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Felisbela Lopes

Um lugar ao sol

O hábito já se enraizava em alguns hotéis. Agora estende-se a determinados areais. Estender manhã cedo uma toalha numa das espreguiçadeiras da piscina ou abrir um guarda-sol na areia a fim de reservar um lugar que é ocupado apenas uma pequena parte do dia não é somente irritante para quem é incapaz de tão egoístico gesto. É revelador daquilo que somos. Pessoas autocentradas no seu bem-estar, nem que isso implique neutralizar o que os outros possam fazer. Um comportamento que não acontece apenas nas férias de verão. Pode tornar-se bem visível nos restantes meses do ano.

Felisbela Lopes

Lei da rolha? Porquê?

A cada vaga de incêndios, o problema da comunicação não tarda a emergir. Ora são as fontes de informação a criar sucessivas entropias, ora são os jornalistas a redimensionar o que acontece. Desta vez, o problema será o contacto dos bombeiros com os média noticiosos. Por isso, a Autoridade Nacional de Proteção Civil concentrou em si toda a comunicação com as redações, promovendo, a partir de Carnaxide, dois briefings diários para falar dos incêndios. Esta decisão não deveria ser tomada em pleno verão quente, com a floresta a arder.

Felisbela Lopes

Ondas noticiosas

Os media noticiosos constroem, em certas alturas, uma agenda centrada em determinados assuntos. Ora porque o real que mediatizam é de tal forma avassalador que impõe um forte acompanhamento jornalístico, ora porque as próprias redações, atuando numa lógica circular de informação, vão fazendo uma construção social da realidade que estrutura aquilo de que se fala. Mas os problemas não se circunscrevem a isso. Aquilo que se constata é que os jornalistas convivem mal com duas ondas noticiosas, passando frequentemente de assunto em assunto, sem haver qualquer desfecho de nenhum deles.

Felisbela Lopes

E as pessoas?

A narrativa jornalística não precisa de explorar o drama das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande para transmitir a dor que essa gente sente. Basta enunciá-lo para todos nós nos mobilizarmos na ajuda. Mas agora o momento parece ser o do discurso político. Desordenado e irresponsável. Ora, nunca é demais lembrar que a centralidade dos factos nunca deve deixar de ser as pessoas que estão em enorme sofrimento. Que não compreendem o que lhes aconteceu, nem para onde vai a sua vida.