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Verdades que magoam e imagens que comovem

Chamam-lhe o "rei das subidas", "elevador automático", mas Vítor Oliveira é muito mais que isso. É um senhor do futebol, com estatuto e crédito para dizer o que pensa e, mais que isso, ser levado a sério. Vai daí, as palavras que disse no final do Gil Vicente-Sporting têm ainda mais impacto, sobretudo a quem anda distraído no mundo da bola. Este Sporting, de facto, é um interruptor. Tanto está em cima, como está em baixo, e para uma equipa grande isso não serve. Falta qualidade à formação de Alvalade e Vítor Oliveira disse-o com todas as palavras.

miguel conde coutinho

Talento e insubmissão

"Filme de Scorsese vai estrear no Netflix". Se isto não é um manifesto sobre a mudança não sei o que é o mudar. Podia ser o resumo desta década das artes da imagem e do som em movimento, e de como o movimento tecnológico forçou a revolução. O cinema de autor está sem espaço nos grandes estúdios de cinema? Salte-se diretamente para o streaming: há muito dinheiro disponível ( "O irlandês", que estreou esta semana no Netflix, custou perto de 140 milhões de euros) e a definição de prestígio alterou-se profundamente.

salomé filipe

Quando a saúde "falha", o que nos resta?

Há gente amontoada no hospital, à espera de camas no internamento. Uma jovem perdeu a filha, às 40 semanas de gestação, quando estava internada. Num bairro social, recentemente ladeado por um muro de quase dois metros de altura, constatou-se agora que as ambulâncias não conseguem lá entrar. Todos os dias, o de hoje incluído, há notícias relacionadas com o setor da saúde. Ou sobre a falta dela. O que nos leva à questão: quando a saúde "falha", o que nos resta?

carla soares

A fronteira entre racismo e brincadeira que dividiu o Parlamento

O Parlamento dividiu-se esta sexta-feira na hora de manifestar solidariedade com o futebolista Bernardo Silva, condenado por ato racista pela Federação Inglesa de Futebol. PS, BE e Livre votaram contra a proposta do CDS. Este partido quis "separar o que é racismo de uma mera brincadeira entre amigos". O dia ficou ainda marcado pela eleição do estreante Rui Rio para o Conselho de Estado. Já na Saúde, vem aí nova greve cirúrgica.

arnaldo martins

Europeu sem berço mas com Ronaldo

Está feito. Portugal cumpriu no Luxemburgo e garantiu a qualificação direta para o Euro 2020, em... pois, é estranho, o próximo Campeonato da Europa não tem um país sede. É quase como não ter nem pai, nem mãe. A história habituou-nos a que os Europeus, tais como os Mundiais, se realizassem num só país. O "nosso" ficou eternizado como o Euro 2016, do golo do Éder, em... França. O de 2020, pasme-se, será dividido por 12 cidades-anfitriãs. Em algumas edições, já tivemos a bola a rolar em dois países-sede (Áustria-Suíça e Ucrânia-Polónia), agora em 12 é uma completa inovação, se assim lhe quisermos chamar, da UEFA.

arnaldo martins

O desafio de André Gomes

Esqueçam a bola. A imagem do fim-de-semana é a lesão arrepiante de André Gomes, internacional português que alinha no Everton. Um médio de qualidade, elegante, made in F. C. Porto, Boavista e Benfica. Aos 26 anos, o futebolista que joga de rosto fechado prepara-se para enfrentar o maior desafio da carreira. A grave lesão implica um longo período de paragem e complica a ambição do jogador, que, certamente, procurava regressar à seleção nacional. Também ele é um dos heróis da conquista do Europeu, em 2016.

salomé filipe

Se eu nunca me esqueci, que fará ela

Corria o ano de mil novecentos e troca o passo, andaria eu no primeiro ou no segundo ano da Escola Primária, quando descobri que a escola não é sempre aquela segunda casa, segura, que deveria ser. Se fosse, eu não teria assistido à minha professora, que tão amistosa e afável era comigo, a bater com a cabeça da uma colega minha no quadro de lousa pendurado na parede. E, depois, contra uma mesa, agarrando-lhe nos cabelos. O motivo da agressão? A aluna era um pouco lenta na aprendizagem e, consequentemente, não conseguia resolver um problema que estava no quadro. Não foi mal-educada. Não chamou nomes à professora. Não gritou. Não fez nada. E o problema foi esse: não fazer nada. Naquele dia, a lição mais dura não foi escrita a giz, mas ficou na memória para sempre: o ser humano é um bicho estranho.