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Vítor Santos

#adultos

As etapas do crescimento físico são muito percetíveis. Já no plano intelectual, é diferente. Um tipo pode ter uns bons 30 anos e ser uma criança. Na parte que se cruza comigo, percebi através da evolução do meu pensamento que só consegui atingir a maturidade depois dos 40 anos. Mantive os traços de personalidade, mas passei a ser, entre outras coisas, mais cuidadoso quando confrontado com o perigo ou a possibilidade de colocar os outros em perigo. Traduzido por factos, há dez anos circulava na estrada, sem qualquer problema, a 150 ou 180 km/h, mas hoje cumpro quase religiosamente os limites de velocidade, não obstante saber que essa prática não me coloca a salvo de um acidente. Ontem, cheio de pressa por uma questão familiar, abri uma exceção e acelerei a fundo. E então descobri como pode a evolução encerrar todo um Everest de perversidade. É inadmissível aceitarmos que alguém desenvolva uma aplicação para nos avisar onde estão os radares. Para podermos, como fiz, acelerar sem limites. Se há coisa que ainda não descobrimos como resolver neste admirável mundo novo da tecnologia é a regulação. E acredito que só seremos verdadeiramente adultos enquanto sociedade no dia em que o conseguirmos ou, no mínimo, fizermos alguma coisa por isso .

Vítor Santos

#Rangel

A possibilidade de um pedófilo ser admitido como funcionário de uma escola seria coisa para indignar um país inteiro. Suponho que também ninguém ficaria satisfeito se a um condutor apanhado com taxa crime de alcoolemia num acidente fosse permitido continuar a guiar. E nem o mais burro dos ricos contrataria um ladrão para lhe guardar os tesouros. Em Portugal, no entanto, é expectável que o pedófilo vá parar ao jardim-escola e o bêbado diplomado, quem sabe, além de conduzir, até poderá dar aulas de condução. Não quer dizer que aconteça, mas é possível, porque são os juízes que condenam os pedófilos, que retiram a carta de condução e que julgam os ladrões. Os mesmos que permitem que Rui Rangel, também ele juiz, mas suspeito de corrupção e de outras manigâncias, possa estar prestes a decidir sobre um dos processos mais importantes da agenda judiciária e do próprio país.

Vítor Santos

Às mulheres o que é de César

Ainda não é uma realidade global, infelizmente, mas acredito que um dia destes deixaremos de andar preocupados com as quotas de mulheres nas diversas atividades. Pelo menos dentro do espaço que nos habituámos a classificar como Primeiro Mundo, onde cada vez mais existe a força da lei para arbitrar e, vá lá, equilibrar a eterna guerra dos sexos. Se a realidade continuar a evoluir neste sentido, a situação vai inverte-se não tarda, o que nem soa a injustiça, atendendo a que, durante longos séculos, a mulher sempre foi subalternizada.

Vítor Santos

#nomes

Se tivesse uma filha, chamava-lhe Esperança, porque seria, em caso de catástrofe, a última a morrer. Mais do que andar atrás dos filhos a toda a hora, de lhes dar boleia a meio da noite, de alimentá-los como a um náufrago que encontra a praia, é importante pesar todos os fatores quando escolhemos um nome. Essa deve ser a primeira preocupação de um pai, atendendo a que sem isso não é possível fazer a criança sócia do clube de coração. Os meus pais, numa horinha iluminada, tiveram a felicidade de me registarem como "Vítor", conferindo-me o privilégio de poder entrar um pouco mais tarde na sala de aula, nos tempos em que a chamada era feita por ordem alfabética. Nem sempre corria bem. Professores havia que controlavam a entrada após o segundo toque. E então lá ficava eu, nariz torcido, muito baixinho, a chamar-lhes... nomes.