Vítor Santos

#canalizador

Nenhuma profissão foi tão valorizada nas últimas décadas como a de canalizador. Esta atividade debate-se com falta de mão de obra e é cada vez mais bem paga, embora não seja por isso que, de repente, adquiriu uma importância desmedida. Há 20 anos, o canalizador só aparecia quando havia problemas à séria na cozinha ou na casa de banho. Dias felizes, para estes profissionais, quase só nos filmes, onde vestiram abundantemente a pele de macho latino. Quem nunca se deparou com uma cena em que o canalizador seduz uma dona de casa roliça, ou vice-versa? A realidade mudou. E mudou tanto que, agora, um tipo precisa de dominar esta arte para ser, por exemplo, chefe de Governo. É frequente ouvirmos um primeiro-ministro dizer coisas como "vamos canalizar as políticas no sentido de melhorar a vida dos mais pobres" ou então "canalizaremos todas as verbas para as vítimas". Tudo é canalizado, já não é só a água, pelo que esta tendência devia mesmo projetar a introdução da disciplina "Técnicas de canalização" a partir do 2.0 Ciclo, porque o futuro, tenho poucas dúvidas, está na tubagem.

Vítor Santos

Uma defesa central

"Competência e integridade", segundo os advogados do Benfica, foram as marcas que Paulo Gonçalves deixou na Luz. Não tenho dados para questionar a competência do ex-assessor jurídico, por isso, nem me choca se um dia destes receber o prémio de funcionário do mês. Já em relação à integridade e face ao que argumenta a defesa jurídica dos encarnados, garantindo que a SAD não teve conhecimento dos atos imputados na acusação do processo e-Toupeira, só não me vou rir porque é demasiado grave.