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Manuel Serrão

Em Lisboa o vírus não é coisa boa

Tenho assistido com alguma ironia à dramatização do aparecimento de um número maior de infetados da atual pandemia na região de Lisboa e Vale do Tejo. Desde logo quando falamos da região de LVT o que estamos no fundo a querer salientar são os números de Lisboa e concelhos limítrofes, porque os distritos de Santarém e Setúbal contam muito menos e interessam menos ainda. Devemos começar por lembrar que o número de infetados nesta região, mesmo que nas últimas semanas tenham representado a maior percentagem de novos infetados no país, estão ainda numa comparação diária muito abaixo dos números já registados na pior fase da covid na região Porto e Norte. Mesmo assim, considerando até que as infraestruturas sanitárias da capital só podem ser mais e melhores que as da Região Norte, para servirem um número semelhante de cidadãos, a verdade é que parece que só agora é que a Direção-Geral da Saúde e os responsáveis pela saúde pública não estão a fazer o que teria de ser feito.

Manuel Serrão

Uma festa até ser dia

Foi numa noite de São João que fiz a primeira direta da minha vida. Não consigo precisar o ano, mas era ainda menor e esta noite mágica da cidade do Porto acabou na praia, antes de um bom pequeno-almoço. Como é evidente, nem sempre fiz diretas destas nos anos que se seguiram, mas foi desde esse ano que nunca mais esqueci e percebi o verdadeiro sentido dessa expressão de que o São João é festa até ser dia. O que aliás é sempre muito ajudado pelo facto de ser uma festa longa numa das noites mais curtas do ano.

Manuel Serrão

Deixem-nos trabalhar!

A crónica de hoje é especialmente dedicada a todos os pessimistas profissionais que apesar de todas as evidências continuam a achar que isto não vai correr nada tudo bem. A semana passada, os portugueses resolveram dar um ar da sua graça e foram fazer turismo cá dentro com máscara, mas sobretudo com muita vontade de respirar ar puro. Apanhar sol. Mergulhar no oceano. Jantar nas esplanadas. Caminhar por montes e vales. À conta desta expressão de liberdade, a hotelaria e a restauração portuguesa também receberam uma lufada de ar fresco (e dinheiro fresco). O contentamento não gerou nenhum descontente e até aqueles que passaram horas nas intermináveis filas da A2, como o nosso PM, não amuaram nem desataram a buzinar. Antes destas miniférias que foram muito populares, mesmo sem santos à perna, já quase todo o país tinha aberto os seus centros comerciais, as suas lojas, os seus cafés e restaurantes e apesar do que profetizaram os pessimistas do Restelo nenhum mal especial veio ao Mundo.

Manuel Serrão

Puxar a brasa à minha sardinha

Esta é a primeira quarta-feira do nosso mais que ansiado desconfinamento. Apesar de ter uma paixão especial por trocadilhos, prometo não fazer nenhum nesta crónica sobre o desconfinamento ou o verbo desconfinar. Na verdade, desde o passado fim de semana que julgo que no que toca à Comunicação Social portuguesa estão já esgotados todos os literalmente possíveis. Já uma coisa que não prometo é não puxar a brasa à minha sardinha, logo agora que acabamos de saber que a União Europeia foi uma autêntica mãos largas no que toca à possibilidade dos nossos pescadores abarrotarem os seus barcos de sardinha. Presumo que as festas oficiais dos Santos Populares continuam confinadas, mas para todos os que se abalançarem a tratar da sardinha em casa ou nos restaurantes, este ano não será por falta de sardinha que não há festa.