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Manuel Serrão

Um naco de prosa em defesa da posta

Já sei que nestes dias o nosso bom povo português anda todo preocupado em apurar tudo o que há para saber sobre covid e infetados, vacinas e datas previstas para a sua distribuição, recolher obrigatório e suas exceções. Tenho confiança que como é costume e é seu timbre, o nosso JN dedicará várias páginas na sua edição de hoje a esclarecer e informar os leitores sobre tudo isto. Espero por isso que os estimados leitores me absolvam de eu voltar a optar por um tema que mais do que pós-covid é covid free.

Manuel Serrão

A terapia de choque

Na minha busca semanal de temas sobre que possa discorrer sem ter que falar da pandemia tropecei nos resultados das eleições nos Açores. Sobre estes resultados já muito foi dito sobre o facto de o PS ter perdido a maioria absoluta após ter estado no Governo durante os últimos 20 anos. Também mereceu várias notas de destaque o desaparecimento do Parlamento açoriano dos comunistas da CDU, por contraposição à entrada inédita de deputados regionais eleitos nas listas do Chega, Iniciativa Liberal e PAN. Reparei igualmente que o maior frisson pós-eleições gira à volta das geringonças possíveis que a matemática eleitoral tem vindo a catalogar. Há quem aposte na reedição de um entendimento entre o PS e o CDS, como há quem julgue possível que o PSD, segundo partido mais votado, invente uma geringonça de Direita que seria sempre uma solução coxa por falta de aderência do Chega. Finalmente, também escutei alguns comentários de júbilo relativos à descida da abstenção. Até esta última "comemoração" nada me pareceu que merecesse especial comentário. O resto são estados de espírito, contabilidades eleitorais ou especulações inofensivas destinadas a perderem toda e qualquer relevância no dia em que for anunciada a solução encontrada. Já a questão do festejo da descida da abstenção merece dois ou três comentários. Um verdadeiro democrata que acredita nas eleições livres e na soberania do voto popular não pode festejar em nenhum caso os resultados de umas eleições em que são mais aqueles que não votam, do que aqueles que vão às urnas. Que a abstenção tenha sido de 54,5% em vez dos 59% das eleições anteriores não pode constituir um motivo de júbilo porque o que se verificou é que esse número passou só de péssimo a muito mau. Ainda por cima a comparação é ligeira porque se recuarmos mais uns anos vamos ter que concluir que a abstenção de 54,5% é muitíssimo superior à taxa de abstenção em muitas das eleições regionais anteriores.