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Manuel Serrão

Quem quer experiências que as pague!

Lembro-me bem de quando estava na chamada idade de fazer experiências. Como se calhar aconteceu com todos os leitores, tive experiências que correram bem e outras, de que não me arrependo, mas que correram menos bem. Porque me gabo de sempre ter sido uma pessoa razoavelmente equilibrada (e também porque numa ou noutra experiência mais arriscada fui um homem de sorte) mesmo naquelas situações que correram menos bem não foram nem fatais, nem de uma gravidade que fizesse muita mossa ou deixasse grandes marcas. Pelo que contavam os meus pais, a única marca que carrego até hoje na testa resultou de uma queda pelas escadas da casa dos meus avós maternos, mas eles garantem que foi apenas um azar, não fui eu que decidi ter essa experiência com pouco mais de um ano de vida.

Manuel Serrão

Sete magníficos emigrantes

João Araújo, Sofia Pinto, Bruna Costa, Filipa Dias, Miguel Freitas, Nuno Fonseca e Alberto Salvador. Estes são os nomes de sete jovens portugueses que trabalham num hotel de Barcelona onde os fui encontrar num fim de semana que lá passei neste verão. Para além do mesmo local de trabalho e da mesma condição de recém-emigrantes, estes sete jovens têm em comum o facto de serem todos da região Norte e quase todos da região do Porto e tipo cereja em cima do bolo, serem todos portistas. Estas características que lhes são comuns são para mim muito importantes e contribuíram para que eu passasse um fim de semana fora sentindo-me completamente em casa, mas são as características que vou de seguida acrescentar que mais interessam para a crónica de hoje. De tudo o que lhes ouvi dizer e vi fazer, percebi que também partilham um grande apego à terra que os viu nascer e senti em todos uma vontade de para cá voltarem, sendo que também em todos percebi o gosto pelo trabalho que faziam e pelo excelente hotel que os contratou.

Manuel Serrão

A galinha da vizinha

A galinha da minha vizinha é sempre melhor que a minha? Nos tempos modernos, política e sexualmente corretos, devíamos já corrigir o ditado, agora menos popular, para uma formulação tipo a galinha e o galo da vizinha e do vizinho são melhores que a minha e que o meu. Pensando bem, talvez resolva a disputa dizer qualquer coisa como o galináceo dos vizinhos é melhor que o meu. Isto, enquanto o deputado do PAN e várias associações amigas dos animais não vierem protestar, perguntando o porquê deste destaque dos galos e das galinhas quando há gatos e gatas, coelhos e coelhas, sapos e rãs, passarinhos e passarinhas... que também existem nas casas dos vizinhos e das vizinhas.

Manuel Serrão

Nem tudo génios nem tudo loucos

Todos os países têm passado e futuro. É no presente que ambos se conjugam e entrechocam, produzindo nações e estados mais virados para o futuro ou mais amarrados ao passado. Se o futuro a Deus pertence, como soi dizer-se, pertence-nos, no presente, saber lidar com o passado. Tentando que ele não nos condicione em demasia, mas que também não seja alegremente desprezado. Como em tudo na vida, o equilíbrio destas opções é que é o caminho que leva à virtude e por isso ninguém pode estranhar que seja o mais difícil.

Manuel Serrão

Nuvem passageira

Há muito tempo que nos habituamos a ouvir dizer que um simples bater de asas de uma borboleta na China pode causar uma tempestade tropical no Havai. Na verdade, mesmo para os que não se cansam de recordar que a Terra é redonda, há acontecimentos que se propagam em linha reta sem nunca se perderem no abismo. Uma das coisas mais complicadas de explicar a um menor no primeiro contacto dele com um globo da Terra é garantir-lhe que mesmo os habitantes que vivem na parte inferior nem caem, nem vivem com a cabeça abaixo dos pés.