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Manuel Serrão

A idade moderna da têxtil

Esta semana tenho dois excelentes pretextos para falar de um dos grandes amores da minha vida. Escusam de estar descansados porque não vai ser hoje... nem nunca, que vou usar esta crónica ou qualquer outra tribuna pública para falar da minha vida pessoal. Um dos grandes amores da minha vida é o meu trabalho e é nesse âmbito que tenho uma das relações mais duradouras da minha vida. Há 30 anos que dou o meu melhor em prol do associativismo têxtil e da promoção da nossa indústria e da nossa moda.

Manuel Serrão

Apalpar ainda é preciso

Uma discussão recorrente na agenda nos dias de hoje tem a ver com as diferenças entre a realidade nua e crua e a realidade virtual. Em muitos campos da vida há hoje muita gente que elogia as vantagens e as potencialidades do mundo virtual, mas também muita outra gente que se mantém afincadamente ao lado da realidade concreta, afiançando que o virtual não tem nem terá nunca capacidade para se sobrepor à realidade. Se há aspetos, como por exemplo a questão do sexo, onde poucos são aqueles que estão disponíveis para trocar a realidade pelo mundo virtual (assim possuam condições normais para isso) há muitas outras áreas, nomeadamente nas atividades económicas, onde os mercados e as formas de comercialização virtuais têm vindo a conquistar um terreno apreciável às formas tradicionais da economia real.

Manuel Serrão

O S. João quer alho, porra!

Eu adoro o cheiro a alho-porro pela manhã. Foi talvez na primeira madrugada de S. João em que morrendo na praia, renasci, que percebi clara e finalmente o alcance desta frase famosa do filme Apocalipse Now. Eu adoro o cheiro a napalm pela manhã , era o que dizia Marlon Brando, tentando encontrar um inacreditável e impossível lado positivo para os bombardeamentos dos americanos. Falando do filme e das emoções que lá se transmitem, sem nenhum sofrimento nem mortos e feridos, é possível perceber que o olfato pode ser também uma fonte de felicidade.

Manuel Serrão

Um lóbi saudável

Vá-se lá saber porquê, aqui na terrinha lusa costumamos atribuir à palavra lóbi uma conotação negativa. Sempre que alguém fala de um lóbi, parece que se pressupõe alguma fraude, seguramente está envolvida uma associação criminosa destinada a adotar comportamentos ilegais ou ilícitos. Como muitos sabem, não é esse o entendimento em muitas outras partes do Mundo, a começar desde logo pelos EUA. Atentemos no significado da palavra lóbi, tal como vem no dicionário online da Priberam: "Pressão, exercida geralmente por um grupo organizado, para atingir determinados objetivos ou para defender determinados interesses". Embora perceba que existam grupos ou até alguns conjuntos de pessoas que protagonizam atividades ilícitas em defesa dos seus interesses e entre eles chamem a isso lóbi, ou atividade de lobing, para mim a culpa não é da palavra, mas do mau uso que esses senhores lhe dão.

Manuel Serrão

Tapar o sol com as peneiras

Na noite de domingo passado fui ao Coliseu assistir ao concerto do cantautor brasileiro Chico Buarque, dono de uns vigorosos 73 anos de idade. Um concerto de quase 2 horas onde, para além de revisitar sucessos antigos, Chico Buarque homenageou o seu velho compagnon de route, Wilson das Neves, e apresentou o novo álbum "Caravanas". Que inclui "Tua cantiga", uma magnífica canção de amor não correspondido, que levantou alguma polémica ridícula junto de alguma gente igualmente ridícula.

Manuel Serrão

Uma vida florida

Em Singapura as chicletes (chewing gum) não são boas de mascar. Muito menos de as deitar fora. Não consegui apurar a razão desta proibição de uma forma absolutamente segura, mas fiquei razoavelmente convicto de que esta embirração das autoridades da chamada Suíça do Oriente tem a ver com o facto de quererem prevenir que elas não acabem distribuídas aleatoriamente pelo chão e outros locais públicos, onde não ficariam bem na fotografia. Na fotografia é o que se costuma dizer, mas neste caso melhor será escrever... no filme, ou no vídeo, porque não devem existir muitos centímetros quadrados de toda a superfície de Singapura que não estejam no ângulo de visão das milhares de câmaras instaladas por todo o lado. Nos transferes conheci uma guia, de seu nome Cash, que me ia chamando a atenção para a localização dessas câmaras de uma forma tão obsessiva que até cheguei a julgar que teria alguma tragédia do seu passado que estava mortinha por contar e que meteria precisamente uma história com câmaras. Ou vídeos maldosamente postos aos olhos de todos, como é hoje já quase o pão nosso de cada dia.