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Manuel Serrão

O assalto que nos faltava

Este ano parecia que o mês de agosto nunca mais chegava. Mas agora que é oficial que estamos em agosto, escolhi um tema próprio deste mês. Esta época costuma ser apelidada de silly season, mas este ano os meses anteriores puseram tanta gente maluca, que não podemos falar propriamente de uma silly season nos moldes habituais. Mesmo assim, sem querer trair este espírito, não resisto a um comentário sobre o tema do ano, porque mesmo dado o ar fatal com que todos falam dele, pode parecer engraçado, mas nunca tem verdadeira graça. Durante meses a fio, as conferências de imprensa e as contabilidades oficiais da DGS mantiveram-nos furiosamente alerta em relação ao número de mortos relacionados com a covid-19. Talvez um dia ainda venhamos a conseguir conhecer uma estatística que separe os falecidos em mortos por covid, mortos com covid e mortos se calhar eventualmente por causa do medo da covid. Seja como for, andamos vários meses a registar e a tomar devida nota do número de mortos diários. Esta semana, tivemos finalmente um dia em que ninguém morreu por causa disso.

Manuel Serrão

Em Lisboa o vírus não é coisa boa

Tenho assistido com alguma ironia à dramatização do aparecimento de um número maior de infetados da atual pandemia na região de Lisboa e Vale do Tejo. Desde logo quando falamos da região de LVT o que estamos no fundo a querer salientar são os números de Lisboa e concelhos limítrofes, porque os distritos de Santarém e Setúbal contam muito menos e interessam menos ainda. Devemos começar por lembrar que o número de infetados nesta região, mesmo que nas últimas semanas tenham representado a maior percentagem de novos infetados no país, estão ainda numa comparação diária muito abaixo dos números já registados na pior fase da covid na região Porto e Norte. Mesmo assim, considerando até que as infraestruturas sanitárias da capital só podem ser mais e melhores que as da Região Norte, para servirem um número semelhante de cidadãos, a verdade é que parece que só agora é que a Direção-Geral da Saúde e os responsáveis pela saúde pública não estão a fazer o que teria de ser feito.

Manuel Serrão

Uma festa até ser dia

Foi numa noite de São João que fiz a primeira direta da minha vida. Não consigo precisar o ano, mas era ainda menor e esta noite mágica da cidade do Porto acabou na praia, antes de um bom pequeno-almoço. Como é evidente, nem sempre fiz diretas destas nos anos que se seguiram, mas foi desde esse ano que nunca mais esqueci e percebi o verdadeiro sentido dessa expressão de que o São João é festa até ser dia. O que aliás é sempre muito ajudado pelo facto de ser uma festa longa numa das noites mais curtas do ano.

Manuel Serrão

Deixem-nos trabalhar!

A crónica de hoje é especialmente dedicada a todos os pessimistas profissionais que apesar de todas as evidências continuam a achar que isto não vai correr nada tudo bem. A semana passada, os portugueses resolveram dar um ar da sua graça e foram fazer turismo cá dentro com máscara, mas sobretudo com muita vontade de respirar ar puro. Apanhar sol. Mergulhar no oceano. Jantar nas esplanadas. Caminhar por montes e vales. À conta desta expressão de liberdade, a hotelaria e a restauração portuguesa também receberam uma lufada de ar fresco (e dinheiro fresco). O contentamento não gerou nenhum descontente e até aqueles que passaram horas nas intermináveis filas da A2, como o nosso PM, não amuaram nem desataram a buzinar. Antes destas miniférias que foram muito populares, mesmo sem santos à perna, já quase todo o país tinha aberto os seus centros comerciais, as suas lojas, os seus cafés e restaurantes e apesar do que profetizaram os pessimistas do Restelo nenhum mal especial veio ao Mundo.

Manuel Serrão

Puxar a brasa à minha sardinha

Esta é a primeira quarta-feira do nosso mais que ansiado desconfinamento. Apesar de ter uma paixão especial por trocadilhos, prometo não fazer nenhum nesta crónica sobre o desconfinamento ou o verbo desconfinar. Na verdade, desde o passado fim de semana que julgo que no que toca à Comunicação Social portuguesa estão já esgotados todos os literalmente possíveis. Já uma coisa que não prometo é não puxar a brasa à minha sardinha, logo agora que acabamos de saber que a União Europeia foi uma autêntica mãos largas no que toca à possibilidade dos nossos pescadores abarrotarem os seus barcos de sardinha. Presumo que as festas oficiais dos Santos Populares continuam confinadas, mas para todos os que se abalançarem a tratar da sardinha em casa ou nos restaurantes, este ano não será por falta de sardinha que não há festa.