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Vítor Santos

#Trump

A ingenuidade é uma característica nobre, mas ser ingénuo em demasia pode trazer dissabores a qualquer um, e de dimensão extrema, como fazer uma pessoa atribuir credibilidade a uma declaração, uma ideia (eu sei que estou a exagerar), ou uma tropelia infantil de um trolaró como Donald Trump. As últimas conversas conhecidas do presidente dos Estados Unidos podiam ter o condão de nos deixar a todos com medo de levarmos com o Mundo em cima. Seria um final infeliz para uma esfera tão bonita como a Terra, esse de ser engolida pelo apocalipse resultante da mãe de todas as guerras. Mas hoje é sábado, dia de sermos menos ingénuos e mais otimistas, por isso, vamos pensar que tudo não passa de conversa fiada. Podia ser outro tipo de conversa, pois há muitas e para todos os gostos. Desde logo, as conversas de café, que também não faziam mal aos ouvintes de Donald, já que se há coisa que ele provoca sempre que fala é sono. Uma conversa de sofá, por outro lado, resultaria num dois-em-um interessante, pois se quem o ouve pode tirar uma soneca confortável, a Trump também lhe dava jeito, sobretudo se fosse o sofá no psicólogo. Conversas de pé de orelha com alguém que se passeia com aquele cabelo é que não. E é aqui que o líder norte-americano falha escandalosamente. Mais do que as patetices que teima em dizer, creio que nunca alguém levará a sério um tipo com aquele penteado.

Vítor Santos

Filipe Vieira sem medo

Chegados à acusação, o e-Toupeira devia ser uma oportunidade para uma regeneração que está longe de concluída no futebol português. Mas não só. Também devia servir para clarificar, de uma vez por todas, se é ou não verdade que o Benfica corrompeu funcionários da Justiça para aceder a peças jurídicas em que tanto a sua sociedade como a dos rivais, F. C. Porto e Sporting, são visadas. Luís Filipe Vieira nega a pés juntos aquilo que o Ministério Público concluiu como verdadeiro. Mas é importante que os adeptos do futebol, e os do clube da Luz em particular, percebam, sem manobras de comunicação, o que realmente aconteceu. E essa verdade nunca será encontrada nos comunicados, redes sociais ou nos programas de televisão onde se discute com o cachecol. A sentença do tribunal, se lá chegarmos, essa sim, será inequívoca, por muito que custe aos que teimam em desvalorizar o trabalho da Justiça, sobretudo quando lhes dá jeito.

Vítor Santos

#rato_por_gato

Alguma vez ouviu falar de Omaui? Provavelmente, não. Nem é por bons motivos - na minha perspetiva, claro que está - que sinto vontade de explicar em que contexto esta terrinha me cativou tanto. Trata-se de uma pequena vila portuária, na Nova Zelândia, que tem uma loja de bebidas, um salão onde podemos entrar em carne e osso e sair em carne, osso e piercings, uma escola, um hospital e muitas vivendas arrumadas a régua e esquadro, bem ao jeito daquelas cidades pacatas onde habitualmente são rodadas as séries com crimes monstruosos e outras histórias do Além, ao jeito do cinema-pipoca ou da Netflix. Desta vez, no entanto, não é uma série, é mesmo a sério, e vai daí aquela malta lembrou-se de acabar com os gatos, ou pelo menos restringir-lhes a liberdade de circulação, com o argumento de que os pequenos felinos estão a acabar com a biodiversidade, pois tratam da saúde a bichinhos tão interessantes como os ratos e uma catrefada de insetos. Felizmente, Carl Johnson, tens residência no Norte de Portugal (na minha casa, afinando o GPS), onde és idolatrado por seres mais veloz do que as centopeias e mais esperto do que os mosquitos, como qualquer caçador que se preze. É certo que todos já teremos comido gato por lebre aqui e ali, mas gato por rato ou centopeia é coisa que não lembra ao demónio, embora na Nova Zelândia, pelos vistos, adorem.

