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Vítor Santos

#mulheres

A FIFA pede para as estações de televisão evitarem transmitir imagens de mulheres bonitas nas bancadas, devido às queixas de sexismo apresentadas durante o Mundial de futebol, na Rússia. Quando estamos a assistir a um evento desportivo, as imagens do público são quase sempre o que menos importa e, assim sendo, pode nem fazer grande diferença. Mas peca por defeito. Nesse caso, também as mulheres feias são dispensáveis, bem como os homens, mais ou menos esbeltos. Depois, há o conceito de bonito. Aquela que é uma bela mulher para mim, pode ser feia para o operador de câmara, ou vice-versa. E o mesmo se aplica aos homens. A FIFA também é, portanto, discriminatória e sexista. A não ser que haja aqui rabo escondido com outro Mundial de fora: dentro de quatro anos, o torneio será disputado no Qatar, onde as senhoras andam, normalmente, mais preenchidas com roupa do que os astronautas nos passeios espaciais, e a intenção pode muito bem ser desabituar os telespectadores. Pensando melhor, o pedido da FIFA nada deve ter a ver com o Mundial do Qatar, nem sequer com as senhoras, porque, se estivessem realmente preocupados com as mulheres, os patrões do futebol não aceitariam realizar o evento em países onde, em muitos casos, elas são privadas de direitos fundamentais e tratadas abaixo de camelo.

Vítor Santos

Itália à espera de Ronaldo

A saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid projetou um certo sentimento antimadridista em Portugal, o que faz tanto sentido como a histeria em redor do clube espanhol vivida durante os últimos nove anos no nosso país. É normal uma parte significativa dos portugueses vibrar com as vitórias da maior estrela do desporto nacional - e simultaneamente compatriota mais famoso além-fronteiras na atualidade -, ainda mais tratando-se de alguém como a agora estrela do campeonato italiano, que não esquece as origens. Mas o resto tresanda a idolatria de trazer por casa, e nalguns casos, mais raros, a bajulice interesseira. Sejamos claros: Cristiano vai continuar a carreira na Juventus por vontade própria, o Real Madrid encaixa 100 milhões de euros - o que tem isto de anormal neste futebol há muito transformado numa indústria de milhões? Nada, nem Ronaldo tem culpa disso, obviamente. Mas não encontro motivos para esta comoção do adeus. E sou um admirador incondicional do madeirense, pelo talento, pela capacidade de trabalho, pela persistência, pelos feitos incomparáveis e, arrisco, inultrapassáveis.

Vítor Santos

#Neymar

João Vieira Pinto e Paulo Futre moveram montanhas de paixão na relva. Foram amados por adeptos de Benfica, Sporting e F. C. Porto. Vão continuar a ser admirados como encantadores de plateias, mestres do drible, incorrigíveis do golo. Foram transportadores de esperança, verde, azul, vermelha, e a glória ergueu-os até ao estatuto, tão raro, de heróis do povo da bola, daqueles que todos gostam, independentemente das cores clubísticas. São gémeos na diferença, porque eram iguais, dois bons malandros, à maneira de Mário Zambujal. João Vieira Pinto e Paulo Futre foram, lá está, os melhores que conheci nas fintas aos árbitros com mergulhos convincentes dentro da grande área. Tantos juízes enganados, aconteceu mesmo assim, mas até isso foi emoção e festa, porque, normalmente, o penálti dá em golo. Estão, portanto, perdoados. Mas ninguém perdoa a Neymar. Nem eu, que repliquei uma engraçada provocação numa rede social. Estou arrependido da minha maldade, ainda que não tenha importância nenhuma. Este brasileiro, que ontem foi para casa em lágrimas, merecia ter ficado até ao fim no Campeonato do Mundo. Ninguém cai como Neymar, mas também poucos encantam, lutam e choram como ele pela honra do Brasil. Merecia mais tempo na Rússia - onde a festa verde e amarela desse incrível povão vai fazer falta. Ficamos, ansiosos, à espera do próximo penteado.

Vítor Santos

#osdiasdotrovão

Sepúlveda não se vai aborrecer comigo, mas o céu é uma tela infinita borratada a cinza-escuro. Só os raios abrem brechas de luz, em intervalos de tempo perfeito, impossíveis de serem contados ao relógio, porque quando aqui estamos deixa de haver tempo. Mas é perfeito, tenho a certeza. De cada vez que rompem o horizonte, a anunciar o trovão, é como se víssemos a terra rasgar-se em dois. É um terramoto no céu, neste céu, agora agreste, de Trás-os-Montes. De repente, já chove a cântaros, uma chuva parece-que-nem-molha, porque os sentidos estão todos alinhados no espetáculo que o trovão trouxe. Não sabes se estás bem, se estás mal, se estás mais ou menos. Só sabes que isto não pode ser por acaso, que vai acontecer alguma coisa. Não sabes se é uma coisa boa, se é uma coisa má, se é uma coisa mais ou menos. Mas sabes que a Natureza não te vai deixar a seco só com a chuva. E toca o telefone: "O Leça subiu". E voltas a sorrir. E ligas aos filhos, mandas mensagem aos amigos mais queridos. Porque são as tuas cores, as dos teus irmãos, as dos teus pais, o verde da vida e o branco da luz naquela camisola. Entretanto, o trovão vai embora. Olhas à volta e só vês um céu azul, recortado pela montanha, e o verde na terra. Estas são as cores de Trás-os-Montes, aquelas que uma regionalização que não chega nunca poderá apagar, ainda sem turistas em bando a esquartejarem-lhe a alma. Há dias assim, em que só despertamos com a chegada do raio do trovão.

