ano é... um ano.

Rui Sá

O bloco central no seu melhor

Já aqui escrevi sobre o chamado "pacote da descentralização", que resulta de um acordo entre o PS e o PSD e que constitui uma inadmissível transferência de competências para os municípios sem a correspondente transferência de meios humanos, técnicos e financeiros. Transferências que, em muitos casos, colocam os municípios ao serviço da administração central, dado que ficam responsáveis por garantir as condições e os custos para que, a nível central, possam assumir a gestão...

Rui Sá

Tropa outra vez?

No passado dia 30 de julho estava a almoçar quando apareceu no restaurante um colega de faculdade, com dois filhos, que teve a amabilidade de me fazer companhia. Da conversa fiquei a saber que um dos "miúdos" tinha optado por frequentar a Academia Militar, influenciado por um familiar, também militar, e pela vida. A conversa trouxe-me recordações, distantes, dado que, no dia seguinte, fazia 29 anos do dia em que me apresentei no então chamado RIF/DT - Regimento de Infantaria de Faro/Destacamento de Tavira para cumprir o Serviço Militar Obrigatório. Nessa incorporação para o então designado CEOM - Curso Especial de Oficiais Milicianos apresentamo-nos, para além de muitos outros, sete dos 57 licenciados em Engenharia Mecânica de 1988 pela FEUP (na altura as mulheres não iam à tropa...), sendo que outros tinham sido incorporados antes. Estava a trabalhar há praticamente um ano e ganhava, na altura, 90 contos (450 euros, mas bem mais a preços correntes...) que permitiam que já tivesse "juntado os trapinhos". Como soldado cadete, passei a ganhar creio que 2,9 contos - mas com direito a farda, comida e "cama lavada". Depois de 3 meses de recruta e de especialidade, lá passei a Aspirante a Oficial Miliciano, ficando colocado na Escola Prática de Serviço de Material, em Sacavém, às portas de Lisboa - o meu salário (que se chamava pré) passou a 30 contos (150 euros). Foi o que recebi durante o ano que fiquei por Sacavém.

Rui Sá

O pior cego é o que não quer ver

Numa sessão da Assembleia Municipal do Porto, que se realizou em meados de junho, tive a oportunidade de alertar para a degradação do estado de limpeza da cidade. Sempre com o cuidado de considerar que as críticas pelo (mau) estado de limpeza se devem fazer, fundamentalmente, a quem suja (e não a quem limpa!), não pude deixar de referir que havia incompetência municipal (no caso da nova Empresa Municipal de Ambiente) pelo facto de ter assumido a limpeza da cidade antes de ter os meios humanos e técnicos necessários a essa tarefa - com a agravante de, durante os últimos 12 anos (8 de Rio e 4 de Rui Moreira), com a concessão dos serviços de limpeza a privados, se ter destruído o "saber fazer" e a experiência existentes nos serviços municipais.

Rui Sá

"O Partido"

Sou dos que sofrem quando assistem à saída de alguém do meu partido - o PCP. Porque acho, sempre, que nunca seremos demais para concretizar o projeto que nos une. E porque fico, muitas vezes, com a sensação de que em vez de darmos a mão a pessoas em processo de dúvidas e hesitações (tantas vezes legítimas e compreensíveis neste complexo processo de construção de uma nova sociedade), utilizamos essa mesma mão para os empurrarmos definitivamente. Muitos deles, pelo percurso que depois fazem (ou que já vinham a fazer no interior do próprio partido...) dão razão a esse afastamento e, confesso-o, fazem-me pensar: ainda bem que saíram! Outros há que, depois, vejo a prosseguirem carreiras políticas noutros partidos, negando, com veemência, o que antes defendiam, mas movendo-se, apenas, por ambições pessoais e carreirismo - o que os desmascara. Outros, afastando-se, mantêm o respeito pelo partido, pelos seus ex-camaradas e por si próprios.