Vítor Santos

Um país ao contrário

Portugal é, em questões importantes, uma espécie de mundo ao contrário, onde se torna complicado perceber as coisas mais simples. Criámos a Lei da Paridade, somos confrontados com intenções políticas como a do Partido Socialista, que aproveitou os megafones de verão para anunciar listas às eleições europeias com número igual de mulheres e homens, para depois falharmos em toda a linha naquilo que, no limite, cria um obstáculo no campo da igualdade às famílias e quase sempre às mães, em particular.

Vítor Santos

#fraldas

Cuecas para gatos? Existem, que eu já vi. Soutiens para cadelas? Também já vi. Fraldas para galinhas? Bom... Parece incrível, mas é verdade - as fraldas para galinhas existem. Se me perguntassem, até anteontem, se acreditaria que um dia fossem inventadas, logo responderia: "Só quando as galinhas tiverem dentes" ou "nem que a vaca tussa". Mas aconteceu mesmo e, não só estão no mercado, como chegaram antes de as galinhas se preocuparem com as cáries e de as vacas sofrerem ataques de tosse. Se pensou que o tema não é assim tão relevante, concluo que o leitor não é criador de aves nem tem preocupações ambientais. Quando eu era menino, o meu pai, embora fosse um comerciante com alguma relevância - existiam antes da chegada dos hipermercados e dos centros comerciais - tinha como hobbies a jardinagem e a criação de galinhas, patos e periquitos. Garanto-lhes que limpar o cocó da capoeira era, para mim, em tempo de férias, uma tarefa miserável. Por outro lado, estou convencido que na camada de ozono há um pequeno buraco de agulha resultante dos gases enviados para a atmosfera pelo cocó das galinhas do meu pai. Perdoem-me derivar para questões pessoais, mas queria deixar clara a importância que esta invenção pode ter para a Humanidade.

Vítor Santos

Descentralização centralizada

A descentralização interessa todos os portugueses, é um imperativo do país e do Governo. Mas atendendo à forma como evolui, com mais paragens e recuos do que avanços, percebemos que será necessário bem mais para chegar a um ponto de convergência, pois não é normal que no caminho de um processo desta importância surjam sucessivos obstáculos fraturantes. Na semana passada, vários municípios deram conta da indisponibilidade para avançar com a transferência de competências em 2019 e, pelo andar da carruagem, corremos o risco de chegar a 2021 com mais dúvidas do que certezas, passando a descentralização de objetivo comum a imposição.

Vítor Santos

#horaH

A hora muda duas vezes por ano, o que suscita quase sempre uma imensa discussão em março e em outubro, desta vez antecipada porque a Comissão Europeia chamou os cidadãos a pronunciarem-se sobre tão sensível tema. Especialistas entraram em cena, e bem, para desenvolver teorias espetaculares sobre o relógio biológico e outras trapalhadas, mas para mim a questão é simples, pois quem tinha razão eram os antigos, que se guiavam por relógios de sol, até que um dia alguém inventou, na Ásia, segundo alguns historiadores, o relógio mecânico, entretanto transformado num adereço que faz o mesmo efeito de um brinco, só que se coloca no pulso e não na orelha. Se peneirarmos as migalhas à discussão, as conclusões não variam muito. É do senso comum que a generalidade das pessoas funciona melhor ao ritmo da luz solar. As exceções - e nestas se insere o ex-presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que além de se ter destacado a comer bolo-rei, também tem um lugar na história por nos ter proporcionado aqueles irrepetíveis pores do sol às 22.30 horas (ah, se houvesse Instagram naquela altura...) - terão de adaptar-se. Por isso, estranho que a Comissão Europeia se tenha lembrado de pedir a opinião aos terráqueos, quando não o faz em outras questões que também nos causam distúrbios do sono, como a possibilidade de subida das taxas de juro, por exemplo.