Imagens

Últimas

Vítor Santos

#Rangel

A possibilidade de um pedófilo ser admitido como funcionário de uma escola seria coisa para indignar um país inteiro. Suponho que também ninguém ficaria satisfeito se a um condutor apanhado com taxa crime de alcoolemia num acidente fosse permitido continuar a guiar. E nem o mais burro dos ricos contrataria um ladrão para lhe guardar os tesouros. Em Portugal, no entanto, é expectável que o pedófilo vá parar ao jardim-escola e o bêbado diplomado, quem sabe, além de conduzir, até poderá dar aulas de condução. Não quer dizer que aconteça, mas é possível, porque são os juízes que condenam os pedófilos, que retiram a carta de condução e que julgam os ladrões. Os mesmos que permitem que Rui Rangel, também ele juiz, mas suspeito de corrupção e de outras manigâncias, possa estar prestes a decidir sobre um dos processos mais importantes da agenda judiciária e do próprio país.

Vítor Santos

Às mulheres o que é de César

Ainda não é uma realidade global, infelizmente, mas acredito que um dia destes deixaremos de andar preocupados com as quotas de mulheres nas diversas atividades. Pelo menos dentro do espaço que nos habituámos a classificar como Primeiro Mundo, onde cada vez mais existe a força da lei para arbitrar e, vá lá, equilibrar a eterna guerra dos sexos. Se a realidade continuar a evoluir neste sentido, a situação vai inverte-se não tarda, o que nem soa a injustiça, atendendo a que, durante longos séculos, a mulher sempre foi subalternizada.

Vítor Santos

#nomes

Se tivesse uma filha, chamava-lhe Esperança, porque seria, em caso de catástrofe, a última a morrer. Mais do que andar atrás dos filhos a toda a hora, de lhes dar boleia a meio da noite, de alimentá-los como a um náufrago que encontra a praia, é importante pesar todos os fatores quando escolhemos um nome. Essa deve ser a primeira preocupação de um pai, atendendo a que sem isso não é possível fazer a criança sócia do clube de coração. Os meus pais, numa horinha iluminada, tiveram a felicidade de me registarem como "Vítor", conferindo-me o privilégio de poder entrar um pouco mais tarde na sala de aula, nos tempos em que a chamada era feita por ordem alfabética. Nem sempre corria bem. Professores havia que controlavam a entrada após o segundo toque. E então lá ficava eu, nariz torcido, muito baixinho, a chamar-lhes... nomes.

Vítor Santos

#apelo

Sempre olhei para os colecionadores - aquela malta dos cromos, dos selos, dos autocolantes -, como quem está a ver deuses, porque nunca tive tenacidade e paciência para ir até ao fim do Mundo atrás de uma carinha do Zidane que permite fechar a caderneta. No máximo, consegui chegar ao Cabo do Mundo, que fica em Perafita, no meu concelho. A minha devoção aos colecionadores é tão inquebrantável que andei décadas à espera de encontrar a coisa certa para colecionar. E ontem descobri, finalmente, a coleção ideal. Aproveito para convidar amigos, colegas, conhecidos e desconhecidos, a entregarem-me todas as garrafas de plástico que puderem. No fundo, soube agora, sempre tive espírito de colecionador, só faltava mesmo um incentivo. No caso, os cêntimos oferecidos pelo Estado a quem devolver garrafas de plástico.

Vítor Santos

#amor_animal

A Florida, nos Estados Unidos, precisa de um PAN. As autoridades daquele estado, vejam lá, decidiram estimular os cidadãos a abater as iguanas. Nem todos apreciam esta espécie de crocodilo tamanho bebé, mas não é caso para tanto, embora se tenham tornado invasivas, argumentam os xerifes de Miami. As iguanas não fazem mal a ninguém, por isso, mesmo admitindo que prefiro vê-las a mexê-las, não merecem esta desconsideração. Tenho um amigo que defende que o Governo português devia criar incentivos à compra de inseticidas, porque as moscas são umas chatas quando um tipo está numa sardinhada. Onde há sardinha, há mosca, é certinho. Felizmente, se acontecesse algo parecido em Portugal, caía o Carmo, a Trindade e a Basílica da Estrela. E porquê? Porque temos o PAN, que até já conseguiu legalizar a presença de animais nos restaurantes, levando à ruína dezenas de empresas de desparasitação. Entretanto, o partido, agora com o Bloco de Esquerda colado na caça ao voto, não conseguiu aprovar no Parlamento a proibição das corridas de galgos. O que é uma pena. Porque se abriria uma janela para, a seguir, acabarmos com o hipismo, com as corridas de pombos, com os concursos de saltos de rãs e com os circos de pulgas.

Vítor Santos

Um futebol mais limpo

O futebol está longe de resolver os problemas da saúde, do ensino, ou da justiça, menos ainda o da corrupção, com o qual também se debate, mas estimula, acrescenta pontos na autoestima e ainda projeta a imagem internacional de um país que, sejamos claros, apenas na produção de cortiça encontra paralelo em termos de liderança no Velho Continente, depois de a seleção nacional ter dado sequência ao título europeu de 2016 com a conquista da Liga das Nações, no domingo passado, no Porto.