Vítor Santos

Descentralizar a custo zero

A ideia de manter as cantinas escolares abertas durante as férias da Páscoa e do Natal apresenta-se como uma boa decisão do Governo. A importância do apoio das escolas, sobretudo, aos alunos mais carenciados, assume especial relevância, contribuindo para reparar assimetrias sociais que não deixam ninguém indiferente. Mas a decisão, avançada na edição de ontem do "Jornal de Notícias" e que o Executivo de António Costa pretende colocar em vigor já no próximo ano letivo, levanta ondas de preocupação junto dos autarcas, uma vez que a gestão dos refeitórios das escolas públicas compete, e bem, às câmaras.

Vítor Santos

#tourada

A Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) considera que as touradas são "parte integrante da herança cultural lusa". Nem vou questionar se está certo ou errado. Mas com o perigo fascista à espreita um pouco por toda a Europa, temo, por exemplo, pelos inimigos dos italianos, esse povo que, enquanto devoto de Roma, durante séculos se divertiu, em anfiteatros solarengos, a ver leões a comer pessoas - se as tradições devem ser acarinhas, tudo é possível. A realidade é que nem todas as tradições merecem ser preservadas, ou os fanáticos da Inquisição passam a ter legitimidade para, um dia destes, reclamar o regresso da fogueira. O parecer da ERC surge porque não falta quem entenda que aquela espécie de dança covarde de espetar ferros em touros não deve passar em horário nobre na televisão. Esta situação, confesso, já não me causa tanta comichão. Porque a oferta de canais é cada vez maior e a generalidade dos jovens, das crianças até, não tem qualquer dificuldade de acesso a cerimoniais mais violentos através de plataformas várias, sendo praticamente impossível blindá-las a tempo inteiro. Ou seja, já não vamos lá com projetos de lei. Nem os partidos devem mandar nos conteúdos da televisão. Mas devemos educar. Se o fizermos sem fanatismos, a maioria acabará por perceber que não faz sentido tratar mal os animais, acabando a opção de transmitir touradas por ser dinamitada pela ditadura das audiências.

Vítor Santos

#tolerânciazero

Multar as ambulâncias do INEM por excesso de velocidade é uma bela ideia, muito típica de países como Portugal, onde quase sempre o absurdo supera o bom senso. Se a malta que nos trata da saúde chegar tarde, por exemplo, ao local das ocorrências, é óbvio que a probabilidade de os sinistrados morrerem aumenta, poupando-se nos tratamentos. Simultaneamente, estamos a alavancar o negócios das funerárias, que sempre andou pela hora da morte. Atendendo ao mau estado das contas da Saúde, qualquer pessoa menos atenta pode, até, pensar que estamos perante mais uma ingerência de Centeno. Mas tenho a certeza que não se trata disso. No caso do Ministério das Finanças, a ordem é para cativar, pelo que mais provável seria mesmo nem deixar sair à rua a Polícia ou a GNR, para pouparem nos combustíveis. Certo é que, se a caça à multa continuar, nunca mais ninguém se poderá queixar que a assistência chegou tarde, porque o motorista poderá sempre argumentar que teve de andar a 30 km/h, mesmo sabendo que cinco minutos fazem toda a diferença quando chega a hora de acionar o desfibrilador. Porém, esta tolerância zero com quem salva vidas não encontra paralelo nos que, tantas vezes, nos atrapalham. Basta ver a velocidade a que os carros dos governantes circulam...

Vítor Santos

O pior é sempre possível

Quando devia estar a tratar da preparação da nova época num clima de tranquilidade, o Sporting vive dias complicados e, não obstante o Conselho Diretivo ter dado pistas sobre a composição do plantel para 2018/19, em nova fuga em frente no sentido de tentar passar uma imagem de normalidade, a realidade está longe de ser essa. O futuro do leão parece apontar mais na direção de uma batalha jurídica do que de um ataque certeiro ao mercado. Ainda sem treinador e depois de perder vários jogadores nucleares, vivem-se dias de incerteza e muito penalizadores para uma instituição que merece ser respeitada.