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Vítor Santos

A imunidade do Governo

Por falta de alternativa válida ou por outro motivo qualquer, o Partido Socialista segue imune à pandemia e a todas as polémicas, continuando em trajetória ascendente nas intenções de voto, projeção capaz de deixar a Direita democrática portuguesa no limiar do desespero, ainda por cima em ano de autárquicas, eleições que colocarão à prova a liderança de Rui Rio no Partido Social Democrata, onde outras forças se movimentam, desde logo, Pedro Passos Coelho, que parece ter saído da sombra para fazer oposição e sombra, claro está, ao atual presidente.

Vítor Santos

#salvaçãonoesgoto

Nenhuma profissão foi tão valorizada nas últimas décadas como a de canalizador. Esta atividade debate-se com falta de mão-de-obra e é cada vez mais bem paga, embora não seja por isso que, de repente, adquiriu uma importância desmedida. Há 20 anos, o canalizador só aparecia quando havia problemas à séria na cozinha ou na casa de banho. Dias felizes, para estes profissionais, quase só nos filmes, onde vestiram abundantemente a pele de macho latino. Quem nunca se deparou com uma cena em que o canalizador seduz uma dona de casa roliça, ou vice-versa? A realidade mudou. E mudou tanto que, agora, um tipo precisa de dominar esta arte para ser, por exemplo, político ou titular de um cargo público. É frequente ouvirmos governantes dizer coisas como "vamos canalizar as políticas no sentido de melhorar a vida dos mais pobres", ou, então, "canalizaremos todas as verbas para as vítimas". Tudo é canalizado, já não é só a água, pelo que esta tendência devia mesmo projetar a introdução da disciplina "Técnicas de canalização" a partir do 2.º Ciclo, porque o futuro, da maneira que as coisas vão, está mesmo no esgoto.

Vítor Santos

#Domingo_à_mesa

Não me ocorre nada de bom a propósito da pandemia. Zerinho. Claro que durante este período absurdo e, espero, irrepetível, aconteceram coisas positivas, como deixarmos de levar com malta a tombar a cabeça para o nosso ombro logo pela manhã, quando viajamos de metro, isto porque, agora, o banco do lado tem um sinal de sentado proibido. Boas ou desagradáveis, há uma série de coisas que caíram no esquecimento em menos de um ano. Ainda se lembram da última vez que deram um aperto de mão a alguém? E aqueles abraços malucos? Se a segregação de afetos está para durar e a gente sente falta, outras coisas há que não deixam saudades e estavam mesmo a precisar de desaparecer do planeta, como aqueles momentos em que alguém tossia para cima de nós. Mas o que me deixa mesmo a salivar e a percorrer as contas do terço dedilhando orações de esperança no fim da pandemia são os almoços de fim de semana. Os assados, os cozidos, os fritos e os grelhados, tudo, mesmo tudo, o que sai daqueles pares de mãos mágicas da Emilinha e do sr. Salvador. Que grande suspiro, meus lindos, só porque amanhã é domingo.

Vítor Santos

Comércio retalhado

Que o estado de emergência sublinharia injustiças visíveis há décadas na economia, já todos sabíamos, é quase inevitável face a tamanha vaga de restrições. O que surpreende é o Governo não conseguir um decreto equilibrado para não as agravar. Quando o turismo de massas invadiu as principais cidades portuguesas, despontou, com décadas de atraso, um movimento de defesa do comércio tradicional. As lojas de rua já definhavam, varridas a eito pelos centros comerciais, no dia em que as autarquias perceberam a importância de conservar a identidade desses grandes núcleos de estabelecimentos, agora irresponsavelmente discriminados, por exemplo, em relação aos híper e até aos supermercados.

Vítor Santos

#ciclismo

Sendo eu filho de um comerciante com negócios no ramo das duas rodas e afilhado de um ciclista, depressa a paixão pelas bicicletas passou a amor assolapado, ao ponto de os meus amigos irem para a praia (ainda hoje é assim, certo, querubins dos Algarves?) e eu ficar à espera da abertura da emissão da RTP - aí por volta das 17.30 horas há mais de três décadas -, só para perceber em que lugar o Joaquim Agostinho terminara a etapa na Volta a França. Chorei sozinho - de alegria, pois claro -, na sala sombria da minha casa quando vi as imagens dele a ganhar no topo Alpe d'Huez; vibrei com as vitórias do Acácio da Silva, do Orlando Rodrigues, do José Azevedo... E quando não havia portugueses na estrada, babava-me com o meu desportista preferido, o Lance Armstrong, que entretanto passou a ser o meu batoteiro preferido, sendo que isso são contas de outra conversa. São 40 anos a saborear ciclismo. Todos de emoções fortes e únicas. Mas já não preciso de me esconder na sala, ou de desviar o olhar do meu Rui quando proezas como as do João Almeida e do Rúben Guerreiro são mais fortes do que este jeito durão - a máscara ajuda a que não me caia outra máscara, até no meio da Redação.