Imagens

Últimas

Rui Sá

A Esquerda do PS

Numa mesa-redonda em que participei em fevereiro tive a oportunidade de dizer a Tiago Barbosa Ribeiro, ativo deputado do PS e que frequentemente se senta ao meu lado na Assembleia Municipal do Porto, que acreditava no seu pensamento estruturado de homem verdadeiramente de Esquerda. O problema é que não acreditava que esse seu pensamento fosse maioritário no PS, mais concretamente na sua direção. Em particular, disse-lhe que algumas políticas (talvez sejam mais medidas) de Esquerda se devem à correlação de forças decorrente das eleições de 2015 e menos à vontade própria de ministros, muitos dos quais vêm do socratismo e de tudo o que de negativo lhe diz respeito em matéria de implementação de políticas de Direita.

Rui Sá

Parabéns JN

Comemorar os 130 anos do JN é recordar a importância que o jornal tem nas nossas vidas. Era o jornal que se lia lá em casa na minha meninice e que era deixado, ainda de madrugada, no tapete da porta por uma ardina de ar cansado e envelhecido. Que, no final do mês, como precursora dos princípios da economia circular, passava por lá a recolher os jornais (ou os restos deles, que muitas vezes eram utilizados para envolver os tachos para terminar a cozedura do arroz...), que punha à cabeça para transportar para o farrapeiro. E recordo, com saudade, a competição com o meu irmão Tocas pela antecipação na abertura da porta para, ao fim de semana, ter o prazer de ser o primeiro a ler o jornal na cama... Ou de como me entusiasmavam as "tiras" de banda desenhada com a Lola e o Dick o Goleador......

Rui Sá

Memórias de uma falsificadora

Tive a oportunidade, na passada sexta-feira, de assistir, na Universidade Popular do Porto, à apresentação do livro Memórias de uma falsificadora - a luta na clandestinidade pela liberdade em Portugal, de Margarida Tengarrinha. Com a presença da autora que, hoje com 90 anos, fascina pela lucidez, pela energia e pelo otimismo contagiante. Quem a vê, a contar, com um brilhozinho nos olhos, que está prestes a concretizar o sonho de fazer um voo de parapente não pode deixar de se comover com esta imensa alegria de viver, sabendo tudo o que passou. É que Margarida Tengarrinha, com 27 anos, passou à clandestinidade como funcionária do PCP. Uma opção que se seguiu à sua expulsão da Escola de Belas Artes de Lisboa e à proibição de lecionar em qualquer escola pública do país - em consequência do seu ativismo político. Foi na clandestinidade que passou a provação do assassinato do seu marido José Dias Coelho pela PIDE, com um tiro à queima-roupa, numa rua de Alcântara - assassinato que inspirou a canção de Zeca Afonso, "A morte saiu à rua". Margarida que, mesmo com essa indescritível dor, não soçobrou, continuando a luta clandestina. Onde assumiu, entre várias tarefas, a de "falsificadora". Que mais não foi a de, recorrendo ao seu talento artístico e gráfico, forjar documentos de identificação falsos que permitiam aos seus camaradas clandestinos ter um disfarce que possibilitasse a sua ação política. Margarida, com lucidez, disse que a História é feita de muitas "historinhas". E das várias que contou retenho a que descreveu como "a sua saída da clandestinidade". Contou que, pouco depois do 25 de Abril (que a apanhou no Porto) passava em Matosinhos num jardim onde havia um coreto e viu que, no cimo do mesmo, estavam a falar Emídio Guerreiro (depois fundador do PSD) e Cal Brandão (fundador do PS), além de outra pessoa que não conhecia. Pensou que não era admissível que não falasse alguém do PCP. Pelo que se dirigiu ao senhor que não conhecia e disse que também queria falar. Ao que esse senhor lhe perguntou quem era, tendo ela dado o seu nome e dito que era comunista. Esse senhor, que logo a mandou subir para o coreto, era César Príncipe, também comunista e ex-jornalista do JN, e que, a partir daí, passou a dizer que foi ele "que a retirou da clandestinidade"... Obrigado Margarida por tudo o que fizeste e fazes!